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Guiné-Bissau: Desflorestação ilegal movimenta esquema milionário 03 Julho 2014

Um milionário esquema de desflorestação na Guiné-Bissau tomou proporções alarmantes nos últimos três anos, sobretudo, após o golpe militar de Abril de 2012. A ilegalidade do governo, até então instaurado no país, teria encorajado militares a dar início a um processo de corte desenfreado de madeira, para enriquecimento fácil. Daí o intenso ritmo para extracção e escoamento de troncos antes das eleições de Abril e Maio que deram a retomada da constitucionalidade do poder na Guiné-Bissau, com a eleição e posse de José Mário Vaz.

Guiné-Bissau: Desflorestação ilegal movimenta esquema milionário

Em 2013, 409 contentores abarrotados de madeira nacional saíram do porto da Guiné-Bissau, sobretudo com destino a China. Em 2010, este número não passava de 15 contentores, ou seja, uma alta vertiginosa de 272%. O principal alvo deste negócio milionário é o Pau de Sangue - uma árvore de grande porte, que pode chegar a 30 metros de altura. Cada contentor com troncos desta árvore chega a custar o equivalente a 17,7 mil euros.

Muitos grupos de extractores surgem nas tabancas do país com alegadas licenças de corte e muitos evitam falar sobre assunto com medo de represálias. A desflorestação é considerada criminosa pelas comunidades no interior do país, daí o receio da população local em depor.

Ao contrário de outras regiões, onde os extractores de Conacry e da Gâmbia são identificados em trabalhos, por exemplo, em Cossé, a 150 quilómetros de Bissau, moradores falam em mão de obra guineense. "Eles dizem que já falaram com a Guarda Nacional e chegam com documentos, mas nós resistimos. Se autoridades de alto nível vierem aqui, aí vamos respeitar”, explica o chefe de uma tabanca de Cossé. Os extractores subornam ainda a população oferecendo cerca de 75 euros para cada comunidade.

Sem reacção

Como os responsáveis pela desflorestação apresentam documentos, os moradores não reagem. Os extractores vão directamente aos chefes das tabancas, e os delegados florestais das regiões - que por exigência legal, deveriam acompanhar o derrube das árvores - não aparecem.

Um agricultor local chegou a pedir ajuda “porque seu futuro está em causa. Se levarem todas as árvores para China, qual será o futuro dos nossos filhos”?, pergunta. Os agricultores acreditam que a consequência do corte das árvores é a falta de chuva.

Falta de chuva

No Norte do país, a devastação se repete. A 70 quilómetros de Bissau, na região de Oio, os agricultores protestam: "Nós consideramos lamentável a forma como está sendo realizado o corte das árvores nas florestas”. Segundo o agricultor, até 40 contentores por dia são carregados.

Protestos silenciados

Apesar da resistência anunciada pela comunidade, membros das tabancas afirmam que estão sendo ameaçados para não comentar o assunto. Em rodovias do país, no centro norte do país ainda é possível encontrar contentores nos acostamentos. No centro de Bissau, os camiões fazem fila para deixar contentores no navio. Os troncos das árvores não ficam à mostra, mas o cheiro do produto pode ser sentido ao longo da Avenida Amílcar Cabral.

Hoje em dia, quem quer cortar madeira na Guiné-Bissau pode alugar uma licença. Fontes da DW disseram que é necessário pagar uma quantia para o dono da licença e também pagar os cortadores no mato para participar do negócio. Dois contentores cheios de troncos das espécies traficadas podem custar até 11,4 mil euros. O deslocamento até o porto pode valer quase o dobro. “Se conseguir exportar é muito mais dinheiro”, explica uma fonte.

O embaixador da China na Guiné-Bissau, Yan Banghua, por sua vez disse que a China não vai fazer negócios ilegais com o país africano. “Temos que respeitar todas as leis e regras vigentes neste país. Sempre mantemos boa cooperação com o governo, com as autoridades e com este povo para trabalharmos juntos”.

A mídia guineense calou-se com medo de represálias. Alguns cidadãos, no entanto, recolheram informações e lançaram no fim de Março um panfleto anónimo sobre a desflorestação ilegal de troncos.

Bárbara Camargo c/informações da DW

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