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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Hotel Terra Lodge recebe primeiros hóspedes 31 Outubro 2016

O Hotel Terra Lodge em São Vicente já recebeu os seus primeiros hóspedes. Empreendimento turístico com “história e alma”, que preserva a “bonita arquitectura” da antiga casa da família Marques, está totalmente integrado na comunidade de Alto Solarine. Mas esta opção de turismo sustentável custa caro. São, entre a compra da casa e a sua ampliação, mais de 60 mil contos investidos.

Hotel Terra Lodge recebe primeiros hóspedes

Entusiasmado, o promotor deste empreendimento sui generis, Théo Lautrey, explica que chegou em Cabo Verde para trabalhar com o turismo de montanha e fundou a agência «No Bai”, que envia turistas para as ilhas do Fogo, Santo Antão e São Nicolau. Mas, ressalva, sempre admirou a arquitectura da casa da família Marques.

Com a morte da matriarca da família, Dona Lilica, cujo marido trabalhou em tempos idos no ex-Telégrafo, os herdeiros colocaram a residência à venda. “A família recebeu várias propostas, mas priorizou a minha, inclusive aceitou baixar o preço inicialmente estabelecido, porque queriam vender a propriedade para alguém que iria preservar a arquitectura da casa, que é muito bonita”, explica.

Adepto de turismo sustentável e defensor acérrimo do património histórico da cidade do Mindelo, Théo Lautrey associou-se ao gabinete de arquitectura “Ramos e Castellano” para fazer um projecto sustentável e integrado na comunidade. Isto por considerar que “Cabo Verde não pode ter a pretensão de competir a nível do turismo com as grandes metrópoles europeias, com grandes empreendimentos, bonitos e grandiosos, mas sem história e sem alma. Deve sim apostar no genuíno”.

Com este entendimento, a casa foi transformada em escritório da agência “No Bai” e na parte traseira, onde havia um grande quintal, foi construído um hotel de charme com 12 quartos, que segue a filosofia “lodge” muito em voga na África. Trata-se, no fundo, de fazer a integração entre o alojamento e o seu natural ambiente envolvente. “O hotel não oferece luxo. Por exemplo, não temos ar condicionado. Optamos por um sistema de ventilação natural que faz com que os quartos estejam sempre frescos em qualquer época do ano. Também não temos televisão, porque os nossos hóspedes não vieram da Europa para ver TV – querem conhecer e ver o que a cidade do Mindelo pode oferecer-lhes de novo”, explica.

O empreendimento é autónomo em termos de energia, que é 100% renovável. Também pretende reutilizar a água para regar os jardins. Os móveis são de madeira rústica, assim como as portas, escadas e outras dependências. “O nosso hotel está direccionado para clientes que estão dispostos a pagar para disfrutar férias num ambiente onde a preocupação ambiental é visível. Entusiasmo com o mobiliário rústico, que foi desenhado e confeccionado em S. Vicente. Muitos dos materiais foram reaproveitados. Os candeeiros foram feitos na Oficina Lizardo”, declara este investidor, que se diz satisfeito por ganhar e gastar dinheiro na ilha.

A clientela será sustentada pela agência de Théo, que já trabalha com algumas residenciais e pensões da ilha. Entretanto este tranquiliza que não vai fazer concorrência porque trabalha com um público específico. Acredita que o retorno é garantido. Mas garante que o investimento na compra da casa para sediar a agência já mostrou que vale a pena. “O hotel é um projecto à parte, mas muito acarinhado, por ser muito artesanal”.

Constânça de Pina

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