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Fuga de cérebros cresce em Cabo Verde 24 Agosto 2015

O director-geral das Comunidades diz que é cada vez mais crescente e preocupante o número de estudantes cabo-verdianos que não regressam a Cabo Verde depois de formados para darem o seu contributo no desenvolvimento do país. Francisco Carvalho afirma que em certas áreas, como a medicina, “a situação é mesmo muito crítica”, o que faz de Cabo Verde um país com uma das taxas mais elevadas de fuga de cérebros ao nível da África Subsariana.

Fuga de cérebros cresce em Cabo Verde

O director geral das Comunidades diz que o relatório intitulado "Perfil Migratório de Cabo Verde 2009" - que analisou os estudantes que saíram de Cabo Verde no ano lectivo de 1997/1998 e que deveriam regressar em 2002/2003 - aponta que, no período referido, cerca de 77% dos estudantes que saíram por conta própria não terão regressado ao país. Entre os bolseiros cerca de 45% não regressaram.

“Começa a ser cada vez mais crescente – e preocupante - o número de estudantes cabo-verdianos que não regressam ao país. Em certas áreas, como a medicina, a situação é mesmo muito crítica”, alerta Francisco Carvalho, dizendo ainda que, segundo um estudo intitulado "Is the Brain Drain Good for Africa?", da autoria de William Easterly e Yaw Nyarko, publicado em 2000, Cabo Verde tem uma das taxas mais elevadas de fuga de cérebros ao nível da África subsariana. Cabo Verde (67%) aparece como o maior emissor de cérebros, seguido da Gâmbia (63%).

As razões do não regresso são diversas, assevera Carvalho, que começa por apontar os factores: "Apresentação de excelentes condições de trabalho, tanto em termos de remuneração como de instalações e equipamentos para o exercício da profissão, além de boas possibilidades de carreira, nos países onde estudam. Isto acontece, sobretudo, ao nível das profissões ligadas às ciências da vida como medicina, assim como ao nível das engenharias”.

A incerteza quanto à inserção no mercado de trabalho em Cabo Verde é outro factor a levar em consideração. “Isto porque muitos começam a colocar a possibilidade de regresso na dependência da existência de um contrato laboral concreto. Preferem ficar a desempenhar funções muito abaixo das suas qualificações do que regressar sem a certeza de um contrato concreto”, frisa o director-geral das Comunidades.

Carvalho diz ainda que a falta de familiares directos em Cabo Verde também faz com que os estudantes não regressem. "Por vezes, acontece que quem vai estudar é filho de pais emigrantes e chega e encontra já os seus pais nesse país. Depois de concluir os estudos, já não consideram a possibilidade de voltar”, justifica.

Para aquele responsável, o ingresso em centros de estudos universitários e progresso de carreira de investigador também é outro factor. “Passando de projecto em projecto de investigação, acaba sempre por ficar no país de acolhimento. Entretanto, constitui a respectiva família, nascem filhos e o projecto de retorno é cada vez mais afastado”, constata.

Embora se possa alegar a inexistência de qualquer contrato para o retorno e até mesmo a liberdade individual das pessoas, Francisco Carvalho é peremptório: “Parece-nos que, ética e moralmente, há exigências que se colocam aqui. Pois, julgamos que não se pode perder de vista o enquadramento da atribuição da bolsa como parte de uma política pública para a promoção do desenvolvimento do país”.

Em outras palavras, o estudante formado deve lembrar-se que um Estado faz todo um investimento num indivíduo, proporcionando-lhe todas as condições possíveis para fazer os seus estudos, disponibilizando, inclusive, uma bolsa de estudos para frequentar o ensino superior no estrangeiro. Se no fim o indivíduo opta por fixar residência no exterior, "não estará disponibilizando nenhum retorno em relação ao investimento que o Estado fez nele”, considera.

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