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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Mindelo convocado para a manifestação 13 de janeiro: Sokols quer protestos para regionalização de Cabo Verde e distribuição equilibrada dos recursos do Estado 12 Janeiro 2018

Mindelo convocado  para a manifestação 13 de janeiro:  Sokols quer protestos para  regionalização de Cabo Verde e distribuição equilibrada dos recursos do Estado

Com a concentração prevista para 10 horas na Praça Estrela, os manifestantes deverão seguir o seguinte trajeto: Rua de Côco, Avenida Fernando Ferreira Fortes, Palácio do Povo, Avenida Baltasar Lopes, Fonte de Meio, Avenida Capitão T. Duarte, Avenida Alberto Leite, Praça Nova, Avenida 5 de Julho, com o término na Praça Dom Luís, junto do Ponto d’Água na Avenida Marginal, onde os dirigentes do Sokols dirigir-se-ão aos presentes.

Em entrevista ao jornal A Semana, o porta-voz do movimento cívico Sokols 2017 garante que tudo está a potos para que esta manifestação de 13 de Janeiro decorra da melhor maneira possível, esperando contar com muitas pessoas. Revela que as ações de terreno estão a decorrer conforme planeado, isto apesar de algumas tentativas de desmobilização de pessoas, sobretudo por parte de elementos que se identificam com o MpD no poder.

"Pretendemos que aja descentralização e autonomia para que Cabo verde seja um país harmonioso, equilibrado e justo", propõe o porta-voz do movimento, para quem até hoje nenhum Governo da República deu sinais dessa abertura, isto apesar de algumas pessoas considerarem que a transferência do ministério do mar para São Vicente é um sinal claro do início da descentralização. "Aplaudimos a ideia se de facto for o Ministério e não apenas o Ministro", adverte Mascarenhas.

Nesta manifestação de sábado, a Sokols vai sobretudo contestar o centralismo do Governo, a postura e as atitudes da Câmara Municipal de São Vicente, que, no seu entender, não tem sabido gerir da melhor forma a cidade e a ilha. "Neste momento a ilha está muito mal estruturada. Os recursos não chegam a todos os pontos e com isso temos uma cidade mal gerida".

Relativamente ao número de pessoas que esperam colocar na rua, Salvador Mascarenhas escusa-se a avançar um número por agora, mas vai dizendo que do contacto com as populações que o feedback tem sido muito positivo. "Apelamos a todos a gente para se manifestarem a favor de São vicente e por Cabo Verde. Pois, queremos um país harmonioso, equilibrado e justo. As pessoas com quem falamos estão confiantes, isto apesar de todas estas manobras de cosmética e o corrupio de membros do governo cá na ilha, algo que quase nunca aconteceu", assegura Mascarenhas.

Conforme diz Salvador, neste últimos 40 anos de democracia Cabo Verde tem usado o mesmo modelo de governação, algo que já está ultrapassado e que precisa de ser renovado. “Estamos a usar um modelo de governação continental e nós temos que questionar que somos ilhas e que este modelo não permite equilíbrio”, diz Mascarenhas.

Conforme ele, as promessas renovadas pelos dirigentes partidários no governo também merecem comentários por parte do porta-voz da Sokols. Diz que algo "inédito" foi o início das obras de asfaltagem do troço da avenida marginal. "O presidente da Câmara municipal, que acha que São Vicente está muito bem e que nunca recebemos tanto dinheiro do orçamento do Estado, pede 200 mil contos emprestados ao banco, que depois vamos ter que pagar, e começar as obras de asfaltagem a toda à força. As pessoas têm consciência de que estas obras é tudo fachada. Os cidadãos já não estão a deixar-se enganar como antes".

A luta das outras ilhas

Enquanto movimento cívico e apartidária, a Sokols tem vindo a conquistar adeptos e seguidores em outras ilhas, nomeadamente nas ilhas de São Nicolau, Boavista, Fogo e Santiago, onde pequenos núcleos de pessoas têm estado a dinamizar ações reivindicativas de luta, conforme adianta Salvador Mascarenhas.

“ Há um grupo de pessoas no Fogo que criaram uma página na ilha do movimento Sokols e que estão a organizar uma passeata e nós, a partir do Mindelo, estamos a dar alguma ajuda neste sentido. Em São Nicolau, Boavista e o Sal têm havido também algumas manifestações de interesse, mas não sabemos se vai haver manifestação no dia 13 de Janeiro. Em Santiago existe um núcleo da Sokols, que está sempre a perguntar se vai haver manifestação ou não na cidade da Praia, mas isto é algo que eles é que devem decidir. Achamos é que estes movimentos devem ter a sua autonomia para propor fazer as coisas. Aliás, estamos a defender a autonomia e a descentralização e não fica bem estamos aqui a criar dependências.

Orçamento de Estado para São Vicente é uma "catástrofe"

Quanto ao orçamento de Estado para este ano, a Sokols considera que a mesma é uma "catástrofe" no que toca a distribuição dos recursos para a ilha de São Vicente, isto apesar de haver também uma discriminação negativa as restantes ilhas do país. "Se formos ver São Vicente seria a segunda ilha do arquipélago. Temos o segundo PIB, a segunda maior densidade populacional, segundo em serviços e entre outros, e somos o último em transferências municipais”, aponta Mascarenhas.

Em jeito de conclusão, Mascarenhas adianta que “se Cabo Verde for um país descentralizado, com várias cidades desenvolvidas ou equilibradas, o que vamos ter é uma distribuição equitativa e mais saudável dos recursos”. Odair Cardoso

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