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Novo ano lectivo e ensino secundário: Taxa de reprovação ultrapassa os 23% 19 Setembro 2016

Cabo Verde regista uma taxa de reprovação de mais de 23 por cento a nível do ensino secundário durante o ano lectivo findo. Na abertura do novo ano lectivo 2016‑17, essa notícia preocupa os alunos, pais e encarregados de educação.

Novo ano lectivo e ensino secundário: Taxa de reprovação ultrapassa os 23%

Os números sobre a reprovação no ensino secundário fornecidos pela Direcção-Geral do Planeamento, Orçamento e Gestão (DGPOG) e pela Direcção Nacional da Educação (DNE) indicam que dos 51.810 alunos inscritos nesse subsistema de ensino, no ano lectivo 2015-2016, somente 48.201 estudantes conseguiram chegar ao fim do ano liceal.

O insucesso escolar atinge 3.609 alunos, correspondente a uma taxa na ordem dos 7 por cento. Daquele universo, 23,4 por cento ficaram retidos, com maior incidência no ex-2º ciclo (10º e 11º anos), em que as reprovações chegaram a atingir os 24 por cento, precisam as mesmas fontes.

Para esta preocupante taxa de reprovação terão contribuído, segundo o Ministério da Educação, vários factores. Dentre esses, destacam-se os de ordem social, cultural e económica, que condicionam o sucesso escolar dos alunos cabo-verdianos.

Estudos realizados pelo ME, através da DGPOG-SEPC, revelam que as áreas curriculares que colocam maiores dificuldades aos alunos são as de Língua Portuguesa e Matemática. “Na maioria dos casos, a retenção ocorre quando o aluno reprova, simultaneamente, nestas duas disciplinas, o que demonstra a necessidade de se atribuir às mesmas, uma maior atenção, apostando em processos mais efectivos de dinamização das actividades lectivas, garantindo uma aprendizagem significativa e proporcionando mais interesse dos alunos pelos conteúdos dinamizados”, salienta o ME.

Reflexão e novos métodos de ensino

Segundo as nossas fontes, o ME tem vindo, através do reforço do ensino da Matemática e da Língua Portuguesa e da capacitação de professores, a incentivar a classe docente a definir processos, estratégias e práticas inovadoras de diferenciação pedagógica. Tudo com o fito de apoiar os alunos em risco de insucesso. O enfoque sobretudo nas duas disciplinas referidas é apontado como necessário a título preventivo, se se quiser diminuir o insucesso dos alunos nas escolas secundárias do país.

Ouvidos por este jornal, alguns professores e técnicos em educação de várias escolas secundárias da Praia alegam que a problemática da retenção no sistema educativo cabo-verdiano assume contornos preocupantes. Isto quer pela expressão, quer pela ineficiência e ineficácia de medidas até agora implementadas para a melhoria do desempenho escolar dos alunos.
Atendendo à importância que esta matéria assume no sistema educativo cabo-verdiano, a Direcção Nacional de Educação pretende desenvolver um processo de reflexão e análise sobre a retenção escolar, ainda este ano. A iniciativa tem por objectivo conhecer melhor os contornos desta problemática, bem como apresentar caminhos que possam conduzir à alteração da cultura de retenção vigente no sistema educativo nacional.
Apesar dos dados referidos, a directora-geral do Planeamento, Orçamento e Gestão assegura que o Ministério da Educação tem desenvolvido conteúdos multimédia para auxiliar os professores no ensino da matemática. “É uma forma de garantir uma aprendizagem mais consolidada e efectiva nesta área disciplinar”, esclarece Ana Costa. Esta responsável garante que o ME está a fazer o mesmo para a língua portuguesa, que se acredita possa vir ajudar na superação de várias dificuldades identificadas.

Mudanças e estratégias de ajudas

“Outros desafios do ME, para este ano lectivo que ora começa, visam as orientações no sentido de se introduzir medidas que garantam mudanças nas práticas escolares, como sendo a capacitação dos recursos humanos e dos espaços escolares, permitindo, por um lado, que as crianças beneficiem de aulas de recuperação e de remediação para o reforço das suas aprendizagens e, por outro lado, se aumente o tempo de permanência das crianças nas escolas, como estratégias de combate ao insucesso e abandono escolar”, diz Ana Costa.

Na perspectiva de pôr cobro a determinadas situações de insucesso escolar, o ME garante que pretende, através das Delegações Escolares e da sua articulação com os educadores e direcções das escolas, trabalhar numa lógica de proximidade, apoiar a implementação dos planos curriculares e garantir todo o apoio que se afigurar necessário para dinamizar as práticas pedagógicas inovadoras. Essas medidas, conforme fontes da DNE, enquadram-se num ano lectivo de preparação para criar e implementar uma nova dinâmica voltada para uma gestão escolar e supervisão pedagógica capazes de dar uma “nova vida” às escolas, perspectivando-se melhorias consideráveis a todos os níveis.

Mas os desafios do sistema educativo não ficam por aí. O governo pretende ministrar formação específica e contínua aos professores. É que o ME entende que será necessário melhorar o processo de ensino-aprendizagem, através da formação contínua dos professores, reforçando as suas competências pedagógicas, designadamente com acções como o “Lab in a box” (ensino com base no laboratório e na multimédia) que garantam uma abordagem das ciências centradas em metodologias mais práticas.

Entretanto, o ME alerta que que a análise dos percentuais de reprovação ao longo dos três últimos anos civis mostra que não há uma tendência definida em sua evolução. Para cada ano escolar, variam os percentuais de reprovação nos diferentes anos e ciclos, sendo ora ligeiramente mais altos, ora ligeiramente mais baixos, embora não se tenha testado a significância estatística dessas diferenças.

Para que os alunos alcancem mais e melhores resultados, quer a nível do básico, quer a nível secundário, Ana Costa apela aos professores para desencadearem estratégias de apoio aos primeiros sinais de dificuldades, com particular incidência nos primeiros anos de escolaridade de cada ciclo, e conceberem programas intensivos e exigentes de apoio para cada tipo de dificuldade que surge.

Celso Lobo

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