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Guardas prisionais denuunciam indícios de irregularidades na gestão da Cadeia de São Filipe 29 Mar�o 2017

Guardas prisionais acusam o director da Cadeia de São Filipe, Fogo, de má gestão e pedem uma auditoria naquele estabelecimento prisional. Em causa estão indícios de falta de transparência no comércio dos produtos da horta e cantina da mesma institiuiçao - acusam o director interino de alegadamente desviar parte dos produtos hortícolas e alimentares para benefício próprio. Contactado por este diário digital, o responsável provisório deste estabelecimento, José Montrond, alega que tudo não passa de “sussurros sem fundamentos”, por considerar que a direcção da cadeia não registou qualquer reclamação relacionada com o seu funcionamento.

Guardas prisionais denuunciam indícios de irregularidades na gestão da Cadeia de São Filipe

As fontes, que pediram anonimato, avançam que os trabalhadores da cadeia do Fogo exigem melhor controlo dos produtos hortícolas e dos da cantina local. “Parte significativa dos produtos da horta criada pela própria cadeia e dos lucros da cantina interna é supostamente desviada para benefícios próprios. Aliás, há indicios fortes que grande quantidade de couve, repolho, tomate, cebola e cenoura que a nossa horta produz está sendo desviada para a casa do director e do chefe mestria desta prisão. Por isso, exigimos que seja feita uma auditoria junto deste estabelecimento, para que sejam apurados os factos e responsabilidades”, requerem.

Mas, mais: as mesma fontes denunciam que, nestes últimos tempos, a Cadeia de São Filipe teve em stock alguns artigos e produtos doados pela FICASE - nomeadamente arroz, óleo, entre outros -, que, segundo sustenta, foram também presumivelmente desviados à Casa dos Velhos e ao Hospital Regional de São Filipe, sem que a Direcção prisonal prestasse qualquer cavaco, “o que tem deixado os tralhadores estupefactos”, apontam.

Conforme informações recolhidas junto dos trabalhadores, há alguns anos que os guardas prisionais vêm reclamando destas situações junto da Direcção – Geral dos Serviços Penitenciários e da Reinserção Social (DGSPRS), sem que, nenhuma medida fosse tomada. “Se não tomarem as devidas providências, o quanto antes, a decadência desta unidade prisional será inevitável, até porque ninguém presta conta connosco sobre os lucros das produções hortícolas e dos produtos vendidos na nossa cantina”, protesta uma das nossas fontes.

Mas as criticas não ficam por aqui. A mesma fonte diz que aquele estabelecimento tem a necessidade de reforçar o seu efectivo. Segundo apurou o asemanaonline, a Cadeia da “Betânia” conta, actualmente, com sete agentes prisionais, que têm de trabalhar nas suas folgas para garantir o normal funcionamento do estabelecimento. Sobre esta matéria, Montrond garante que não conhece um rácio nacional que estabeleça o controlo de reclusos para cada guarda prisional e que o estabelecimento tem funcionado sem sobressaltos.

Director interino refuta as acusações

Reagindo às acusações, o director interino da Cadeia Civil de São Filipe começa por classificar as críticas de infundadas. “Apesar de existirem sete agentes para 65 reclusos, temos feito um excelente trabalho. Há bem pouco tempo fizemos uma reunião com todos os funcionários locais, mas nenhum dos agentes expuseram questões, nem apresentaram críticas ou pedidos de esclarecimentos sobre o desequilíbrio ou funcionamento do nosso estabelecimento prisional, aqui em São Filipe”, expõe, Jose Montrond, deixando claro que existe «um bom relacionamento entre a Direcção da Cadeia, os agentes de segurança prisional e os próprios reclusos e seus familiares».

Em relação à produção hortícola, este responsável esclarece que a intenção nunca será de dar lucros, mas sim diminuir os custos com a alimentação e melhorar a dieta alimentar dos reclusos. “Quando há excedentes de produtos hortícolas, normalmente apoiamos às instituições que colaboram com a cadeia, nomeadamente Hospital Regional de São Filipe, Casa dos Velhos e não só, vendemos ao público para cobrir outras despesas relacionadas com o funcionamento da Cadeia e obtenção de outros produtos para melhoramento da nossa dieta alimentar”, esclarece.

Quanto à cantina, explica que “se antes tinha como referência o lucro, a actual gestão optou, como manda a lei, por apenas colocar alguns produtos que os reclusos mais necessitam, num preço não superior ao mercado e que esteja ao alcance dos seus bolsos”, conclui o director internino, para quem tudo não passa de “sussurros sem fundamentos” por parte de alguns guardas prisionais.

Celso Lobo

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