NOS KU NOS

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Licença de maternidade: entre o ideal e o real 04 Agosto 2017

O que é mais caro para o país: implementar o programa dos seis meses, alargando ou não a licença, ou ‘pagar’ com fracos desempenhos no IDH?
Por: Emília Dias

Licença de maternidade: entre o ideal e o real

Na semana mundial em que se comemora o aleitamento materno, partilho aqui algumas ideias sobre o assunto.

Começo por observar que a saúde materno-infantil é um dos indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano e, em consequência, os países que estão no ’top 10’ proporcionam aos seus cidadãos os melhores benefícios nesse item.

Cabo Verde, embora não esteja nessa restrita lista, consta entre os países em que esse indicador de Desenvolvimento Humano está bem cotado.

Exceto pela duração da licença de maternidade, que é muito mais curta: dois meses em vez dos seis meses de referência.

Insuficiente, pois, tendo em conta a importância da amamentação exclusiva da criança nos seus primeiros seis meses de vida.

É chegado, pois, o momento de o país debater se alarga ou não a licença. Sem perder de vista o facto de que ainda estamos longe de conseguir universalizar muitos benefícios sociais, devido a várias barreiras designadamente económicas.

Que empregadores estarão dispostos a contribuir para tais benefícios, enquanto não lhes for demonstrado o que têm a lucrar (que até pode nem ser no imediato, mas a longo prazo)?

Ainda: temos uma grande percentagem de mulheres em situação de emprego precário – quem iria pagar-lhes seis meses de licença? O Estado?

Entre o ideal e o real

Se o ideal é que a mãe possa permanecer o máximo de tempo com a criança, como vemos nos países escandinavos, nos nossos países tal só acontece em situação de desemprego da mãe. Isto é, o Estado não intervém, cada um cuida de si.

Os benefícios sociais – para todos, o que ainda estamos longe de conseguir — podemos dizer que se inscrevem num pano de fundo muito consistente: são um ganho obtido numa economia pujante que foi sendo construída através de gerações. Visível, por exemplo, na avó e avô disponíveis que têm ainda a energia para ficar com os netos permitindo aos jovens pais – e em especial a mãe — prosseguirem a sua carreira.

Como vamos poder universalizar tais benefícios a famílias em que a mulher tem seis, sete, oito filhos. Sobretudo em situação de monoparentalidade – a mulher que vai sucessivamente ”aventurando-se” à procura do pai ideal para os seus filhos, uma realidade ainda presente. Ou o caso do homem “polígamo” que mantém, mais ou menos abertamente, uma segunda família.


A nossa inteligência tem de encontrar uma solução sim

A rápida urbanização levou a que as distâncias entre a casa e o emprego são cada vez maiores, pelo que para muitas se torna impraticável ter de se deslocar à casa para amamentar a criança.

Criar salas no centro das cidades, mais próximas do local de trabalho, onde as mães podiam receber os seus bebés para a amamentação. É uma possibilidade a equacionar e, mesmo se envolve custos financeiros, a longo prazo irá compensar.

– Fica mais caro?

O que é mais caro? Se há claros benefícios para as crianças na amamentação prolongada isso depende do prolongamento ou não da licença de maternidade?

O que é mais caro para o país: alargar a licença ou ‘pagar’ com fracos desempenhos no IDH com todas as consequências?

Emília mcp Emilena, cidadã

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau