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O pior pesadelo dos pais 27 Dezembro 2017

O pior pesadelo dos pais, que é o desaparecimento de um filho, está, de facto, a acontecer neste Natal 2017. A nossa terra assombrada pela desaparição da menina de dez anos há semanas, além do caso da jovem mãe e bebé desaparecidos há quase quatro meses sem deixar rasto.

Por: Andreia Fortes

O pior pesadelo dos pais

Uma madrugada fria. A Mãe acorda para ir aconchegar a roupa à filha. Um hábito "inscrito no ADN das gentes da tua ilha", dizem-lhe na capital para onde o país conflui. Desconheço de onde nasceu essa ideia do pai santantonense — de que fala EA "basta ver o pai dos meus filhos", diz ela —, pródigo em cuidados aos filhos, mas que é bonito é. Mesmo se um caso particular se tornou a regra.

A mãe deste caso verídico acende a luz e a cama nova, um beliche, aí está. A cama de cima ocupada, mas vazia a de baixo. A menina de quatro anos e meio não está na sua cama, no quarto ela não está. Mas também não está na casa de banho, nem no sofá da sala. Em nenhuma divisão da casa. A porta está trancada, mas pergunta na casa vizinha, não vá dar-se o caso de a menina ter, nem sabe como, saído a meio da noite para a casa da avó. Toda a gente de súbito despertada mobiliza-se para a procura. Vasculham casa, quintal. A mãe volta ao quarto, a janela está como a deixou, fechada. A filha desapareceu, como? Em turbilhão, acodem-lhe à memória confusa os relatos de crianças desaparecidas, a menina americana retirada do seu quarto enquanto toda a família dormia, incluindo a irmã com quem partilhava o quarto. O desespero atira-a para o chão e vê-a: a filha está a dormir debaixo da cama. Foi só o estranhamento da cama nova, neste falso alarme, de há doze natais, não há criança desaparecida.

O pior pesadelo dos pais, que é o desaparecimento de um filho, está, de facto, a acontecer neste Natal 2017. A nossa terra assombrada pela desaparição da menina de dez anos há semanas, além do caso da jovem mãe e bebé desaparecidos há quase quatro meses sem deixar rasto.

América: milhares de crianças desaparecidas em cada ano

Observemos a América, onde se contam aos milhares os casos de crianças desaparecidas em cada ano.

As estatísticas aí mostram que menos de uma em cada dez consegue regressar viva à casa. Segundo as mesmas estatísticas, na maior parte dos casos o responsável pelo rapto é em geral um membro da família.

Um site para resolver casos de crianças desaparecidas. Bring back Jhanvi, um caso de sucesso na Índia

A iniciativa do governo de Narendra Modi, que levou à implementação de ferramentas na Internet para ajudar a resolver os casos de crianças desaparecidas, tem tido algum sucesso na Índia. Já fez escola o caso Bring back Jhanvi, da criança de 3 anos que foi encontrada graças ao primeiro site criado.

A Índia, país superpopulacionado, tem uma média anual de 70 mil crianças raptadas. O seu destino preferencial são as fábricas onde vão engrossas a mão de obra escrava — Ah! os produtos bons e baratos que consumimos têm um preço insustentável!

Esperança

A maior parte das histórias de desaparecimento têm, é certo, sido ou insolúveis ou com desfechos trágicos. Mas há também desfechos felizes, com a criança a regressar a casa com vida.

Foi o caso de Steve reencontrado ao fim de sete anos do seu rapto. Ele tinha 7 anos quando um pretenso religioso o convenceu de que os pais já não o queriam e por isso lho tinham entregue para o conduzir pelo bom caminho.

A adolescente de 14 anos, Elizabeth, que um polícia uniformizado abordou à saída da escola para a levar a casa, acabou presa numa cela subterrânea de três metros quadrados. O seu raptor escavara um bunker a menos de dois quilómetros da casa da menina, mas para a confundir conduziu-a durante muito tempo por uma floresta. Mal sabia ele que ela ia deixando pedaços de cabelos nos ramos de árvores, que deram pistas à polícia para a sua descoberta dez dias depois.

Ao fim de 181 dias presa numa cela subterrânea de três metros quadrados, Abby de 12 anos, foi também salva pela polícia. O seu raptor era o vizinho. A mulher deste tinha chamado a polícia, porque não vendo o marido pensara que ele se suicidara. Afinal, ele escavara um bunker e aí mantivera a vizinha da casa ao lado presa. O homem foi condenado a 20 anos. Cumpriu a pena na ala psiquiátrica da prisão — onde morreu.

Mesmo se são a exceção, representando menos de um em cada dez casos, os desfechos felizes trazem esperança para o mais recente caso da menina de dez anos, entre nós.

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