POLÍTICA

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Incidente diplomático com Israel: PAICV denuncia que a política externa de Cabo Verde anda à deriva 12 Agosto 2017

«Em matéria diplomática e de política externa, Cabo Verde parece andar à deriva». Esta é forma como o vice-presidente do PAICV, Rui Semedo, reagiu hoje (11), em conferência de Imprensa realizada na Praia, às declarações do Governo e do Presidente da República sobre o recente caso de incidente diplomático entre Cabo Verde e Israel.

Incidente diplomático com Israel: PAICV denuncia que a política externa de Cabo Verde anda à deriva

Em causa está a polémica surgida com as informações que, nos últimos dias circularam, nos meios de comunicação social e nas redes sociais, segundo as quais o Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu escreveu, na sua conta no Twitter, que o Presidente de República Jorge Carlos Fonseca o garantiu que Cabo Verde teria declarado apoio total a Israel em sede das Nações Unidas.

Para Rui Semedo, este é mais um caso que veio a juntar-se aos demais episódios de desarticulação, de desencontros e de desacertos – entre o PR e Governo - para um curto período de governação de Ulisses Correia e Silva. « Não se acertou na substituição apressada, precipitada e irresponsável dos diplomatas, não se acertou na questão da isenção unilateral de vistos, não se acertou com relação às polémicas declarações do Ministro da Cultura sobre um outro país membro da CPLP (Guiné Equatorial), não se acertou com relação a indicação de embaixadores políticos que pareceu, aos olhos de todos, mais como um prémio de que a priorização dos interesses nacionais».

Referindo-se ao modo como deve o nosso pais relacionar-se com o mundo, Semedo faz questão de realçar que, para o PAICV, a diplomacia e a Política Externa de Cabo Verde exigem responsabilidade, maturidade, bom senso, dignidade e coerência para se continuar a investir nas bases da construção de confiança e a sedimentar e preservar as conquistas no capital de credibilidade. « O PAICV entende que a esfera da política externa deve continuar a ser um eixo estratégico consensual para alavancar o desenvolvimento sustentável de Cabo Verde baseado sempre na independência de pensamento, na coerência dos princípios constitucionais, no pragmatismo, na estabilidade e na defesa dos superiores interesses desta Nação Global, que é Cabo Verde».

Post Netanyahu e reacções tardias de Cabo Verde

Detendo-se sobre os esclarecimentos oficias sobre o caso em apreço, Rui Semedo critica que houve reacções tardias tanto por parte do Chefe do Estado como por parte do Governo de Cabo Verde ao post do Primeiro-ministro de Israel. « As reacções tardias das autoridades nacionais fizeram acreditar que este fumo deveria estar a ser alimentado por um fogo real, embora camuflado e escondido dos cabo-verdianos».

Ainda assim, o político considera que a declaração do Presidente da República, embora tardia, veio pelo menos tranquilizar os espíritos dos cidadãos destas ilhas, com o desmentido do seu envolvimento nesta novela, que fez correr muita tinta e colocou Cabo Verde na boca do mundo pelas piores razões. « Este desmentido à afirmação do Primeiro-Ministro de Israel, se, por um lado, nos tranquiliza a todos, por outro lado, poderá ter criado e aberto um incidente com este país que, à luz desta afirmação, está a ser liderado por alguém que lida mal com a verdade».

Semedo considera que o PR, para além de retirar o seu corpo, de mansinho, desta tempestade, lavou as suas mãos e passou a bola ao Governo de Cabo Verde, que é responsável, à luz da Constituição da República, pela política externa. «Mas o Governo, para a surpresa de todos, ao invés de assumir, de imediato e sem titubear, que não tinha nada a ver com este dossier e que se trata de uma inverdade, optou por atacar a todos que reagiram com indignação a esta decisão e, para não variar, dirigindo-se com fúria em relação ao PAICV, que parece ser eleito inimigo de estimação e saco de pancada do partido no Poder», criticou.

Governo e ofensa a pessoas

O vice-presidente do PAICV adverte que o comunicado do Governo, assumindo particamente a posição de apoio a Israel, não fez mais do que uma tentativa de desvio da atenção do essencial, de uma descarada desresponsabilização, de retirar o foco da questão do Governo e de responsabilizar os outros - sempre os outros. « Hoje, depois de esgotados os mecanismos de fuga aos jornalistas, depois do desastroso comunicado, aparece o Ministro dos Negócios Estrangeiros para nos dizer que afinal não há compromisso nenhum e que Cabo Verde continua a ter voz própria e a respeitar as decisões das Nações Unidas».

Rui Semedo critica que o desmentido de hoje fica, contudo, ensombrado com o comunicado governamental de ontem (10), que ofende, injustificadamente, as pessoas, chamando-as de “desavisados e boiada de serviço”, poupando, contudo, o “touro internacional” que despoletou esta espécie de hecatombe diplomática.

«Quem precisa ofender os outros, desta forma, para desmentir um facto simples, demonstra, no mínimo, não estar de consciência tranquila e ter escondido algo que não quer compartilhar com os cabo-verdianos», conclui o vice-presidente do PAICV, para quem neste cartório da consciência dos nossos governantes, parece existir muita culpa encapotada difícil de disfarçar.

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