OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

O Galo do Senhor A. Correia 11 Novembro 2016

Foi numa visita ao senhor A. Correia no seu armazém na Achada Grande Trás, numa tarde serena, mas com sol tão forte que o nosso alisado podia estar mais forte para abrandar o intenso calor tropical que se fazia.

Por: João da Luz (Greenwich)

O Galo do Senhor A. Correia

O proprietário não estava no escritório, estava sentado diante da casa que devia ser onde ele tinha escritório. Bem, por mais pessimista que eu fosse, não era capaz de pensar que este homem, com tanto que ele tem, não tinha um escritório. Isso de pensar, pensei; pensei que ele não devia ter ar condicionado no escritório, e que isto era a razão que o punha na rua.

Cheguei a pensar que eu, se fosse ele, teria um gerador muito potente para fornecer energia a todos os cantos daquele armazém grande, que não sei, mas devia ter secção de frio numa cidade onde o blackout é quase todos os dias e por muito tempo. Apareceu um galo muito bazofo, a andar para um lado e outro, como se estivesse num concurso de beleza ou apresentação de modelos. Eu não queria comentar nada por respeito a este homem que nunca me tinha dado um sinal de brincadeira; mas o galo bazofo impressionou-me tanto que eu disse sem propósito: O senhor tem um galo muito bazofo! Ele respondeu-me: Ele é como o senhor. Eu não fiquei contente por ele comparar o seu galo comigo. Eu fiz grande esforço para esconder o meu descontentamento dentro de mim, porque eu estava lá para persuadi-lo a fazer um negócio muito bom para ele, embora eu tivesse pouca esperança, porque eu já tinha tentado bons negócios para ele, que nunca se interessou.

Deste vez, a resposta foi mais ou menos idêntica às anteriores: Vou consultar alguém e depois dar-lhe-ei resposta.
Bem, eu compreendi logo que eu já tinha resposta negativa.

Saí a andar em direção à Achada Grande Frente, quase sem me lembrar da resposta negativa, mas sim, do galo bazofo e a comparação que um homem rico e bem-educado faz de um galo bazofão comigo. A coisa andava-me no miolo, eu via-a como um desprezo ou chuchadeira.

O pensamento andava tão longe que comecei a pensar se eu era como aquele galo quando eu era novo. Em seguida lembrei-me de um ex-colega de estudos, de trabalho e de alguns passeios; então, o galo bazofo passou a parecer-me muito com o meu ex-colega amigo que engatava em todos os quadrantes, que era uma coisa inacreditável.
Não digo quem é ele, porque pode não gostar do conto, mas se o ler, saberá que é ele.

Roterdão-Holanda,

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