OPINIÃO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

O Plebeu e o Embusteiro 01 Novembro 2017

Não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Agora é acertar posições, sair às ruas e evitar a todo o custo que este executivo desbarate esse nosso torrão. Têm que fazer mais e melhor. É verdade que pelas desculpas que o nosso Firts vem dando, como “o trabalho não cai do céu”, ”não sou PCA dos TACV” fica claro que já perdeu o norte (conhecíamos e bem as suas limitações).

Por: Carlos Tavares

O Plebeu e o Embusteiro

Apesar do prometido repouso do guerreiro, muitas vezes, como dizem os franceses “la sitiuation oblige”. Desta vez resolvi rabiscar essas linhas para mostrar a minha indignação e total discórdia com às lamúrias que tenho lido nas redes sociais e os lamentos que tenho assistido por tudo quanto é canto dos meus patrícios que votaram MpD nas últimas eleições legislativas. Uns dizem que se sentem traídos, outros trapaceados e engrampados com as promessas de campanha do partido ventoinha.

Não é segredo para ninguém que o que se diz nas campanhas eleitorais e se escreve nas moções de estratégias e nos programas governativas não são para levar a sério em alguns partidos. Porém, no que diz respeito aos “rabentolas”, uma coisa é certa, nisso dou a mão a palmatória e tiro-lhes o chapéu, cumprem sempre à risca as entrelinhas dos lemas de campanha. E mais, os slogans eleitorais deles é na realidade a cartilha de governação. Cumprem-na ao pé da letra. Por isso, ninguém pode-se dar de descuidado e protestar que não sabiam ou que foram bigodeados. Podem dizer sim, que foram embalados pela distração.

Para elucidar os menos atentos deixo aqui alguns exemplos, a fim de avivar-lhes a cachimónia. Nas eleições de noventa, um dos lemas do MpD era “djô Baka, djô” ou seja, pediam ao eleitorado para verem as vacas leiteiras que “abundavam” o país. Todavia, para entreter ou melhor confundir os cabo-verdianos fabricaram extratos de contas chorudas dos ex-governantes na Suíça para que os desatentos não pudessem decifrar a real mensagem que encontrava “a su capa “do “djô baka, djô. Assim, pensava-se que o lema fazia alusão aos então dirigentes do país.

Ganhando as eleições, tudo ficou límpido e cristalino como a água de nascente. As tetas começaram a ser sugadas até à exaustão, deixando-as secas que nem a ribeira dos engenhos em tempo de seca e carestia. Era mamadas em cima de mamadas. Lembrando os episódios da família Veiga, dos açúcares, dos cimentos, das areias, das dízimas pagos pelos militantes em cargos de chefia, enfim um rosário de chupetas de todas as formas e feitio.

Na eleição seguinte, elegeram como palavra de ordem o “rabentolismo”. Apelidaram o MpD com o especial enfoque no JpD“ dos rabentolas”. E de facto o eram. Com os úberes escorridos, resolveram arrebentar de vez com o que ainda sobrava dessas ilhas desafortunadas. Os salários passaram a ser pago quando calhava, as missões diplomáticas transformaram-se em caloteiros, os estudantes ficaram a ver as bolsas por um canudo, os países amigos e as ONG’s que nos socorriam abandonavam o país em fila indiana, deixando-nos entregues ao rabentolismo.

Nas eleições de 2000, mantendo-se fiel há sua estratagema e linha de ação, o Mpdorlas como lhe é cognominado pela nossa amiga Helena Fontes, trouxeram como máxima de campanha, “quem fez, faz, fará”. Ali já, o zé-povinho de tanto levar nas trombas, apesar do masoquismo de alguns, abriu os olhos e deu um basta, excomungando os ventoinha, exilando-os por 15 léguas longe do trono.
Passados esses anos, as aves voltaram a chilrear, as flores a desembruxar, os mares a dar peixe, os campos a abastecer as cidades e assim, toda a década de noventa foi desmemoriado. E como dizia alguém, com a chegada da bonança a sarna voltou a coçar!

O Movimento para o Descalabro continuando fiel à sua linha, nessas últimas eleições escolheram por slogan de campanha “sem djobi pa ladu”. Apesar deste aviso, a maioria da nossa juventude, embalada pelas promessas dos nove mil postos de trabalho ao ano, entre outras, não conseguiu ler as entrelinhas, embarcou nesse barco a caminho do cabo das tormentas.

De todas as insígnias de campanha que o Mpdorlas adotou ao longo dos anos, esse era o mais claro e o mais simples de descodificar. Pediam única e exclusivamente para ninguém preocupar com o que o outro faz! Para poderem fazer o que bem entenderem. E assim vai o nosso torão, a desgovernar-se. Este executivo continua a fazer o que melhor sabe fazer, desfazer e demolir. Os marinheiros de hoje são os mesmos de outrora.

Não vale a pena chorar sobre o leite derramado. Agora é acertar posições, sair às ruas e evitar a todo o custo que este executivo desbarate esse nosso torrão. Têm que fazer mais e melhor. É verdade que pelas desculpas que o nosso Firts vem dando, como “o trabalho não cai do céu”, ”não sou PCA dos TACV” fica claro que já perdeu o norte (conhecíamos e bem as suas limitações). Por isso, temos de retocá-lo com pinças e leva-lo com jeitinho, apoiando-lhe com muletas lá onde foram necessários para ver se consegue chegar ao 2021 menos debilitado e o Primier menos chamuscado.

Hoje tenho quase a certeza que a sina de Cabo Verde conjuga-se da seguinte forma: Eu faço, tu destróis.

USA, 28/10/2017

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