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Hotel Odjo d´Água investe para produzir 30% de energias limpas 26 Setembro 2016

O Hotel Odjo D´Água, na ilha do Sal, tido como um dos empreendimentos mais emblemáticos da cidade turística de Santa Maria, está a investir forte em energias limpas. Ao Cifrão, António “Patone” Lobo explicou que a ideia é utilizar a energia solar para produzir electricidade e água quente para garantir o funcionamento do empreendimento. O empresário anuncia a montagem de um sistema de reciclagem de águas usadas, em que vai aproveitar à volta de 90 % do consumo do hotel – perder-se-á apenas 10 por cento da água utilizada.

Hotel Odjo d´Água investe para produzir 30% de energias limpas

Em relação à Central de Reciclagem de Águas Usadas, Patone assegura que é garantida através de um sistema – francês e já testado em outros grandes empreendimentos turísticos – em que a água reutilizada vai regar o jardim e as plantações de tamareiras ao longo da praia. “Utilizamos o sistema de rega gota-a-gota para garantir a humidade necessária às tamareiras, o que vai permitir-nos aumentar significativamente a área arborizada. Os ganhos são significativos para o empreendimento, porque melhoramos a paisagem da praia e não precisamos aumentar os gastos com a água. Por outro lado, em Santa Maria ainda se usa o sistema de fossas, o que seria impensável para um hotel como o Odjo d´Água”.

É que, de acordo com este nosso entrevistado, utilizar o sistema de fossas num empreendimento turístico exigiria que estas fossem esvaziadas pelo menos uma vez por semana, o que se traduziria em mais gastos para o hotel. Isso sem contar com o impacto ambiental desta decisão, que acaba por ser maior com a plantação, que até ao momento abrange mais de 40 tamareiras. “A nossa ideia é aumentar a plantação de tamareiras desde o hotel até ao Pontão de Santa Maria. Mas infelizmente a Câmara Municipal mandou suspender o processo, sem que desse nenhuma explicação. Água temos em quantidade. Diariamente, reciclamos, em média, 30 toneladas de água”.

Para conseguir estes resultados, o sócio-gerente de Odjo d’Água explica que investiu à volta de cinco mil contos e o retorno foi quase imediato. Quanto à central solar de aquecimento, o processo foi em tudo similar. Foi construído um depósito com capacidade para 18 toneladas de água, que poderá ser aquecida com recurso à energia solar até 70 graus. “Temos sempre oito toneladas de água quente para os quartos, lavandaria e cozinha. Começámos com um depósito pequeno, de apenas duas toneladas, mas à medida que fomos aumentando o número de quartos, também cresceu a nossa capacidade de resposta”, explica o gestor realçando que a actual oferta do Odjo D´Agua é, entre suites e quartos, de um total de 49 unidades de alojamento, com capacidade para 114 pessoas em simultâneo.

Neste projecto, investiu-se, na primeira fase que já está concluída, à volta de nove mil contos. Um investimento que Patone espera recuperar em três máximo quatro anos. A segunda fase, que deverá custar entre seis e sete mil contos, deverá arrancar nos primeiros meses de 2017. A ideia é garantir que 30% do consumo total do hotel seja assegurado pela energia solar. “Em teoria, temos actualmente uma produção de 45 KW de energia. Na primeira fase montámos 150 painéis solares. Na segunda fase iremos montar mais 130 painéis. Vamos ver depois os resultados na prática”, aponta.

Lembra este empresário que o hotel no seu início tinha apenas 10 quartos. Foi por incentivo dos familiares, amigos e dos próprios clientes que gostavam do ambiente acolhedor, que Patone veio a adquirir o espaço da antiga dessalinizadora de água de Santa Maria, o que permitiu quadruplicar a capacidade do hotel.

Ultrapassada a fase de expansão, chega agora a qualificação ambiental através das energias limpas. “O Odjo D´Agua é um dos poucos hotéis no país que está a colocar em prática as preocupações ambientais. Os equipamentos são alemães e têm uma garantia de 25 anos. Entretanto, o investimento é recuperado em apenas quatro anos, o que significa que temos 20 anos de lucro. Espero baixar o custo de funcionamento com a produção de 30 por cento de energias limpas”, completa.

Feitas as contas, Patone prognostica que, ao concluir estes investimentos, a factura de consumo de água e energia no hotel Odjo d´Agua deverá sofrer uma redução à volta de 300 contos mensais. Ou seja, o empreendimento está a apostar fortemente nas energias limpas para um ambiente saudável, trabalhando com a sua central de reciclagem das águas usadas para 150 pessoas, a sua central solar de aquecimento de oito toneladas de água para os quartos, lavandaria e cozinha, e com a central de energia fotovoltaica com uma capacidade para 45kw hora.

Por: Constânça de Pina

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