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KJF: O cabo-verdiano é um “Jazz da humanidade” 11 Abril 2015

Praia é Jazz e o kriol está a acontecer no Plateau. A segunda noite do Kriol Jazz Festival aconteceu esta sexta-feira. Levou Praia ao Jazz e trouxe o festival ao Plateau. Dany Silva, Dino D´Santiago, a fadista Fábia Rebordão, Jowee Omicil e Richard Bona fizeram da Pracinha uma luxuosa “sala” de concertos. “Sabi di obi, bnit d´udja”, não fosse o cabo-verdiano um “jazz da humanidade”. Mas, foi preciso “ver e ouvir para crer”.

KJF: O cabo-verdiano é um “Jazz da humanidade”

O homenageado desta sétima edição do Kriol Jazz Festival (KJF), Dany Silva, fez as “honras da praça” com aquela presença típica dos grandes da música. Fica aqui um obrigado dos cabo-verdianos por tudo aquilo que têm feito para a nossa cultura. A terceira noite do KJF seguiu com Dino D´Santiago e a fadista Fábia Rebordão. A partir daí a coisa subiu de tom rumo ao rubro.

Bagunça total

Jowee Omicil fez da Pracinha da Escola Grande no Plateau um espaço jazz que deu gosto de ver. Não podendo contribuir com muito mais, o público levantou-se e aplaudiu em êxtase. Omicil esteve brilhantemente acompanhado na bateria, piano e guitarra baixo, mas a intensidade do seu “sax”e trompete deram um “Bash” ao plateau. Bagunça total. “Sabi di obi, bnit d´udja”.

O canadense com origens do Haiti descia constantemente do palco para uma sublime interacção com o público a quem distribuía braceletes como que a dizer: “Não se esqueça que estive cá”. Impossível esquecer. Inesquecível e surpreendente foi igualmente a forma como encerrou: Cesária Évora com Angola de Ramiro Mendes. É caso para dizer: “Ess vida sabe qu’nhôs ta vivê” (…) Parodia dia e note manche (..) Angola Angola (…) “Ami nhos ca ta matá-me”, quero ouvir mais kriol jazz.

"King da catchupa"

A coisa já estava quente quanto Richard Bona meteu mais lenha na fogueira. Foi recebido de pé com um estrondoso aplauso. Este monstro em ascensão do jazz mundial auto-proclamou-se “King of catchupa”, (o Rei da catchupa) e levou a pracinha para uma viagem à origem de tudo, lá pelas bandas do seu Cameroun Natal. Ao ditado ver para crer, foi preciso acrescentar “ver e ouvir para crer”. Um estrondoso Baixo pouco aconselhável a cardíacos. Acelera o coração ao extremo e levita a alma rumo à terra prometida.

Este camaronês que os cabo-verdianos aprenderam a venerar de longe, ficou espantado com a sua popularidade por estas bandas. Pois é: Os cabo-verdianos gostam "d’ sab" e Bona é mesmo “de kel bom”. Também não se esqueceu da nossa grandiosa “Cise”. Pediu o apoio de Kaku e Tó Alves, Zé Paris e Rob Leonardo para cantar “Sodad”. De uma forma descontraída, prestou um lindo tributo e lembrou-nos a grandeza da nossa Diva e a dimensão da música cabo-verdiana. As centenas que lá estavam puseram-se de pé para aplaudir. Lindo. Viva Cabo Verde, aleluia ao kriol e bem-haja o festival.

Praia é jazz

O cabo-verdiano é um “Jazz da humanidade”, pelas molduras físicas do seu ser, pela abertura da sua alma e pela grandeza da sua pequenez. Praia é Jazz e o kriol está a acontecer no Plateau. Hoje há mais: Lura, Wiltgen Trio (Luxemburgo), Céu (Brasil) e Esperanza Spalding (USA). Não perca o voo. Jazz alimenta a alma.

Sanny Fonseca

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