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Governo anuncia plano de reestruturação da TACV: Abandono de ligações inter-ilhas e privatização a caminho 24 Maio 2017

O governo, através do ministro da Economia e Emprego, anunciou, nesta terça-feira, 23, o plano de curto prazo para reestruturar e privatizar a TACV, aprovado no último Conselho de Ministros. Como consequência, a companhia de bandeira vai deixar de operar nas ligações inter-ilhas a partir de 01 agosto próximo – trata-se do primeiro passo para o estado abandonar a campanha até que seja privatizada.

Governo anuncia plano de reestruturação da TACV: Abandono de ligações inter-ilhas e privatização a caminho

«A TACV, enquanto empresa, permanece em operação. A partir de 01 de agosto, a prestação de serviço público no mercado de aviação doméstico será descontinuada. A ligação aérea entre as ilhas será assegurada pela Binter Cabo Verde», anunciou o ministro José Gonçalves em conferência de imprensa realizada na Praia.

O governante asseverou que o segmento internacional da TACV também permanece e será reestruturado com a participação e gestão de um parceiro estratégico, que poderá ser convidado a assumir o risco de investir na empresa, no âmbito do quadro da privatização que vier a ser definido e aprovado pelo Governo. Informou ainda que a negócio de Manutenção e Engenharia (MRO) será reestruturado com a participação e gestão de um parceiro estratégico, que poderá vir a investir no âmbito do quadro da privatização que vier a ser definido e aprovado pelo Governo da República, envolvendo a participação dos trabalhadores.

O titular da pasta de Economia Emprego fundamentou que as medidas apresentadas trarão consequências benéficas para o quadro financeiro da atual governação e, consequentemente, para toda a população cabo-verdiana. «Tudo será feito com total transparência e responsabilidade e com o pensamento voltado exclusivamente para o desenvolvimento económico e social de Cabo Verde, mas sem esquecer aqueles que dedicaram uma vida de trabalho à Companhia», destacou.

Para José Gonçalves, com a privatização da TACV espera-se que Cabo Verde venha a ser um ponto estratégico de operações áreas no Atlântico. «Com a reestruturação e privatização da TACV, o Governo pretende que Cabo Verde venha a tornar-se um ponto estratégico de operações aéreas no Atlântico, ampliando o seu protagonismo em África e atraindo mais investimentos que trarão mais bem-estar a todo o nosso povo».

Mais de 11 milhões de dívidas

O governo justificou que diante da já conhecida crise financeira da TACV e mesmo com os esforços empenhados no sentido de minimizar essa situação, ficou inevitável avançar noutro sentido, que não seja o de acelerar o plano de reestruturação e privatização da companhia de bandeira.
«Há pelo menos 10 anos, as dívidas da empresa com os credores vinham crescendo de forma exponencial, superior a 11 milhões de contos cabo-verdianos – ou seja, mais de 100 milhões de Euros em 2015», avançou o ministro da Economia e Emprego.

Gonçalves precisou que várias são as razões que contribuíram para que a empresa chegasse a tal situação. Citou as interferências sistemáticas do Governo na gestão da empresa, decisões equivocadas das suas administrações relativamente à sua reestruturação e política comercial inadequada.

Prejuízo com os ATRs

Mas as críticas não ficam por aí. José Gonçalves referiu ainda aquilo que considera ser a incapacidade do governo anterior em gerir uma empresa que outrora fora orgulho nacional. Neste particular, destacou o fracasso na operação de venda dos seus ATRs em 2014 e 2015 para poder pagar as suas dívidas (disse que hoje esses aviões seriam 100% propriedade da TACV), para de seguida os retomar em forma de leasing a rendas mensais proibitivas, ou seja, muito acima do preço do mercado. «Relativamente a esse caso, a TACV vem pagando renda de um avião, que não está a operar desde 2013», conclui o ministro da Economia e Emprego.

Contamos retomar essa matéria com as posições do maior partido da oposição (PAICV) e das centrais sindicais sobre as medidas governamentais anunciadas, que abrem o caminho para «um adeus à TACV, enquanto companhia pública de bandeira».

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