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Interatlântico e MC unem-se para financiar projectos culturais 22 Mar�o 2015

O Interatlântico e o Ministério da Cultura, através do Banco da Cultura, rubricaram este sábado, 21, um protocolo de parceria que contempla a abertura de uma linha de crédito para financiar projectos que se enquadrem na promoção do sector. As partes mostram-se satisfeitas com este passo. O Banco da Cultura passa a dispor de recursos para atender à demanda e o Banco Interatlântico ganha publicidade e a possibilidade de angariar novos negócios que giram à volta da cultura.

Interatlântico e MC unem-se para financiar projectos culturais

O objectivo maior deste protocolo é criar linhas de crédito para atender os pedidos e projectos submetidos ao Banco da Cultura para financiamento. O presidente desta instituição, António Carlos Horta, explica que este é o terceiro protocolo que assina com bancos comerciais – os dois primeiros foram com o Ecobank e com o Novo Banco -, mas precisa de mais parceiros. “O BC tem mais de 600 projectos e um volume de pedidos de financiamento superior a 700 mil contos. Mas ainda não somos capitalizados, o que esperamos aconteça em breve, através do Ministério das Finanças. Enquanto isso, estamos a trabalhar na mobilização de recursos externos. Em 2013 fomos financiados pela Cooperação Luxemburguesa e por alguns parceiros nacionais”, explica António Carlos Horta.

Foi com estes recursos que o Banco da Cultura conseguiu financiar projectos e fazer a promoção da cultura no montante de 85 mil contos. Carlos Horta cita como exemplo o patrocínio do Fornarte, do fórum Carnaval, o Atlantic Music Expo (AME) e os festivais de teatro pelo país e lembra aos artistas que todas estas actividades acontecem graças à intervenção do BC: “A assinatura destes protocolos nos permitem mobilizar meios para financiar a cultura. Estamos a falar de financiamento a fundo perdido. Nesta primeira fase, temos privilegiado a promoção da cultura em detrimento de projectos individuais. Mas custeamos viagens e intercâmbios nacionais de artistas para realizar eventos nos municípios, caso do Grito Rock. Também vamos apoiar um evento proximamente na ilha do Fogo. É esse o papel do BC”.

O tecto do protocolo é aberto. Os valores envolvidos neste acordo vão depender da capacidade de mobilização de recursos do BC. Carlos Horta revela que a novidade é que este financiamento tem uma taxa de juros é de 2%. “O Banco Central para disponibilizar dinheiro ao Interatlântico temos de pagar uma taxa. Não podemos financiar nenhum projecto abaixo desse valor. Neste caso, o diferencial de 2% é convertido em mecenato. São milhares de contos que vão ser financiados no quadro do mecenato. É uma estratégia de mobilização de recursos", aponta.

BI satisfeito com acordo

O Banco Interatlântico também está satisfeito com o protocolo. Segundo o presidente da Comissão Executiva, Pedro Soares, o Ministério da Cultura criou um conceito para conceder donativos às entidades. Entretanto, verificou que algumas delas têm capacidade de gerar recursos que lhes permitem reembolsar os donativos. Diante disso, sentiu a necessidade aumentar o valor os disponíveis, aproveitar e incentivar a comunidade artística a olhar para a sua actividade como um negócio. “O ministro propôs, ao invés de donativos, disponibilizar recursos sob a forma de empréstimos. Os que conseguirem gerar receitas podem pagar o empréstimo. Os que não conseguirem, o empréstimo transforma-se num donativo a fundo perdido do Banco da Cultura”, disse.

Mas, para operacionalizar este processo, o Ministério da Cultura precisa de bancos, os únicos que concedem empréstimos. “O ministro propôs-nos sermos agente financeiro do Fundo Autónomo ou Banco da Cultura. Vamos emprestar o dinheiro que o próprio fundo coloca no nosso banco. Os beneficiários são escolhidos pelo BC. Se estes não conseguirem pagar os empréstimos, o Banco da Cultura responde perante o BI. Com esta operação, temos o trabalho de ser agente financeiro, conceder e gerir empréstimos, sem o risco de crédito”, conta.

Entretanto, todo esse trabalho do BI não é remunerado. Ou seja, o banco não vai cobrar nem comissões e nem as taxas de juros normalmente pagos pelo mercado. “Vamos cobrar pelos empréstimos 2% de juros, que é o mesmo valor que pagamos ao Banco da Cultura pelo dinheiro que deposita no BI. A nossa remuneração é a publicidade que vem com esta parceria. Por outro lado, vamos ganhar todos os clientes associados a este projecto. E ainda os outros negócios que giram a volta das iniciativas culturais e que podemos captar para nós e que vão ser um grande proveito para o banco”, completa.

Em suma, parceiros acreditam que se trata de um acordo
vantajoso para o BC, que passa a dispor de mais recursos para financiar projectos, e para o BI que ganha em publicidade, cliente e mais negócios.

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