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Macron anuncia plano para desmantelar tráfico de imigrantes na Líbia 01 Dezembro 2017

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou na cimeira UE/África, em Abidjan, uma operação militar e policial para desmantelar redes de tráfico de imigrantes na Líbia. ONU, UE e UA criam grupo para combater máfias.

Macron anuncia plano para desmantelar tráfico de imigrantes na Líbia

O primeiro dia da quinta cimeira da União Europeia-União Africana, que decorre em Abdijan, Costa do Marim, foi dominado por um tema muito mediático: os relatos, segundo os quais jovens africanos em trânsito rumo à Europa, estão a ser vendidos em autênticos mercados de escravos na Líbia.

"É preciso intervir, não basta denunciar", defendeu o Presidente da França, Emmanuel Macron, ao anunciar na quarta-feira,29, uma operação militar e policial para desmantelar redes de tráfico de migrantes na Líbia.

Macron não adiantou pormenores sobre as medidas a serem adotadas, embora tenha esclarecido que não se trata de "declarar guerra" à Líbia, segundo referiu numa entrevista concedida aos canais públicos franceses "France 24" e "RFI", na embaixada francesa em Abidjan.

Depois da deposição do regime de Muammar Kadhafi, em 2011, os traficantes aproveitaram as deficiências na segurança e a completa impunidade na Líbia para aliciarem dezenas de milhares de pessoas para uma vida melhor, com a passagem para Itália, a 300 quilómetros da costa líbia.

Resolver problema em conjunto

A chefe do Governo da Alemanha, Angela Merkel, presente em Abidjan, também se referiu ao problema da escravatura e exploração dos refugiados. "Este tema gera muita polémica e emoção em todo o continente africano. Tanto África como a Europa estão, portanto, muito interessados em resolver em conjunto o problema da imigração ilegal", disse a chanceler.

Segundo Merkel, é preciso "dar às pessoas em África mais possibilidades legais de entrar na Europa, para estudar ou receber formação profissional".

Macron anuncia plano para desmantelar tráfico de imigrantes na Líbia
Günter Nooke, conselheiro da chanceler alemã para questões africanas, é de opinião que os problemas só poderão, de facto, ser resolvidos, se se conseguir criar um ambiente de confiança mútua e de cooperação de igual para igual entre os países europeus e os países africanos.

"Precisamos de uma certa seriedade e competência: quando os países africanos se comprometem a tomar certas medidas, nós temos de ter a certeza que essas medidas serão, de facto, postas em prática", defendeu Nooke. "Nenhum ministro do Interior em nenhum país europeu deixará entrar 100 mil jovens africanos se não tiver garantias de que eles - ou pelo menos a maioria deles - irão voltar aos seus países de origem".

Combater máfias

A Organização das Nações Unidas (ONU), a União Europeia (UE) e a União Africana (UA) acordaram a criação de um grupo de trabalho com o objetivo de salvar vidas no Mediterrâneo e lutar contra as máfias da imigração ilegal, principalmente na Líbia.

O grupo foi acordado numa reunião entre os líderes políticos da UE, Jean-Claude Juncker, e da UA, Moussa Faki Mahamat, juntamente com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e a chefe da diplomacia comunitária, Federica Mogherini, e tem como objetivo combater o tráfico de pessoas.

"Salvar e proteger as vidas dos imigrantes e refugiados nas rotas de chegada a Europa, acelerar a assistência aos retornados voluntários aos seus países de origem e ajudar aqueles que necessitam de proteção internacional" são alguns dos objetivos, lê-se num comunicado conjunto divulgado em Abidjan, onde até esta quinta-feira,30, decorre a cimeira UE-UA.

Estas ações pretendem ampliar os trabalhos que já estão em curso nos países de origem e na Organização Internacional das Migrações (OIM), para além da UE. Os trabalhos serão revistos e coordenados pelas autoridades líbias, assim como pela UE, ONU e UA, que trabalham já em conjunto para o desmantelamento das redes de traficantes e para o desenvolvimento de oportunidades nos países de origem e em trânsito, explica o documento, que nota que já regressaram a casa, de forma voluntária, cerca de 13 mil migrantes.

Este grupo vai reunir-se frequentemente e colaborar "ao mais alto nível", nomeadamente à margem da Assembleia-Geral da ONU. Nesse grupo não será fácil para os 55 países africanos falar com uma só voz, afirma o encarregado do governo federal-alemão para os assuntos africanos, presente na cimeira. "Trata-se de 55 países diferentes, com interesses diferentes e níveis de desenvolvimento também diferentes. Não é fácil chegar a acordos que satisfaçam tosos os países", reconcheu Günter Nooke. C/DwÁfrica

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