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Morabeza- Festa Literária: Mia Couto defende “figura de um editor” na literatura portuguesa 10 Fevereiro 2018

O escritor moçambicano Mia Couto defendeu hoje,09, na Cidade da Praia, que faz falta a “figura de um editor” na literatura portuguesa para que a escrita seja “mais interessante”.

Morabeza- Festa Literária: Mia Couto defende “figura de um editor” na literatura portuguesa

Com a sala da Biblioteca Nacional de Cabo Verde cheia, Mia Couto encerrou, esta sexta-feira, a segunda sessão da I edição de Morabeza- Festa Literária, cuja primeira sessão teve lugar de 31 de Outubro a 05 de Novembro de 2017, na Cidade da Praia, e hoje foi feita uma conversa aberta com o autor de Terra Sonâmbula, com a moderação de Tito Couto, da Booktailors.

Durante esta conversa de mais de uma hora, Mia Couto falou da sua obra multifacetada, isto é, do seu envolvimento com a escrita portuguesa, com a sua profissão de biólogo e de uma tentativa de ser arquitecto.

Para Mia Couto, escrever é “construir um chão que não existe” e a ideia de haver uma conversa entre a figura do editor e do autor é muito interessante para desenvolver a escrita, entretanto esta figura não existe na literatura portuguesa.

“No mundo da língua portuguesa também faz falta uma figura de um editor, na literatura anglo-saxónico tem. O editor intervém na escrita e discute com o autor, portanto ele é quase um co-autor, com a língua portuguesa acontece o contrário, o autor é como uma entidade divina (…)”, disse.

Tendo como pressuposto a guerra pela independência de Moçambique, em que há diversas versões sobre a história, Mia Couto considerou que a literatura não tem a pretensão de construir uma verdade, mas que ela é um lugar onde essas verdades “podem conversar”.

Este diálogo, indicou, pode construir uma nação e pode ajudar um país a construir uma identidade, na medida em que ela tem a pretensão de mostrar que essas identidades são várias e que não há uma entidade e que essa identidade não está feita.

Assim como a ideia que o Ministério da Cultura quer com a realização do Festival Morabeza, de levar mais jovens a ter o gosto pela literatura e de incentivar o aparecimento de mais jovens escritores, Mia Couto, com o seu projecto “Fundação Fernando Couto”, tem trabalhado na mesma ideia de ajudar os jovens Moçambicanos a escrever e a publicar.

Apesar de afirmar que não conhece muito bem a realidade cabo-verdiana, o autor de “O gato e o escuro” acredita que é necessário ajudar os jovens a terem mais gosto pela escrita, de os ajudar nas suas publicações, e mostrar aos mais pequenos de que vale a pena contar e ouvir estórias. Fonte: Inforpress

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