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História de Cabo Verde desperta interesse nos EUA 16 Janeiro 2016

Com quase três séculos de emigração para os Estados Unidos, os cabo-verdianos constituem uma das mais sólidas comunidades na América do Norte, com uma longa tradição ligada à sua história e cultura. O crioulo foi uma das primeiras línguas estrangeiras a ser ensinada nas escolas americanas, em especial no Estado de Massachusetts. E a origem da imigração cabo-verdiana nos Estados Unidos tem ligação directa a uma importante etapa da história americana: a pesca da baleia no Atlântico. Com várias gerações de descendentes, que se destacam nos mais diversos campos da vida política, social, económica, associativa, cultural, aumenta, cada vez mais, o interesse pela história das ilhas e sua cultura.

História de Cabo Verde desperta interesse nos EUA

A língua cabo-verdiana, o crioulo, a história, a obra e vida de Amílcar Cabral, a imigração, a cultura, são alguns dos muitos temas que levam descendentes de cabo-verdianos e americanos ao museu, sito na cidade de Providence, Rhode Island, em busca de informações sobre o arquipélago e os primeiros imigrantes.
O Cape Verdean Museum Exhibit, instituição privada criada em 2005 por cabo-verdianos e descendentes e o único nesse país exclusivamente dedicado ao arquipélago. “Criámos o museu para contarmos a nossa história, da nossa maneira e como a vemos, na nossa óptica”, explica a professora e investigadora Virgínia Gonsalves, a impulsionadora da iniciativa.
Ivonne Smart, filha de cabo-verdianos nascida nos EUA e voluntária no museu, revela que pessoas de 32 nacionalidades e de quase todos os Estados americanos já passaram pelo local, cujo acervo cresce graças às doações, "desde uma carta a uma escultura, tudo serve". Estudantes de todos os níveis de ensino, professores, investigadores e descendentes que querem conhecer as suas origens procuram o museu”, que funciona também de forma gratuita.
Curioso, "ou talvez não", como explica Virgínia Gonsalves, nascida Gonçalves na ilha Brava, é que o Cape Verdean Museum Exhibit é mais visitado por americanos do que por cabo-verdianos."Os cabo-verdianos, principalmente os que emigraram, não conheciam museus e não têm este hábito”, justifica a professora.
A emigração das ilhas para os Estados Unidos começou nos meados do século 18, com a pesca da baleia. Os baleeiros americanos iam pelo Atlântico Sul e paravam em Cabo Verde para se abastecerem de água e alguma comida.No regresso traziam muitos cabo-verdianos conhecidos por serem bons marinheiros. O maior museu da baleia do mundo, o Whaling Museum, está na cidade de New Bedford, onde a comunidade cabo-verdiana se concentrou há mais de dois séculos.
Neste museu, "está também grande parte da história de Cabo Verde", como diz Carlos Almeida, professor universitário e um dos conselheiros académicos do Whaling Museum. “Pode-se conhecer a história da emigração para os Estados Unidos, tanto de cabo-verdianos como de açorianos através dos materiais que o museu possui e de exposições, como agora, em que temos uma sobre marinheiros daqueles dois arquipélagos”, explica Almeida.
O director do Whaling Museum, James Russel, destaca a importância dos "marinheiros cabo-verdianos, não só na faina da pesca da baleia, mas também na construção de uma cidade multicultural, ao trazer a sua cultura, música, gastronomia e calor humano". Além de receber muitos eventos da comunidade cabo-verdiana, o museu tem um estreita cooperação com o Ministério da Cultura de Cabo Verde, com o qual trabalha neste momento na criação do Museu do Mar em São Vicente.

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