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José Brito: “Uma guerra na Costa do Marfim teria sido um desastre humanitário grave” 09 Janeiro 2011

O governo de Cabo Verde apoia “sem reservas” a mediação do presidente Pedro Pires na Costa do Marfim. Segundo o ministro José Brito, natural desse país oeste-africano, o importante nesta fase é que se conseguiu travar a “dinâmica de guerra”. Uma guerra na Costa do Marfim, garante Britô, “teria sido um desastre humanitário grave”.

José Brito:  “Uma guerra na Costa do Marfim teria sido um desastre humanitário grave”

A situação na Costa do Marfim saltou para a cena politica cabo-verdiana a um mês das próximas eleições legislativas. Na passada sexta-feira o líder do MpD, Carlos Veiga, defendeu o afastamento de Pedro Pires da mediação em curso, por entender que isso deixou de ser desejado por uma das partes em conflito, a de Alassane Ouattara, considerado pela comunidade internacional o vencedor das eleições presidenciais naquele país oeste-africano.

Reagindo a isso, o MNE, José Brito, considera “grave e irresponsável” o posicionamento do MpD, sobretudo por este se basear em artigos saídos na imprensa marfinense em que Cabo Verde e o seu chefe de Estado são duramente atacados. Um desses artigos é atribuído a Akwaba Saint-Clair, supostamente um diplomata marfinense que se refere ao MNE cabo-verdiano como “un certain José Brito, ancien élève de Gbagbo au lycée classique d’Abidjan” (http://news.abidjan.net/h/385492.html).

Ao asemanaonline Brito considera tal alusão uma “mentira”, já que nunca foi aluno de Gbagbo. “Estudamos, sim, no mesmo liceu, ele era um ou dois anos mais avançado que eu, mas nunca fui seu aluno”.

Para JB, artigos do género são muito comuns no seu país natal, onde tudo é dito, sem que haja qualquer responsabilização. Daí, alerta, “só quem não conhece a realidade marfinense se baseia em jornais para tomar uma posição politica sobre o que se está a passar”. Neste caso concreto, “n’importe quoi”, diz JB, “é gente maldosa, por isso a irresponsabilidade de Carlos Veiga”.

Felizmente, para JB, não é um artigo nem as declarações de Carlos Veiga que comprometem a acção de Pedro Pires no processo em causa. “Mesmo assim, face ao estrangeiro, devíamos mostrar a nossa unidade como cabo-verdianos que somos”, defende. “Para todos os efeitos, PP fez já o seu trabalho: conseguiu travar a dinâmica de guerra que estava em curso. Só isso é um sucesso, embora haja quem pense o contrário”.

“A guerra na Costa do Marfim teria sido um desastre humanitário grave”, garante o chefe da diplomacia cabo-verdiana, para quem este é um conflito antigo, que se arrasta há 10 anos. “Nesta fase é melhor não falar muito. Decidi falar porque Carlos Veiga resolveu insurgir-se contra o meu chefe de Estado, num conflito em que ele, Veiga, pouco ou nada conhece”.

Tirando isso, salienta JB, a cimeira desta semana dos chefes de Estado da CEDEAO é que vai decidir a continuação ou não da mediação, ainda que numa outra base. “Nós próprios estamos a analisar de que forma poderemos ou não ser úteis nesta fase do processo”, confessa.

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