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Fausto Rosário defende resgate e preservação do Morgadio de Pico Pires e casa/solar de Armand Montrond 01 Outubro 2017

O resgate e preservação do Morgadio de Pico Pires (São Filipe), e as ruinas da casa/solar de Armand Montrond em Achada Maurícia (Mosteiros) esquecidos com a passagem do tempo, é de inquestionável importância, defende o professor e activista cultural Fausto do Rosário.

Fausto Rosário defende resgate e preservação do Morgadio de Pico Pires e casa/solar de Armand Montrond

Fausto, que conjuntamente com os professores da universidade de Turino (Itália) Gianni Mortara e Elena Ferrero orientou o painel “salvaguarda do ambiente do Fogo, Brava e Ilhéus”, promovido no quadro da inauguração do auditório padre Pio Gottin, disse que além de falar da importância e necessidade de preservar o centro histórico da cidade de São Filipe, a casa-museu Eugénio Tavares ou Casa Materna de Nova Sintra (Brava), outros espaços esquecidos com o passar do tempo, necessitam de ser preservados e resgatados.

O Morgadio de Pico Pires é, segundo Rosário citado pela Inforpress, a mais completa infra-estrutura remanescente de morgadio existente em todo Cabo Verde. Sublinha que é uma infra-estrutura notável e que preserva todas as componentes do antigo morgadio e, não faz sentido, que sendo único na ilha, tendo em conta que o de Cerrado “morreu” e não tem as suas características, importa preserva-lo, disse Rosário, observando que não conhece outra infra-estrutura em Cabo Verde tão rica do ponto de vista de antigas grandes propriedades, como o Morgadio de Pico Pires.

“Tem toda uma história envolvente que vem parar, inclusive no cemitério de baixo”, afirma o activista, indicando que este património deixa de ser apenas um património municipal da ilha e passa a ser da nação cabo-verdiana.

Com relação às ruinas da casa/solar de Armand Montrond em Achada Maurícia, Rosário indica que é preciso deixar de folclore quando se fala desta figura e se preservar as marcas da sua passagem por Cabo Verde, porque, conforme explicou, a preservação impõe porque “já não há, por causa da intervenção desastrada da edilidade em 2005, que destruiu a parede e ruinas da casa de Armand Montrond em São Filipe, marcas da cidade”, acrescentando que as ruinas da casa dele em Achada Maurícia, à semelhança de Pico Pires, é um monumento da ilha pelo impacto que teve e continua a ter na descendência em Chã das Caldeiras e nas zonas altas dos Mosteiros.

Para Fausto do Rosário, as Câmaras são fundamentais e não há que esperar pelo Ministério da Cultura ou pelo Instituto de Investigação do Património Cultural, que são parceiros privilegiados. Observa que é neste contexto que veja a regionalização, em que o poder local tem de ter coragem de assumir, inovar e avançar naquilo que é proposto pelo Governo em nome do colectivo e da preservação da memória colectiva.

“As câmaras têm muitas vezes de serem caixas de ressonâncias do programa do Governo em diversas áreas como se não pudesse fazer mais”, disse indicando que cada região é um destino próprio, uma especificidade e ninguém melhor do que as câmaras municipais para defenderem as especificidades.

Situação dos sobrados em S.Filipe

No que se refere ao centro histórico da cidade de São Filipe, Fausto Rosário defende que é necessário um debate urgente sobre a situação dos sobrados, porque, segundo o mesmo, aquilo que se passou com o sobrado de Ubaldinho (queda de uma varanda) é apenas um pequeno aviso que poderá repetir várias vezes, porque existem vários sobrados que podem rapidamente entrar em colapso porque não há concertação e recuperação.

Na sua intervenção, Fausto Rosário, que não é formado nas áreas de biologia e geologia, centralizou a sua comunicação no homem que se formou na região, da cultura e da obra que ele fez, dando prioridade ao património construído, ao património imaterial que importa valorizar e potenciar como produtos turísticos de valor para região.

Já a questão da salvaguarda do património geológico foi apresentada por Gianni Mortara e Elena Ferrero, sublinhando que “a geoconservação é uma responsabilidade de todos”, acrescentando que há uma maior sensibilidade individual e colectiva para com o mundo biótico (áreas protegidas) ao contrário do que acontece com o mundo abiótico (rochas, solos, areia, água, fenómenos climáticos).

C/Inforpress

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