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Ilha do Fogo desperta para o turismo rural 10 Julho 2014

A ilha do Fogo é cada vez mais procurada para o turismo rural, graças às suas características naturais que proporcionam actividades de montanha e de campo envolvendo o vulcão, os vinhos e o café. As festas de romaria e a música tradicional também atraem muitos turistas. No entanto há ainda muitos obstáculos a vencer como a escassez de mão-de-obra qualificada e de transporte aéreo.

Por: Nicolau Centeio

Ilha do Fogo desperta para o turismo rural

Para os operadores turísticos, o Fogo tem excelentes condições para o turismo rural mas ainda não conseguiu atrair muitas pessoas adeptas deste género. No ano de 2013, registou a entrada de 9.947 turistas, correspondendo a um decréscimo de 9% face ao ano de 2012. Inglaterra e França são os países de onde provêm a maioria.

Para este ano, a perspectiva é de que aumentará o número de turistas atraídos pela natureza campestre da ilha. Mais de 90% dos que lá vão escolhem visitar as zonas rurais. Chã das Caldeiras e o seu imponente vulcão é um dos destinos preferidos. Mas há outros pontos de interesse turístico.

A cidade de São Filipe, com a sua ainda bem conservada arquitectura colonial e os Mosteiros, Monte Velha, Bordeira do Parque Natural e a estância balnear de Salinas - que atrai muitos amantes de mergulho e de pesca submarina por causa da sua grande piscina natural - são os ex-libris da ilha.

Em Chã das Caldeiras, os moradores investem cada vez mais em espaços destinados aos turistas, propondo-lhes viver o quotidiano local, a cultura e a tradição daquela comunidade. “O sector turístico melhorou as condições de empregabilidade, contribuindo para a redução da pobreza e, consequentemente para a melhoria das condições de vida das populações”, opina Amarisa Lopes, proprietária de um dos espaços turísticos naquela região.

Na mesma senda, Fátima Louro, directora da agência de viagens e turismo Qualitur, declara que “é notável” o crescimento do turismo rural no Fogo. “Quando optam pelo Fogo os turistas vêm à procura de sítios rurais, desejosos de desafiar a natureza, percorrendo trilhas a pé para conhecer os atractivos naturais”, afirma. Cientes disso, os operadores turísticos apostam cada vez mais neste tipo de turismo.

Para Fátima Louro, a ilha dispõe de todas as condições para desenvolver o turismo rural. Mas para isso “é preciso criar condições e adaptar-se às novas preferências e exigências. Diversificando as ofertas e também consciencializando a população do meio rural, de modo a aprender a tirar proveito da natureza, sem descaracterizá-la e preservando os recursos naturais”, considera a directora da Qualitur.

Helga Amado, guia turística, também acredita num futuro promissor do turismo rural. Ainda que insípido por agora, este tipo de turismo já imprimiu nova dinâmica económica à ilha, sobretudo ao meio rural, defende a guia: “Os visitantes procuram saber o diferencial que marca esta ilha. O vulcão, a gastronomia, a cultura musical, além das bonitas paisagens”.

Constrangimentos

O crescimento do turismo rural no Fogo poderia ser maior. Potencial turístico, como já se viu, não falta. Mas há carência de infra-estruturas em algumas zonas. Em Chã das Caldeiras, onde estão os espaços turísticos, os constrangimentos são outros: falta luz e água e os caminhos vicinais para subir o vulcão são deficientes.

Amarisa Lopes, proprietária de uma dessas infra-estruturas, defende que Chã das Caldeiras e toda a ilha do Fogo precisa de inovar e capacitar a sua mão-de-obra para melhor receber os turistas. Já para Fátima Louro, um dos maiores constrangimentos é o défice no sector dos transportes aéreos. As ligações são escassas e constrangem aqueles que, por exemplo, querem fazer visitas curtas à ilha.

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