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Lisboa: Doentes evacuados aprendem a socorrer companheiros 02 Julho 2014

Um grupo voluntário de doentes cabo-verdianos que se encontram em Lisboa para receber tratamentos hospitalares especializados, acolhidos pela Associação Girassol Solidário, está a aprender a auxiliar outros companheiros doentes. O objectivo da iniciativa é que se consciencializem da sua própria criatividade e capacidades, aprendendo que a doença é uma dificuldade mas não um impedimento para a sua liberdade como pessoa.

Lisboa: Doentes evacuados aprendem a socorrer companheiros

Trata-se do projecto “Djunto, no ta prendi fazi” e visa "empoderar" as pessoas nas suas capacidades e liberdade humana, para além da doença. É financiado pela Fundação Gulbenkian e envolve essencialmente elementos mais jovens, embora também algumas pessoas mais maduras.

Pessoas originárias das diferentes ilhas de Cabo Verde - jovens, adultos e algumas crianças acompanhadas por um familiar - estão a receber tratamentos de hemodiálise ou outras doenças do foro oncológico, ao abrigo de um acordo de cooperação.

Por exemplo, a formação humana e técnica vai permitir-lhes que sejam capazes de - em caso de algum incidente durante a noite nas casas de acolhimento da Girassol Solidário ou nas pensões onde se encontram – chamarem de imediato uma ambulância ou fazerem o encaminhamento para o Hospital, chamar um técnico ou tão só acalmar a pessoa.

Teresa Noronha, presidente da Girassol Solidário, que gere duas residências de acolhimento num universo humano de cem a 110 pessoas (número sempre oscilante, porque alguns regressam e outros vêm), apresentou o projecto no espaço cultural ArteCasa de Aires Silva, esta segunda-feira, 30, junto ao Bairro Alto.

Neste espaço está patente uma exposição deste grupo de doentes intitulada a “11ª Ilha de Cabo Verde” que inclui pintura, desenho, artesanato e um jornal de parede feito pelos próprios. "Enquanto estão em Portugal todas as pessoas fazem coisas, criam de acordo com a sua liberdade e expressão interior", explicou.

Segundo a responsável, coadjuvada pela formadora Cindy Batista, o projecto desenvolve-se em três componentes formativas: a “Formação para a saúde”, dada pela ONG Sáude em Português, em que os doentes aprendem a lidar com a sua doença, adquirem conhecimentos específicos e formas comportamentais; a “Intervenção no Terreno” em que técnicos da Girassol Solidário fazem com o grupo a experiência de todo o percurso do doente desde que chega a Portugal e as práticas a que têm de se submeter; e a última componente é a “Expressão para a Cidadania” onde todas as experiências já são transmitidas e replicadas pelo grupo aos que vão chegando.

Teresa Noronha explica que a recepção dos doentes em Portugal é feita pela Embaixada de Cabo Verde, mas depois a Associação Girassol Solidário faz o seu acolhimento, como se fosse a sua segunda família.

Esta associação, criada há oito anos, surgiu para preencher um vazio. Vivia-se um período muito crítico em que os doentes vindos de Cabo Verde sem recursos financeiros, desconhecendo o país de acolhimento - e muitas vezes a língua -, ficavam nas pensões quase entregues a si próprios, algumas pensões consideradas de “espeluncas” e que foram alvo de denúncia nos jornais portugueses.

Teresa Noronha, socióloga de formação e que já se reformou da empresa em que trabalhava, não recebendo por isso qualquer outra remuneração, disse ao asemanaonline que ainda existem muitos problemas, muitas fragilidades e que tem sido feito um trabalho difícil, porque a doença mexe muito com o estado psicológico da pessoa.

“Nós vivemos do voluntariado. Não temos outras fontes de rendimento que não sejam de pessoas e instituições amigas”, diz, citando, por exemplo, que este projecto dura até Outubro. "Depois temos de procurar outro e quem nos apoie. É sempre assim: temos de estar sempre a procurar quem nos queira ajudar.”

"Ao longo destes anos foram já muitas as pessoas doentes que por aqui passaram, muitos os jantares, concertos, convívios solidários para angariação de fundos monetários ou víveres para manutenção e sobrevivência desta associação sem fins lucrativos", recorda.

A Associação de Apoio aos Doentes Evacuados de Cabo Verde presta apoio alimentar, em roupa e produtos de higiene, visita os doentes nos hospitais e pensões, acompanha-os a consultas, exames e tratamentos, disponibiliza apoio psicológico, matricula as crianças nas escolas e encaminha os jovens para cursos de formação profissional.

A Girassol Solidário está presente nas redes sociais e procura dinamizar actividades temáticas, passeios e convívios para que as pessoas se sintam melhor, mais seguras e confiantes.

OL

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