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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

"O Outro lado do Atlântico” filmado em Cabo Verde 24 Junho 2014

Daniele Ellery e Márcio Câmara já iniciaram, na cidade da Praia, a filmagem da parte cabo-verdiana de "O outro lado do Atlântico" - uma longa-metragem documental que propõe um "ensaio audiovisual investigativo" sobre os estudantes africanos de língua oficial portuguesa graduados no Brasil. O que mudou nas suas vidas e na vida dos seus países é o que os realizadores brasileiros propõem retratar neste filme.

Da capital do país, onde ficam até domingo, a dupla de cineastas vindos do Brasil parte para S. Vicente e S. Antão. Nas duas ilhas mais a norte, vão colher durante cinco dias testemunhos dos cabo-verdianos que estudaram nas terras de Vera Cruz, buscando descortinar "os conflitos étnicos, raciais e as reconfigurações identitárias decorrentes dos contactos interculturais" que aconteceram com a sua chegada ao país sul-americano.

Rodado também em três regiões do Brasil - Rio de Janeiro, Fortaleza e Redenção - , "O Outro lado do Atlântico" foca igualmente a sua atenção nos cabo-verdianos que ainda estudam no país para revelar os hábitos, costumes e tradições que adquiriram na interacção quotidiana com os brasileiros, criando novos "referenciais culturais, a ponto de afirmarem que o Brasil é a sua ’segunda pátria’".

Esta longa-metragem documental, que ganhou o prémio de melhor projecto do interior cearense no X Edital de Cinema e Vídeo da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará 2012/2103, também pretende mostrar como a chegada de estudantes universitários africanos ao Brasil criou novas possibilidades de cooperação entre o gigante sul-americano e a África lusófona.

A ida de africanos de língua oficial portuguesa ao Brasil para estudar nas suas universidades começou na década de 1970 com o Programa de Estudantes - Convênio de Graduação (PEC-G) do governo federal, tendo se intensificado no mandato de Lula da Silva, o presidente que fez mudar a visão e sobretudo a prática política do seu país para com África.

O então presidente justificou na altura tal mudança com a "necessidade de um resgate da dívida política, moral e histórica do Brasil para com a África". E hoje, lembram Daniele Ellery e Márcio Câmara, em Cabo Verde e na Guiné Bissau, por exemplo, "muitos estudantes graduados que regressaram aos seus países lideram ao mais alto nível o projecto de desenvolvimento dos povos africanos". O Primeiro Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, é um belo exemplo dessa ponte que vai unindo as duas margens.

Teresa Sofia Fortes

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