POLÍTICA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Líder PAICV na Ribeira Grande: Balanço do primeiro ano de mandato da Câmara é negativo e contraria em tudo as promessas da campanha 19 Outubro 2017

A Primeira Secretária do sector do PAICV na Ribeira Grande de Santo Antão conclui, em encontro realizado com a imprensa, que a avaliação que faz deste primeiro ano de mandato da Câmara dirigido por Orlando Delgado «tem que ser, de forma geral, negativa». É que, segundo fundamenta Maria Tereza da Cruz, o actual executivo camarário contraria em tudo as promessas quanto à criação de emprego, construção de habitação social, melhoria no saneamento e na iluminação pública no Concelho.

Líder PAICV na Ribeira Grande: Balanço do primeiro ano de mandato da Câmara é negativo e contraria em tudo as promessas da campanha

Para a dirigente tamabarina, os recentes protestos da população registados na localidade de Pinhão serve para ilustrar o descontentamento existente quanto à gestão do Edil Orlando Delgado. «A recente manifestação da população na localidade de Pinhão, reivindicando algumas promessas de campanha, nomeadamente a melhoria da estrada, o problema de escassez de água, a deficiente iluminação pública e a finalização do tão esperado Polivalente, foi um sinal claro do seu descontentamento face à incompetência da Câmara Municipal na resolução dos problemas».

Maria Tereza Cruz sustenta que qualquer cidadão minimamente atento, por mais que queira ser generoso para com a actual equipa camarária, se fizer um exercício sobre a gestão do Município da Ribeira Grande dificilmente chegará a outra conclusão que não seja um balanço muito negativo. «É claro que o PAICV não tinha, nem podia ter nenhuma expectativa em relação a uma equipa que, estando a frente do município desde 1991, tem como principal resultado um concelho com uma perda significativa de população e quando um território não é capaz de manter a sua população a crescer, isto diz tudo em relação à sua gestão», alerta.

Referindo-se aos impactos do mau ano agrícola, a líder concelhia do PAICV protesta que os homens do campo, seus animais e suas culturas estão abandonados à sua sorte. «Não existe a implementação de um plano de emergência face à seca e à eminência de um mau ano agrícola, estando os agricultores e criadores de gado abandonados à sua sorte».

A posição estranha e contraditória do Presidente da Câmara em relação ao fabrico de grogue de cana no concelho é uma outra preocupação da dirigente local do maior partido da oposição. «Há uma nítida falta de confiança na regulação do processo de fabrico de grogue por parte dos proprietários, devido à posição estranha e contraditória do presidente da Câmara Municipal em relação a Lei e sua implementação na Ribeira Grande», denuncia.

Património e falta de saneamento

No tocante à cultura, Maria Tereza faz questão de salientar que a riqueza histórica, cultural e patrimonial do concelho é desconhecida pelos munícipes e visitantes doutras ilhas e estrangeiros «O Município não a valoriza, designadamente a casa onde nasceu o cientista Roberto Duarte Silva, Ponte de Canal, Miradouros e Património Religioso. Há um défice em termos da qualificação de espaços de valor arquitectónico e histórico. Podemos referir o caso de Fontainhas, ponto de interesse turístico, pois a mesma foi eleita pela ‘National Geographic’ como a segunda aldeia com vista mais bela do mundo».

Detendo-se sobre o turismo, a primeira secretária do PAICN no concelho considera que a actuação da Câmara tem sido nula nesta área. «Embora o Município reconheça que o turismo constitui uma das prioridades para Santo Antão, nos sucessivos mandatos nada tem sido feito para dinamizar o potencial cultural e turístico dos referidos espaços».

Para a mesma fonte, o Município também vive uma situação grave a nível do saneamento. Segundo denuncia, o sistema de recolha de lixo existente não satisfaz nenhuma das duas cidades do concelho nem as diferentes localidades, pois esta recolha é feita de forma precária e insegura. « O local e o sistema de tratamento do lixo é um problema grave. Há obstrução da via pública principalmente no que toca aos restos de materiais de construção, entre outros, devido à ausência de uma fiscalização por parte da Câmara Municipal. É preocupante a problemática do tratamento do esgoto no concelho».

Carência de água, energia e habitação

Falando do fornecimento de água potável no concelho, Maria da Cruz salienta que ouviu o Presidente da Câmara a gabar-se de que quase 100% das casas do Concelho possuem torneiras. Ma realça que a verdade é que muitas destas torneiras não dispõem deste bem precioso, principalmente nas zonas altas como Lagoa, Losnas, Lombo de Santa, Caforinha e Gamboeza de Ribeirão, Pinhão e Corda.

A Primeira Secretária do Sector do PAICV da Ribeira Grande denuncia, por outro lado, aquilo que considera ser um problema grave e gritante de iluminação pública em todos os cantos do Concelho.

Critica que o mesmo acontece com a habitação social no Município. « Há pessoas com problemas graves no concelho: regista-se casos de famílias vivendo em condições precárias, existindo no entanto uma constante distribuição de materiais de construção, principalmente de cimento, sem uma política social justa e equilibrada».

Relativamente ao plano de emergência resultante dos estragos causados pelas chuvas de setembro de 2016, Maria Tereza diz estranhar o silêncio do Presidente da Câmara em relação à forma como o programa de emergência vem sendo implementado. «Reconhecemos as intervenções feitas, embora tardias, a nível de recuperação das estradas e de algumas infra-estruturas hidráulicas locais, mas ainda não existe nenhuma intervenção na maioria dos diques de retenção, em algumas propriedades privadas que ficaram danificadas, em habitações de risco - caso das habitações em boca de Coruja, entre outras», diz, alertando que existem imóveis em risco no centro da cidade que carecem de uma atenção especial por parte dos governantes locais.

No tocante à cobertura dos órgãos públicos da comunicação social, a líder do PAICV na Ribera Grande de Santo Antão revela que existem muitas localidades sem cobertura, quer da rádio, quer da TCV. «A população da maior parte das localidades do concelho da Ribeira Grande já não sabe se existe um canal de televisão chamado TCV», conclui Maria Tereza Cruz no seu encontro com a imprensa, onde avaliou de forma negativa o primeiro ano da governação do executivo do Edil Orlando Delgado suportado pelo MpD.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau