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Jornalista troca agitação da Itália pela tranquilidade da ilha do Sal 12 Abril 2015

Trabalhou como jornalista durante 14 anos em Itália. Em 2010, Cármen Vurchio, 42 anos, natural de Turim, mudou a sua vida. Por causa da crise que assolava a Europa, diz que a profissão que para ela era um sonho estava prestes a transformar-se em pesadelo, pelo que decidiu dar a volta ao jogo. Mudou-se para a ilha do Sal e abriu uma lavandaria. “Eu era viciada em trabalho. Hoje em Cabo Verde vivo sem telemóvel”, afirma

Jornalista troca agitação da Itália pela tranquilidade da ilha do Sal

A reportagem do www.ilfattoquotidiano.it diz que a ilha do Sal está a transformar-se no último refúgio dos italianos. Chegam diariamente várias pessoas com uma mala de viagem e a esperança de recuperarem a vontade de viver. E Cármen Vurchio é mais uma. Escolheu uma das dez ilhas para viver. No Sal já se ouve nas ruas o chinês, o espanhol, o português e, principalmente, o italiano, escreve o online.

"Dois irmãos administram um bar e um pub. Uma família explora uma loja de roupa, outros são administradores de condomínios em bairros onde residem muitos italianos”, descreve o portal, destacando ainda a presença de italianos atrás do balcão de três padarias, quatro pizzarias, um supermercado e vários outros negócios na ilha do Sal.

"Há ainda italianos que trabalham como empregados, em sua maioria garçons. Todos trazem outras experiências. Lara, por exemplo, na Itália foi psicóloga em um centro de reabilitação para viciados em drogas", diz Cármen, mostrando como, num território que é menos de um décimo de Lombardia, a comunidade italiana está a aumentar.

Carmen Vurchio abriu uma lavandaria em Santa Maria, e o único self-service da ilha. “Consegui criar o meu negócio em uma semana, graças à ausência de burocracia. É um trabalho que não me permite ter uma grande satisfação profissional, mas me dá a oportunidade de conhecer muitas pessoas, falar sem pressa e olhar ao meu redor."

A jornalista conta que era viciada em TV. Vivia trabalhando, sem tempo para mais nada, inclusive para viver seus sentimentos. Em 2010 decidiu mudar. “Vi a crise cortar as asas a muitos colegas. A minha profissão, que para mim era um sonho, estava prestes a transformar em pesadelo. Era escrava do trabalho para não perde-lo”, explica.

Rompeu o contrato de trabalho e comprou um bilhete só de vinda para a Cabo Verde. “Gostei das férias. Estava longe da Itália, mas não muito porque havia dois voos por semana. Enfrentei algumas dificuldades no início. Troquei os saltos altos por chinelos e deixei de usar relógio. Aos poucos percebi que queria viver livre do consumismo e com simplicidade”.

Na Itália com ou sem crise gasta-se mais. No Sal ganha-se menos, mas paga-se menos impostos, não precisa de aquecimento e o aluguer custa cerca de 200 euros. “Hoje acordo sem milhares de chamadas de gente desesperada. Evito passar o dia à frente do computador. Dispenso o telefone, que considerava indispensável”.

Sobre os pontos fracos da ilha, Cármen aponta a existência de um único hospital, a falta de biblioteca e teatros. Mas realça que não fica presa nas barreiras de portagem e nem nos semáforos. Mas, o melhor, é que um quilo de atum custa 400 escudos. O lado sentimental também resolveu em Cabo Verde. Está a namorar um construtor de Brescia, de 43 anos, que vive na ilha do Sal desde que tinha 23 anos. “Sempre dizia que quando aposentasse iria mudar de vida. Eu antecipei os tempos".

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