OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Já é hora ou de deixar de ser gralhas ou de aprender com elas 07 Outubro 2017

"O dia seguinte" é o dia 1 da nova era — este é o grande erro do nosso sistema. No dia seguinte começa tudo: nova denominação e novos móveis, derrubam-se as estruturas imateriais — em vez de aprender e recomeçar – e claro que o sistema deixa de funcionar.

Por: Matilde Segredo

Já é hora ou de deixar de ser gralhas ou de aprender com elas

No dia seguinte, pior ainda, derrubam-se as estruturas imateriais — em vez de aprender e recomeçar – e claro que o sistema não funciona. Se é verdade que ninguém é indispensável, também é verdade que ninguém (salvos os casos de inadequação, devidamente descritos nos códigos éticos e legais) devia ser dispensável quando se trata de transmitir conhecimento.

No dia seguinte, mesmo os que estiveram lá parece que deixaram se saber quem pode fazer o que ontem fazia. Tudo passa a ser “tabula rasa” – ano 1 da nova era. A tabula rasa, em vez de denotada passa a ser metáfora, eis o problema que se cria ao derrubar as estruturas.

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Este país tem pois muita dificuldade em aprender com os erros, já não digo os próprios, mas os dos que nos precederam –- porque foram outros a errar e não há identificação com os que acabaram de ser substituídos nas engrenagens do Estado.

A vitória eleitoral, para nos atermos ao que está mais próximo, sempre deu lugar a euforismos que impediram já não só a clarividência, mas ainda a capacidade de ouvir. Talvez porque nos falta o cimento que só um grande sentido de Estado gera?

’Cadê’ o estadista que conseguirá a unidade nacional — o seu maior desafio. Ele /ela deveria poder, no seu inicial estado de graça, tirar os dividendos do seu estatuto especial.

Todavia observando a história mundial constata-se que dos muitos que ambicionaram dirigir outros, poucos foram os que tiveram a consciência desse desafio maior. Logo, a maior parte deixou de cumprir a promessa de ser o estadista que o seu povo merecia.

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Muitos falharam por lhes ter faltado essa consciência. Ou a ambição desmedida, sua e de outros, pode explicar porque falharam.

Os que fizeram a Revolução muitas vezes tiveram essa clarividência, mas a dinâmica dos acontecimentos impediu que tivessem tempo para a comunicar aos demais ou convencer os demais acerca disso.

É que na sofreguidão da vitória, todos do general ao soldado quiseram a sua parte do espólio — o saque da guerra está para todos, mas ganha mais quem chega primeiro. A pressa que foi muitas vezes um fator de sucesso nas vitórias, quando termina a guerra passa a ser inimiga da construção nacional.

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Derrubar o que se construiu de bom é muitas vezes a tentação do recém-chegado que quer imprimir a sua marca. (Vejo o meu Rex a fazer o mesmo, sempre que saio com ele à rua –- alça a pata, perna canina, e de um jato grava o seu DNA único na primeira roda de carro, tronco de árvore, lateral de edificação)

Esta a constatação após refletir sobre o que se passa nestes dias e relacioná-lo com o que se passou nos anos iniciais do nosso país independente. Primeiro, consolaria saber que estes erros do presente, hoje enormes, um dia vão ser nada mais que uma nota de rodapé na história universal que tudo sintetiza.

A síntese, pois, do que se passa e passou em diversas latitudes quando se tenta mudar o ‘statu quo’ – seja em nome do progresso da nação e acreditando deveras nisso, seja em nome de uma própria agenda oculta mas que se apresenta como a agenda nacional.

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Pacto nacional é preciso

Para efetivar esse pacto, basta consultar a constituição. Ver os articulados que mostram a necessidade de manter a capacidade operativa das estruturas, para que o conhecimento seja compartilhado e não partidarizado, para que os ganhos da nação sejam compartilhados e não partidarizados.

Foto (Google): A gralha vai enterrar o seu pinhão porque instintivamente sabe que vai precisar de alimento no futuro, mas esquece-se de onde o guardou.

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