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Não assinei a Petição Pública – 12 motivos 06 Outubro 2017

A retirada dos manuais da polémica está a ser pedida online. Em poucas horas, cumpriu-se o objetivo que era ter duas mil assinaturas. Eu, enquanto encarregado de educação, posiciono-me.

Por: Luiz Cunha

Não assinei a Petição Pública – 12 motivos

1. O custo da feitura de novos livros é, não obstante todos os ruídos, um fator de ponderação. A relação custo-benefício aconselha pois a não deitar fora o produto com defeitos – corrigíveis. Acresce que a feitura dos manuais obedeceu a um imperativo de melhoria, que ninguém contestou.

2. A correção dos erros e gralhas é possível de ser feita com recurso a autocolantes com os quais se vai tapar o erro e apresentar a forma corrigida.

3. Para que 2. se efetive, é preciso que toda a comunidade educativa se envolva.

4. E sobretudo, para que 2. aconteça, é preciso que a DNE assuma totalmente (100%) a sua responsabilidade na presente situação. Esse patamar é essencial para restabelecer o diálogo com a comunidade e congregar os esforços dos que vão corrigir — os professores.

5. A assunção da responsabilidade obriga também a dialogar mostrando que a experiência internacional de feitura de manuais, embora feita em condições óptimas que nós aqui não temos, é marcada por constantes revisões de edição para edição.

6. A situação alertou o país para a complexidade da tarefa de criar livros. A experiência vai ser útil para o futuro de todos nós. Saberemos que a errata/corrigenda não é uma invenção atual e que as novas tecnologias podem ajudar.

7. A sociedade cabo-verdiana (ante a situação clamada como calamitosa, hipérbole que discuto a seguir) discutiu questões como matemática, descrição de conceitos, ortografia. Os três com erro e tudo, mas importante é que sim foi discutido. Sim, há hipérboles — mas estas depois vão ser devidamente enquadradas.

8. A situação é susceptível de despoletar uma maior consciência da classe professoral para a ncessidade de defender a educação de qualidade. A começar pela edição de livros, a ser feita no país, com escrutínio maior dos cidadãos voluntários porque interessados em ver desenvolver a Educação.

9. A edição de livros em Cabo Verde tem de ser uma aposta. E se, como a presente situação nos revela, ainda estamos muito dependentes do exterior – o que só sabemos porque a Porto Editora veio sacudir a água do capote e apontar que o erro afinal é dos suecos. É, pois, conveniente que ao fim de 42 anos de independência passemos a conferir maiores responsabilidades a este povo, parar de o infantilizar.

10. O tempo não volta para trás. Mas podemos sempre aprender com o que foi menos conseguido.

11. A desistência tem de ser uma palavra a banir do nosso “dicionário prático”.

12. A esperança tem de nos acompanhar cada vez mais, para que não recuemos perante os nossos próprios erros mas sim aprendamos a corrigi-los.

Foto: Os erros são tantos e tão visíveis que não acredito que alguém deixe de aprender algo!

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