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Fogo: Sindep denuncia “clima de intimidação e falta de diálogo” para resolução dos problemas dos professores 30 Mar�o 2018

O primeiro vice-presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP), que termina sexta-feira uma visita à ilha, disse que reina no seio dos professores um clima de “intimidação e amedrontamento”, sobretudo dos que não dispõem de vinculo laboral.

 Fogo: Sindep denuncia “clima de intimidação e falta de diálogo” para resolução dos problemas dos professores

Em declarações à Inforpress, Jorge Mendes Cardoso disse ter constatado esta situação no encontro tido com os professores, indicando que este amedrontamento é exercido pelos dirigentes, desde tutela, passando por directores e delegados, nomeados pela actual ministra.

Além da intimidação, o dirigente de SINDEP explica que não há diálogo com os responsáveis do Ministério de Educação, sublinhando que a “actual ministra poderia ser uma excelente governante num regime ditatorial, mas que na democracia é uma má governante”.

Para justificar a sua posição, Jorge Mendes Cardoso adianta que há professores com excessiva carga horária e que não recebem horas extraordinárias.

Nestas condições encontram-se sobretudo os docentes com contrato a termo e que entraram no sistema este ano, e, por isso, segundo o responsável, não podem reclamar porque se sentem ameaçados, com medo de no final do ano o contrato não ser renovado, o que “é grave num estado de direito democrático”.

Jorge Mendes Cardoso disse que os problemas encontrados na ilha do Fogo são de carácter nacional e têm a ver com a questão de pendências, nomeadamente as reclassificações de 2014, que deviam sair em Fevereiro e não aconteceu.

Apesar de existir a promessa destas reclassificações saírem em Abril ou Maio, o sindicato coloca alguma dúvida no seu cumprimento, o que vai atrasar “seriamente” as reclassificações de 2015.

Outro problema considerado pelo sindicalista de mais grave neste momento, é a carga horária excessiva dos professores e a recusa de algumas escolas secundárias em pagar horas extraordinárias, assim como a excessiva carga horária no Ensino Básico para professores com pluridocência, já que ainda não está regulamentado a forma de pagamento da hora extraordinária a professores de básico.

Jorge Mendes Cardoso indica que a lei de base do sistema educativa de 2010 não previa horas extras no Ensino Básico, salientando que não obstante os estatutos prever que os professores na monodocência devem receber o valor entre 10 a 25 mil escudos conforme tenham 15, 20, 25 ou 30 anos de serviço, tal não se verifica e por isso o sindicato vai trabalhar seriamente nisso para que o Ministério cumpra os estatutos e em 2019 não haja atropela à carreira do pessoal docente.

Outra constatação durante a visita prende-se com o sistema de agrupamento que para Jorge Mendes Cardoso “é uma aberração” e a perspectiva é para o ” agravamento na própria gestão da escola”, sublinhando que realidade cabo-verdiana é complexa e em alguns casos levam alunos e professores a se deslocarem alguns quilómetros.

“Há professores que percorrem grandes distancias entre uma aula e outra, e mesmo que o Ministério garanta que vai cobrir o custo, cria constrangimento, porque não há transporte publico regular”, disse o dirigente sindical para quem se toda a política foi no sentido de levar o ensino próximo das comunidades para dar conforto aos pais e encarregados de educação e aos educandos, neste momento está-se a regredir e a afastar alunos da sua comunidade, porque não existe transporte regular em condições.

O primeiro vice-presidente do SINDEP informou que o sindicato vai aproveitar o mês de Abril, em que se assinala o dia dos professores, para uma largada a nível nacional, auscultando a classe para tomar uma posição visando o cumprimento do estatuto por parte do Ministério da Educação.

O sindicalista observou que desde Setembro que a titular da pasta da Educação vem fugindo do encontro com a representação dos professores, acrescentando que a partir se até ao final deste ano e o inicio do próximo, se ela não rever a sua posição, o SINDEP dará uma resposta ” à altura”.

Durante três dias, o dirigente estabeleceu contactos com professores dos três municípios da ilha, com delegados sindicais e o secretariado regional do Fogo, para o levantamento dos principais problemas que afectam a classe docente. Fonte: Iforpress

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