CORREIO DAS ILHAS

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Fogo Coffee Spirit expande cultivo para outras ilhas 02 Novembro 2016

A firma “Fogo Coffee Spirit” (FCS) prevê fixar, ainda este ano, mais de sete mil cafeeiros nas ilhas de Santiago, São Nicolau e Brava. Prevê-se a distribuição gratuita de plantas aos proprietários de terreno nos Mosteiros com o compromisso de venderem a sua produção à própria empresa. Esta ofensiva enquadra-se na estratégia da FCS para expandir a plantação e produção de café, além da ilha do vulcão.

Fogo Coffee Spirit expande cultivo para outras ilhas

O responsável da FCS, Amarildo Baessa, revela que está em negociações com o Ministério da Agricultura e Ambiente para assumir a gestão das propriedades do Estado nas zonas de São Jorge e Rui Vaz, em Santiago. Além da expansão da área de cultivo através da fixação de novas plantas, a novel unidade fabril quer proceder ao tratamento das plantas existentes para aumentar a produção do café nessa região alta da Ilha-Maior.

A fonte deste jornal lembra que a multiplicação de esforços pela FCS para expandir a área cafeícola começou há já algum tempo, ao pedir ao governo a cedência de uma área de 300 hectares nas zonas altas do Fogo, Brava, Santiago e S.Nicolau. Além dos dois viveiros de produção de plantas que montou nos Mosteiros, a firma instalou um outro na localidade de S.Jorge dos Órgãos, interior de Santiago, para produzir plantas para estas duas ilhas. Na localidade de Órgãos, vai ser instalada, segundo o responsável da Fogo Coffee Spirit, uma unidade de debulha molhada do café, além de outras iniciativas que a empresa pretende ali realizar. Isto numa primeira fase, no quadro do programa de expansão do cultivo de plantas de café nas ilhas de Santiago, São Nicolau e Brava.

Em paralelo à fixação de cafeeiros, a empresa está a negociar com proprietários e organizações não-governamentais no sentido de melhorar a produção, através do estabelecimento de protocolos que visam aumentar as fruteiras dentro da área do cafezal. Esta é uma actividade que os chamados “guardas” das propriedades vêm praticando há várias décadas em Cabo Verde.

A CFS encontra-se também focada na requalificação do café de Fogo. Por isso a recente certificação internacional de café orgânico que a Control Union Nederlands atribuiu à CFS “constitui um ganho extremamente importante para os agricultores, a empresa e para Cabo Verde”. Acrescenta Amarildo Baessa que o certificado é valido para os próximos 4 anos e poderá ser renovado depois.

A certificação vai permitir à FCS prolongar o contrato com a empresa multinacional norte-americana Starbucks. Apesar de existir já uma fiscalização interna feita pela própria empresa, a partir deste momento o controlo e a fiscalização serão mais permanentes e rigorosos.

Baessa realça que é a primeira vez que um produto nacional recebe certificado orgânico. “Tudo foi fruto de um trabalho árduo durante os últimos três anos, com cumprimento de uma série de procedimentos, exigências e o envolvimento de 42 agricultores, que têm contrato exclusivo com a empresa”, afirma.

Para os produtores locais, este ano a safra do café vai ser significativamente maior do que a de anos anteriores, quando foram colhidas pouco mais de 12 toneladas de café comercial. Do total da produção, cerca de 40% destinam-se aos mercados internacionais. A restante produção será comercializada nos vários pontos do território cabo-verdiano.

O cafeeiro, recorde-se, é cultivado sobretudo na área montanhosa alta e fértil do concelho dos Mosteiros. Em 1917 e 1918, o café do Fogo conquistou os primeiros prémios numa exposição agrícola realizada na Cidade da Praia, além de ter tido uma participação na grande exposição da Índia Portuguesa em 1954.

Nicolau Centeio

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau