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Novo partido “Frente Favela Brasil” será poder em nome dos 112 milhões de favelados = 55% 01 Setembro 2017

O partido ‘Frente Favela Brasil’ deu um grande passo ao formalizar o seu registo, esta quarta-feira 30, junto do Tribunal Federal Eleitoral. O próximo passo será ainda maior: quer eleger diretamente parlamentares negros e moradores das periferias e ser poder.

Novo partido “Frente Favela Brasil” será poder em nome dos 112 milhões de favelados = 55%

O grupo diz pretender angariar votos entre os mais de 112 milhões de habitantes das favelas de todo o Brasil. Os moradores das favelas brasileiras representam c. 55 por cento da população de 207 milhões, segundo o último censo.

O novo partido diz estar além do debate esquerda-direita e afirma a sua inovação política. “Todos fazem política para marginalizado, mas não tem nenhum partido de marginalizado. Queremos falar por nós mesmos”, diz Celso Athayde, co-fundador.

A decisão de criar um novo partido, e recusar convites para integrar movimentos cívicos, partidos já existentes — como o DEM, o PSDB, o PMDB e o PCdoB —, é assim explicada: "A questão central agora não é lutar por direitos, o que os movimentos já fazem, é lutar por poder. Por que poder não pode?", pergunta Athayde.

Querem chegar ao poder, sim

“Nos espaços de poder, são as pessoas que já fazem parte da alta burocracia que falam pelos negros, que falam pela periferia”, diz Wanderson Maia — que se apresenta também como homossexual. Para este jovem de 28 anos, um dos presidentes do novo partido, chegou o momento de ocupar diretamente esses espaços. “É nesse lugar que a gente quer lidar”, afirma.

Maia diz que, apesar de ser inegável que as questões relacionadas com a comunidade negra são preponderantes, no contexto das periferias, o partido promove a inclusão, seja do ponto de vista étnico-racial, seja do ideológico. “Entre esquerda e direita, preto ou branco, permanecemos favela, comunidade, permanecemos periferia.”

E a confirmar o cariz não-excludente do partido, em cada cargo de direção heverá sempre um homem e uma mulher, diz Patrícia Alencar que completa o trio de presidentes.

Esta mulher na presidência do “novo partido novo” defende também uma nova perspetivação de favela: “Quando a favela é olhada, é olhada no lugar de pessoas que não são potentes – estamos olhando com outro olhar, de que somos pessoas extremamente potentes e criativas”.

Criação

A Frente Favela Brasil foi criada há um ano, numa cerimónia que teve lugar na Providência, primeira favela do Brasil, no Rio de Janeiro. Seguiu-se o trabalho para a formalização burocrática e construção de bases. Enfim, obteve o seu registo no TSE nesta quarta-feira.

O partido junta-se agora a mais 56 agremiações que tentam obter 489 mil assinaturas de apoio, número necessário para que possa concorrer às eleições.

A outra condicionante, existência de diretórios em todos os 26 estados e no Distrito Federal (Brasília), já foi alcançado pela Frente Favela Brasil. Segundo Celso Athayde, não deve ser difícil para o partido conseguir as assinaturas necessárias para entrar na disputa para o próximo ciclo eleitoral, que começa em 2018.

“Só de pontos voluntários para coleta de assinaturas, formados por pessoas que nos procuraram voluntariamente para abrir suas casas e comércios para isso, temos 300 mil, em todos os estados”, informa Athayde. Nomes de referência na comunidade periférica, como os rappers MV Bill e Happin Hood, estiveram presentes no ato de registo do partido no TSE, mas não quiseram comentar a possibilidade de se candidatar a algum cargo nas próximas eleições.

Fontes: Agência Brasil. Site ’Frente Favela Brasil’. Notícia relacionada: Brasil tem 207 660 929 habitantes 31 Agosto 2017

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