OPINIÃO

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O Mundo rural e as suas qualidades 17 Agosto 2017

Apanhamos os mais velhos sempre com boa disposição e com famosas partidas na ponta da língua para nos contar. Partidas antigas mas que nunca se apodrecem por serem tão lindas. Os centros rurais podem ser vividos e aproveitados numa perspectiva contemporânea. Os governos devem traçar projectos e criar condições de modo a estimular a ida de mais turistas para essas comunidades. Condições que promovam a experiência e o contacto dos turistas com os nativos e assim enriquecem os seus conhecimentos.

Por: Alberto Lopes Sanches

O Mundo rural e as suas qualidades

As aldeias, como é sabido, são células fundamentais para a construção de um país. Essas zonas conservam grandes virtudes, umas frutos do trabalho da nossa mãe natureza outras resultados da intervenção humana. São formadas por gentes que elegem o carácter como um pilar determinante na trajectória do homem. Para alguns que vivem nos centros urbanos é muito difícil adaptar-se ao estilo de vida do pessoal do interior. Um ritmo “leve-leve” tal como se designam os santomenses ou se quiser “na mansu mansu” como se diz no nosso bom crioulo. Individuos que não se submetem muito ao stress, apesar de se dedicarem basicamente a agricultura e criação de gado, que são actividades económicas que exigem muito esforço físico. Em contraponto a população do interior estranha o ritmo de vida acelerado que se levam nas cidades. Sítios onde as pessoas não têm muito tempo para se estar umas com as outras, aliás passar o tempo na maior descontracção tal como acontece com a população pacata do meio rural. Conhecemos casos de alguns indivíduos que nunca dantes tinham visitado o meio rural e quando lá chegam pela primeira vez ficam de “boca aberta”, porque encantam com toda a beleza que ali se encontram e prometem voltar lá mais vezes ou até delineiam projectos para aquelas aldeias.
Outrora um bom número de citadinos considerava os indivíduos que residem nas zonas rurais como “de fora” ou seja aquele que é menos esperto do que o pessoal da cidade. Eram objectos até de gozo pela forma como se vestiam, se andavam, se falavam. Felizmente que essa “brincadeira de mau gosto” hoje não se verifica, justamente pelo facto das pessoas terem uma visão muito mais ampla das coisas e algumas diferenças que se opunham antes entre as cidades e os campos deixaram de existir. O interior tem gentes com grande ambição no trabalho, tanto é que levam uma vida simples e sem a preocupação em adquirir grandes luxos. Tanto é que temos muitos turistas que têm grande apreço pelo mundo rural e estão permanentemente a aterrar-se aqui em Cabo Verde para visitar esses locais e usufruir das suas belezas. Há casos de vários emigrantes nossos que regressam duas ou três vezes ao ano para saborear as riquezas do interior. Alguns até optaram por construir as suas residências, a semelhança do que acontece no estrangeiro onde certos indivíduos edificam as suas casas de campo e aproveitam os fins-de-semana ou dias de férias para se descansar e se degustar as beldades que ali têm. Algo que não acontece com tanta fluência no nosso meio.

A propósito disso lembramos o que disse um amigo nosso que é português. “Vocês têm uma linda terra e de belíssimas paisagens que vale a pena aproveitar. Na Europa quando se fala de férias em Cabo Verde o foco é sempre a ilha do Sal, mas na verdade Cabo Verde não é só Sal. As zonas do interior são autênticas maravilhas, com gentes amáveis e acolhedoras”. É caso para dizer que tudo isso é um bónus que ainda temos, pois há valores morais e paisagens fascinantes que prevalecem e que em outras paragens pouco se fala. Valores como: respeito, simplicidade, humildade, civismo, generosidade, bondade, hospitalidade. Se bem que nos dias de hoje com larga abertura ao mundo e fortes influências de fora poucos são aqueles que se resistem e fazem manter de pé os valores morais da sociedade. Os casos de criminalidade são muito reduzidos em comparação com as cidades, razão pela qual as casas do interior mantem-se quase sempre de portas escancaradas.

As condições atractivas no meio rural vão desde paisagens naturais, casas, capelas e outros edifícios antigos, caminhos vicinais, fontenário, as técnicas e alguns instrumentos de trabalho que são antigos, a forma de transportar a água nos burros, a faina do campo, as lides domésticas, o artesanato, sítios históricos, patrimónios incríveis, tradições entre outras. É isso que fazem do interior um lugar aprazível e cartão-de-visita para todo o mundo. Existem diversas zonas rurais que já tomaram parte nos filmes, videoclips e séries para a televisão.

A agitação nas zonas do interior acontecem mais por ocasião das festas de romaria, casamento, baptismo, crisma e também por altura das campanhas eleitorais. De resto tudo é na tranquilidade e na paz de Deus.

Apanhamos os mais velhos sempre com boa disposição e com famosas partidas na ponta da língua para nos contar. Partidas antigas mas que nunca se apodrecem por serem tão lindas. Os centros rurais podem ser vividos e aproveitados numa perspectiva contemporânea. Os governos devem traçar projectos e criar condições de modo a estimular a ida de mais turistas para essas comunidades. Condições que promovam a experiência e o contacto dos turistas com os nativos e assim enriquecem os seus conhecimentos. Com as novas tecnologias de informação e comunicação os jovens que residem nas aldeias tiram vantagens em dobro. Isto é, por um lado adquirem o conhecimento histórico da região e por outro conseguem o manancial das informações do país e do mundo, através da televisão e internet. Eles também podem envolver na vida das aldeias e interagir com os mais velhos que são verdadeiros testemunhos. Deve-se estimular as empresas privadas a envolverem-se no projecto de investimento no interior e alavancar os seus negócios no domínio turístico. Fomentar a produção e divulgação de vídeos que publicitam a imagem das aldeias. Porque não revitalizar as tradições culturais e imateriais e oferece-las aos turistas?! Até porque os turistas apostam muito na diferenciação cultural. Vários são os turistas que têm fortes paixões pelo turismo rural, cultural e de montanha.
De maneira que terminamos a nossa intervenção com veemente apelo a todos os citadinos que façam favor de visitar e revisitar as zonas do interior. Será uma enorme oportunidade para se conhecer e se dialogar com as pessoas, se interagir com a natureza e acima de tudo uma ocasião para fazer as pazes com o seu espírito e se relaxar e ainda se recarregar as baterias para futuras tarefas.

Agosto, 2017

As aldeias, como é sabido, são células fundamentais para a construção de um país. Essas zonas conservam grandes virtudes, umas frutos do trabalho da nossa mãe natureza outras resultados da intervenção humana. São formadas por gentes que elegem o carácter como um pilar determinante na trajectória do homem. Para alguns que vivem nos centros urbanos é muito difícil adaptar-se ao estilo de vida do pessoal do interior. Um ritmo “leve-leve” tal como se designam os santomenses ou se quiser “na mansu mansu” como se diz no nosso bom crioulo. Individuos que não se submetem muito ao stress, apesar de se dedicarem basicamente a agricultura e criação de gado, que são actividades económicas que exigem muito esforço físico. Em contraponto a população do interior estranha o ritmo de vida acelerado que se levam nas cidades. Sítios onde as pessoas não têm muito tempo para se estar umas com as outras, aliás passar o tempo na maior descontracção tal como acontece com a população pacata do meio rural. Conhecemos casos de alguns indivíduos que nunca dantes tinham visitado o meio rural e quando lá chegam pela primeira vez ficam de “boca aberta”, porque encantam com toda a beleza que ali se encontram e prometem voltar lá mais vezes ou até delineiam projectos para aquelas aldeias.
Outrora um bom número de citadinos considerava os indivíduos que residem nas zonas rurais como “de fora” ou seja aquele que é menos esperto do que o pessoal da cidade. Eram objectos até de gozo pela forma como se vestiam, se andavam, se falavam. Felizmente que essa “brincadeira de mau gosto” hoje não se verifica, justamente pelo facto das pessoas terem uma visão muito mais ampla das coisas e algumas diferenças que se opunham antes entre as cidades e os campos deixaram de existir. O interior tem gentes com grande ambição no trabalho, tanto é que levam uma vida simples e sem a preocupação em adquirir grandes luxos. Tanto é que temos muitos turistas que têm grande apreço pelo mundo rural e estão permanentemente a aterrar-se aqui em Cabo Verde para visitar esses locais e usufruir das suas belezas. Há casos de vários emigrantes nossos que regressam duas ou três vezes ao ano para saborear as riquezas do interior. Alguns até optaram por construir as suas residências, a semelhança do que acontece no estrangeiro onde certos indivíduos edificam as suas casas de campo e aproveitam os fins-de-semana ou dias de férias para se descansar e se degustar as beldades que ali têm. Algo que não acontece com tanta fluência no nosso meio.

A propósito disso lembramos o que disse um amigo nosso que é português. “Vocês têm uma linda terra e de belíssimas paisagens que vale a pena aproveitar. Na Europa quando se fala de férias em Cabo Verde o foco é sempre a ilha do Sal, mas na verdade Cabo Verde não é só Sal. As zonas do interior são autênticas maravilhas, com gentes amáveis e acolhedoras”. É caso para dizer que tudo isso é um bónus que ainda temos, pois há valores morais e paisagens fascinantes que prevalecem e que em outras paragens pouco se fala. Valores como: respeito, simplicidade, humildade, civismo, generosidade, bondade, hospitalidade. Se bem que nos dias de hoje com larga abertura ao mundo e fortes influências de fora poucos são aqueles que se resistem e fazem manter de pé os valores morais da sociedade. Os casos de criminalidade são muito reduzidos em comparação com as cidades, razão pela qual as casas do interior mantem-se quase sempre de portas escancaradas.

As condições atractivas no meio rural vão desde paisagens naturais, casas, capelas e outros edifícios antigos, caminhos vicinais, fontenário, as técnicas e alguns instrumentos de trabalho que são antigos, a forma de transportar a água nos burros, a faina do campo, as lides domésticas, o artesanato, sítios históricos, patrimónios incríveis, tradições entre outras. É isso que fazem do interior um lugar aprazível e cartão-de-visita para todo o mundo. Existem diversas zonas rurais que já tomaram parte nos filmes, videoclips e séries para a televisão.

A agitação nas zonas do interior acontecem mais por ocasião das festas de romaria, casamento, baptismo, crisma e também por altura das campanhas eleitorais. De resto tudo é na tranquilidade e na paz de Deus.

Apanhamos os mais velhos sempre com boa disposição e com famosas partidas na ponta da língua para nos contar. Partidas antigas mas que nunca se apodrecem por serem tão lindas. Os centros rurais podem ser vividos e aproveitados numa perspectiva contemporânea. Os governos devem traçar projectos e criar condições de modo a estimular a ida de mais turistas para essas comunidades. Condições que promovam a experiência e o contacto dos turistas com os nativos e assim enriquecem os seus conhecimentos. Com as novas tecnologias de informação e comunicação os jovens que residem nas aldeias tiram vantagens em dobro. Isto é, por um lado adquirem o conhecimento histórico da região e por outro conseguem o manancial das informações do país e do mundo, através da televisão e internet. Eles também podem envolver na vida das aldeias e interagir com os mais velhos que são verdadeiros testemunhos. Deve-se estimular as empresas privadas a envolverem-se no projecto de investimento no interior e alavancar os seus negócios no domínio turístico. Fomentar a produção e divulgação de vídeos que publicitam a imagem das aldeias. Porque não revitalizar as tradições culturais e imateriais e oferece-las aos turistas?! Até porque os turistas apostam muito na diferenciação cultural. Vários são os turistas que têm fortes paixões pelo turismo rural, cultural e de montanha.

De maneira que terminamos a nossa intervenção com veemente apelo a todos os citadinos que façam favor de visitar e revisitar as zonas do interior. Será uma enorme oportunidade para se conhecer e se dialogar com as pessoas, se interagir com a natureza e acima de tudo uma ocasião para fazer as pazes com o seu espírito e se relaxar e ainda se recarregar as baterias para futuras tarefas.

Agosto, 2017

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