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Médicos do HBS contestam escala de 24 horas imposta pela direcção 01 Setembro 2016

Os médicos que prestam serviço no Hospital Baptista de Sousa e nos Centros de Saúde de São Vicente concentram esta quinta-feira, 01 de Setembro, à frente desta instituição hospitalar para mostrar o seu desagrado em relação à nova escala de serviço de urgência de 24 horas, imposta pela direcção do hospital e que entra hoje em vigor. Paralelamente, os médicos, que aguardam um parecer da Ordem dos Médicos, já accionaram um advogado para analisar esta questão, que visa tão-somente proteger os cardiologistas - em particular o marido da directora do HBS -, retirando-os da escala de urgência.

Médicos do HBS contestam escala de 24 horas imposta pela direcção

Esta contestação, dizem fontes asemanaonline sob anonimato, é de todos os médicos que prestam serviço no HBS e nos Centros de Saúde da ilha. “Sempre fizemos urgências de 12 horas, mas desde que a nova direcção assumiu a gestão do hospital tenta impor aos médicos uma escala de 24 horas. Fizeram uma reunião e os médicos rejeitaram liminarmente esta proposta. Ficaram de marcar um segundo encontro, que nunca aconteceu. Entretanto, fomos surpreendidos por uma circular interna a informar que a nova escala inicia hoje, 01 de Setembro. O objectivo é colocar os médicos a fazer urgências de 24 horas para poder excluir os cardiologistas”.

Para estas nossas fontes, essa situação foi provocada por um capricho do cardiologista Fernando Lopes, que é marido da directora do hospital. “Ele foi punido por recusar a fazer urgência. Argumentou que não se sentia preparado para prestar atendimento de clínica geral, quando se sabe que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Cabo Verde. Logo, uma percentagem significativa dos doentes que procuram o hospital precisam ser atendidas por um cardiologista. A directora está a proteger o marido, então optou por retirar os quatros cardiologistas do HBS da escala”.

Menos médicos, mais horas de serviço

Com isso, os turnos que antes por três médicos e tinham a duração de 12 horas, agora serão garantidos por apenas dois médicos e por um período de 24 horas. “É desumano exigir de um profissional trabalhar durante tantas horas seguidas. Outra questão é que os médicos sob a tutela da Delegacia, que prestam serviços nos Centros de Saúde, são obrigados a integrar a escala, quando antes trabalhavam no HBS apenas nos sábados, Domingos e feriados”, explicam as nossas fontes, para quem, com isto os cuidados primários vão ser prejudicados, tendo em conta que se antes o atendimento médico era diário nos Centros de Saúde, passará agora a ser apenas três dias por semana.

Perante esta situação, os médicos contam que enviaram alguns documentos à direcção do HBS, ao Ministério e à Direcção Nacional da Saúde, argumentando e pedindo para se repensar a medida. No entanto, a nova escala entra em vigor esta quinta-feira, mas não receberam nenhuma resposta. Aguardam um parecer da Ordem dos Médicos de Cabo Verde e já estão a consultar um advogado para saberem como agir. E os seus argumentos são fortes.

“No Hospital Agostinho Neto, o maior estabelecimento hospitalar do país, não há nenhum médico a fazer urgências de 24 horas. E os cardiologistas integram a escala de serviço normalmente. Se cometemos algum erro por causa do cansaço vamos ser presos e ninguém vai nos defender. Não estão a pensar na classe. O objectivo é retirar os cardiologistas da escala mas, com isso, acabam por prejudicar todos os clínicos gerais e os utentes”, referem as nossas fontes.

Devido ao adiantado da hora, não foi possível ouvir a direcção do Hospital Baptista de Sousa, pelo que prometemos retomar o assunto.

Processo disciplinar

Refira-se que este é um caso que remonta a Agosto do ano passado. Na altura, o Ministério da Saúde mandou instaurar um processo disciplinar ao cardiologista Fernando Lopes, alegadamente por ter-se recusado a fazer urgências no HBS. A tutela argumentava que, para sanar a falta de médicos nas Urgências dos hospitais centrais, devido à criação dos Centros de Saúde que absorveram uma boa parte desses profissionais, todos os médicos tinham integrar as escalas de serviços, independentemente da especialidade.

Fernando Lopes mostrou-se indisponível para prestar esse serviço, alegando que não estava em condições de dar consultas na área de clínica geral. O MS não aceitou este argumento e considerou a sua recusa um incumprimento do contrato de trabalho. Mandou então instaurar-lhe um processo disciplinar. Este braço de ferro só foi sanado com a entrada da nova direcção, que decidiu retirar todos os quatro cardiologistas da escala de urgências do HBS.

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