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Portugal: Lucros da Mota-Engil, construtora há 22 anos em Cabo Verde, baixam 94% no primeiro semestre 31 Agosto 2017

A Mota-Engil, construtora portuguesa presente em Cabo Verde desde os anos noventa – com contratos que incluem estradas, portos, barragens, a reabilitação do teleférico de Pedra de Lume e o primeiro teleférico do país independente — registou um resultado líquido de 4,6 milhões de euros entre janeiro e junho, uma descida de 94% face aos 72 milhões de euros no primeiro semestre de 2016, revelou a construtora sediada no Porto, norte de Portugal, esta quarta-feira, 29.

Portugal: Lucros da Mota-Engil, construtora há 22 anos em Cabo Verde, baixam 94% no primeiro semestre

"Quanto ao resultado líquido, o Grupo Mota-Engil apresentou um valor de 5 milhões de euros, sem qualquer efeito extraordinário como sucedeu no período homólogo onde se registou um impacto positivo de 77 milhões de euros através da alienação do negócio da logística (Tertir) e das águas (Indáqua)", justificou a Mota-Engil.

No comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a companhia realçou "o crescimento de 15% no volume de negócios para 1.196 milhões de euros e um crescimento do EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações] de 25% [para 186 milhões de euros]", reporta a imprensa portuguesa.

Mais de duas décadas em Cabo Verde

A construtora portuguesa de dimensão internacional, está presente em Cabo Verde desde os anos noventa. Daqui relançou pontes para a África — esteve no período colonial ativa em Angola — que lhe iriam valer o reconhecimento nas principais praças financeiras, como mostra o facto de que em 2014 a Mota-Engil África passou a estar cotada na Bolsa de Valores de Londres.

Há duas décadas em Cabo Verde, foi todavia a partir da crise que firmou ainda mais a sua presença entre nós. A partir de 2010 estabeleceu com o Estado diversos contratos na maior parte das ilhas, que vão desde infraestruturas portuárias, aeroportuárias, rodovias, estruturas hidráulicas várias. Uma das mais recentes é a obra para “Abastecimento de Água à Praia e São Domingos”.

Barragem da Banca Furada

Em dezembro de 2011, lançava-se a primeira-pedra para a construção da “primeira barragem digna desse nome” em São Nicolau. A execução em “dezanove meses”da grande obra hidráulica em Vale de Fajã, município da Ribeira Brava, “totalizando 700 mil contos”, ficou a cargo da Mota-Engil. Em maio seguinte, o site do MDR definia que a inauguração seria em junho de 2015.

Obra inaugurada, a chuva amiga veio, após “período prolongado de seca”. Em dois dias de chuva, a barragem atingiu mais de quatro mil toneladas de água. Mas horas depois constatava-se o “sumiço misterioso” da água. A água que devia irrigar trinta e oito hectares e beneficiar duzentos agricultores infiltrara-se no subsolo em menos de 12 horas. A equipa que investigou o caso confirmava o que parecia óbvio dado o expressivo nome que o povo dera à localidade. O relatório culpava pois o terreno que "é de origem vulcânica", com "elevado grau de fracturação e permeabilidade".

O relatório concluía todavia que "a qualidade da construção e segurança da estrutura da Barragem estão salvaguardadas". Ou seja, ninguém foi responsabilizado, nem executantes, nem fiscalização ou dono da obra que vimos na televisão a dizer que “mandaram fazer a barragem, assim foi e está bem feita”.

Ninguém parece ter mencionado que, mesmo sem responsabilizar criminalmente a empresa por ter usado material de fraca qualidade, cabia à executante impermeabilizar e reparar a fratura. Pelo contrário, constatada a deficiência da obra pagou-se a fatura mesmo com “fracturação” e tudo.

Mota-Engil nega ser responsável por sete meses e meio de salários em atraso em Santo Antão

A empresa portuguesa foi notícia, em 27/Janeiro/2014, por dívidas a "mais de 40 trabalhadores". Mas a empresa, no mesmo dia, desmentia vigorosamente e empurrava as culpas para a Luís Frazão, uma sua subempreiteira – mesmo se no mesmo desmentido se contradizia. Três meses e meio depois, a obra de 126 mil contos era inaugurada e as honras pela sua execução iam para o "Consórcio Mota-Engil-Luiz Frazão".

Fontes: Jornal Económico. Lusa. A Semana - Notícias relacionadas:

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