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Farol de Boi e Ponte de Canal degradados: Santantonenses exigem intervenções 17 Setembro 2015

Um grupo de cidadãos santantonenses está indignado com a situação degradante em que se encontram o Farol Fontes Pereira de Melo (Farol de Boi), no concelho do Paul, e a Ponte de Canal, na Ribeira Grande. Cansados de esperar e das promessas de intervenção nessas duas infraestruturas históricas, os munícipes destes dois concelhos submeteram à Assembleia Nacional um pedido de intervenção urgente sobre os dois ex-líbiris da ilha das Montanhas.

Farol de Boi e Ponte de Canal degradados: Santantonenses exigem intervenções

Os signatários justificam a petição com a necessidade de salvaguardar o património cultural, a segurança de pessoas e bens no país, mais concretamente nos municípios da Ribeira Grande e do Paul.

“Contando com a compreensão dos dignos parlamentares desta nossa Casa Magna, na interpretação e tomada de posição, na qualidade de porta-voz dos anseios do eleitorado que os elegeu, nós subscrevemos, aguardando a resolução das questões acima citadas, quanto mais cedo que couber, a bem da preservação do património construído, para além da segurança de pessoas, veículos e bens”, diz o documento.

Segundo o grupo, além do valor histórico e cultural que está em causa, também a degradação desses dois monumentos pode perigar a integridade das pessoas. É o caso sobretudo na Ponte de Canal, onde se verifica um tráfego intenso de veículos e de pessoas que circulam todos os dias por sob a ponte. “Com efeito", se "eventualmente houver uma derrocada desta imponente obra hidráulica, podem vir a registar-se situações complicadas, com consequências negativas imprevisíveis”.

No caso do Farol de Boi, este ficou mais devastado depois da passagem do furacão Fred. A tempestade do mês passado, além de arrancar pedaços de ferro da estrutura, danificou o painel solar que estava fixado no local. Por esses motivos, os munícipes santantonenses pedem também a outros cabo-verdianos para solidarizarem-se com a petição.

Farol de Boi e Ponte de Canal, duas obras históricas de Santo Antão

O Farol de Boi (Farol Fontes Pereira de Melo) nas proximidades da zona de Pontinha de Janela, Concelho do Paul, foi iniciado em Julho de 1884 e concluído em Março de 1886 no reinado de D. Luiz I e do Governador da Província de Cabo Verde, João Paes de Vasconcelos. Depois dos seus tempos áureos como um instrumento de orientação marítima, foi desactivado e está há vários anos em degradação e à mercê de actos de vandalismo e de roubos dos materiais, o que tem inquietado as gentes desta zona. Várias vozes se têm levantado a exigir a sua recuperação.

Entretanto, com a inauguração da estrada Janela-Porto Novo, em Maio de 2009, renasceu a esperança da população de ver então obras de restauro no farol. Chegou-se a anunciar que Farol de Boi ia tornar-se num grande ponto de atracção turística, com uma unidade hoteleira de cinco quartos e zonas de restauração. O projecto tripartido entre o Instituto do Património Cultural (IIPC), a Câmara Municipal do Paul e o Instituto Marítimo-Portuário ganhou força com a visita do Ministro da Cultura, Mário Lúcio Sousa, ao concelho do Paul, mas até agora não saiu do papel e a infraestrutura continua a deteriorar-se.

Espera também a
sua vez, a não menos importante Ponte de Canal, sita numa confluência da ribeira que passa na localidade de Boca de Coruja (mais concretamente, conectada com o povoado designado de Ladeira das Canas). Obra monumental, a Ponte de Canal foi construída pela Brigada Técnica de Estudos e Trabalhos Hidráulicos ( B.T.E.T.H.) e concluída em 1956, para transportar a água de irrigação que ia de Boca de Ambas-as-Ribeiras para as zonas de Ladeira das Canas e Boca de Coruja.

Desde essa data, 59 anos depois, “nunca recebeu uma única manutenção” e a sua degradação vê-se “a olho nu”, apresenta graves fissuras no arco central – as malhas de ferros estão a apodrecer, na sua estrutura interna –, para além da alvenaria que mostra inúmeras “rachaduras” em toda a construção.

Entretanto, o asemanaonline sabe que o director-geral do Instituto do Património Cultural (IIPC), José Landim, esteve recentemente na ilha de Santo Antão para visitar sítios e obras arquitectónicas históricas, com o propósito de actualizar a lista indicativa de Cabo Verde, junto da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) e analisar o estado de conservação de algumas delas.

Na altura, Landim considerou que essas duas infraestruturas mereceram análises pormenorizadas e garantiu que o IIPC iria “agilizar o processo e procurar financiamento junto de quem de direito, para solucionarmos esse problema o mais breve possível”.

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