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França: Homicídio de Mireille, 85 anos, "crime antissemita" segundo autoridades, suscita marcha, mas presença de Marine Le Pen indigna 29 Mar�o 2018

Mireille Knoll, de 85 anos, conhecia Yacine M., de 28 anos, seu vizinho no prédio social do 11º bairro de Paris, desde que ele tinha sete anos. Ele entrava-lhe em casa, tratava-a com respeito, ajudando-a sempre que necessário. Mas na noite de sexta-feira, 23, ele chegou para roubar na companhia de outro, de 21 anos. A "simpática e doce anciã" foi encontrada morta com onze facadas, o corpo carbonizado no fogo-posto, ateado pelos seus homicidas.

França: Homicídio de Mireille, 85 anos,

O homicídio suscitou viva emoção em França. Em especial quando, no dia seguinte sob pressão do CRIF, associação dos judeus de França, as autoridades classificaram o que parecia um roubo que correu mal, como um “crime antissemita”.

As autoridades classificaram-no assim, baseados num testemunho de que o homicida mais velho teria dito: “Ela é judia, os judeus têm dinheiro escondido”.

As declarações de personalidades desde o presidente e ministros até a representantes estrangeiros não tardaram. No funeral de Mireille, realizado na manhã desta quarta-feira, estiveram o presidente francês, o presidente do Partido Democrata dos Estados Unidos.


"Eles estão a ser políticos. Eu, abro o meu coração a todos os que amam a sua mãe"

A marcha-branca convocada pelo CRIF teve uma grande adesão. Os extremistas Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon fizeram saber que iam participar.

Enquanto os organizadores eram contra essas duas presenças, o filho da malograda, Daniel Kroll, disse poucas horas antes do funeral, à rádio RMC: "Todos são bem vindos, sem exceção".

Portugal porto de refúgio — sobreviveu ao Vel d’Hiv e Auschwitz, ao Holocausto

Contrariava assim os líderes da organização dos judeus de França – CRIF e ia mais longe: "Eles estão a ser políticos. Eu, abro o meu coração a todos os que amam a sua mãe, pois sabem do que estou a falar”.

Aos nove anos Mireille e a família encontraram refúgio em Portugal, em 1942, quando 14 mil judeus de Paris foram concentrados no Vel D’Hiv e deportados para Auschwitz donde só regressaram 100. Mireille, depois de uma passagem pelo Canadá, regressou à sua Paris natal em 1945.

Fontes: RFI, Le Figaro. Foto (Le Figaro).

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