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Cabo Verde e inclusão social: Mais de 170 mil cabo-verdianos vivem na pobreza 11 Novembro 2017

Cabo Verde encontra-se numa situação dramática com um terço da sua população estimada em mais de 500 mil habitantes a viver na pobreza. O Governo da República confirma informação, mas manifestou-se determinado em trabalhar para mitigar a pobreza no país, onde, segundo indicou, ainda vivem cerca de 180 mil cabo-verdianos nestas condições, enquanto outros 50 mil encontram-se na pobreza absoluta. O repto foi lançado pelo ministro das Finanças, Olavo Correia, no final de uma visita de três dias à ilha do Sal.

Cabo Verde e inclusão  social:  Mais de 170 mil cabo-verdianos vivem na pobreza

O fenómeno pobreza volta à agenda política nacional esta semana. O assunto traz à ribalta a problemática da distribuição da riqueza do país - a pequena elite vive numa boa, mas a grande maioria dos cabo-verdianos continua em situação difícil, principalmente no meio urbano, onde, segundo dados do INECV, abunda o desemprego, afectando principalmente a camada jovem e as mulheres - são já visíveis pessoas que passam por privações diversas, alguns vivendo do que catam nas lixeiras.

Conforme a conclusão do III Inquérito às Despesas e Receitas Familiares do Instituto Nacional de Estatística referente ao período entre 2014-2015, a população pobre, em Cabo Verde, é de 179.184 pessoas. Revela o relatório que 53% dos pobres são mulheres, que residem em meios urbanos. A maioria está na ilha de Santiago (58%) e 21% dos pobres reside na cidade da Praia. E 44% das famílias consideradas pobres são monoparentais e 61% vive em agregados familiares com mais de seis pessoas.

Segundo a mesma fonte, os valores da pobreza em Cabo Verde diminuíram em relação a 2007 e a 2002 – quando a pobreza atingia valores de 46,4% (2007) e de 57,5% (2002). Quanto à pobreza extrema, a tendência é também de decréscimo. Ainda assim, o INECV avança que 10,6% das pessoas declaradas como pobres vivem numa situação de pobreza extrema.

Na sua recente visita ao Sal, o Ministro das Finanças das Fianças albardou o fenómeno em causa, tendo apresentado as principais preocupantes do actual Governo nesse sentido. Olavo Correia, que esteve na ilha para participar no Seminário do Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank) , aproveitou a ocasião para também fazer a apresentação do Plano Estratégico do Desenvolvimento Sustentável (PEDS 2017-2021), à classe empresarial local.

“Cabo Verde tem 35 por cento da sua população na pobreza. Só estes dados devem significar uma enorme responsabilidade para quem tem poder de mudar o quadro de vida desses cabo-verdianos e construir um país melhor”, ponderou o titular da pasta das Finanças.

Olavo Correia refere, entretanto, que esta realidade é, neste momento, mais preocupante no mundo rural do que no urbano, sobretudo este ano que o país enfrenta um período de seca abrangente a todas as ilhas do arquipélago.

“Isso representa um enorme desafio do ponto de vista da Administração do Estado para acudir as populações pobres que vivem no mundo rural e que hoje são confrontados com um desafio enorme que tem a ver com a seca”, disse.

Perante o cenário referido, fazendo fé que Cabo Verde poderá reduzir o seu índice de pobreza, Olavo Correia afiança que o Governo está determinado a trabalhar para que assim seja.

“Temos todas as condições para que isso aconteça. Depende de nós, de uma visão conjunta, partilhada. O que nós queremos é servir o nosso país para que todos tenham uma vida decente e possam viver melhor em cada parte do país e também na diáspora”, frisou.

Desafios e turismo inclusivo

Instado, todavia, de que jeito será possível debelar a situação, Olavo Correia explica que o Governo está a trabalhar “visando um turismo inclusivo”, apoiando, desde logo, as micro, pequenas e médias empresas, a montante e a jusante para o sector.

“Estamos a criar novos mecanismos de financiamento, o apoio empresarial ao nível do “coutching” (formação) para que os cabo-verdianos possam também assumir um papel cada vez mais crescente”, sublinhou, referindo que é “importante” continuar a atrair investimentos estrangeiros, mas também, essencial, uma classe empresarial endógena, forte, capaz e competitiva.

Segundo o titular da pasta das Finanças o Estado “está” a criar essas condições ao mesmo tempo a investir em matéria de requalificação urbana, habitação social, entre outros sectores.

“Criar as condições para que o turismo seja inclusivo e todos possam participar nesse processo. E, não seja apenas um fenómeno que afete alguns e não a todos, ao nível da ilha ou do país. Penso que é um enorme desafio que temos pela frente, mas que saberemos vencê-lo”, enfatizou o governante. C/inforpress

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