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Crise humanitária em Birmânia: ONU estima que 470 mil refugiados rohingyas precisam de abrigos 25 Setembro 2017

A delegação das Nações Unidas do Bangladesh estimou este Domingo, 24, que cerca de 470 mil refugiados rohingyas precisem de ajuda internacional urgente para abrigos. A instituição que tem António Guterres como Secretário-geral anuncia que necessita pelo menos de 200 milhões de dólares (167 milhões de euros) durante os próximos seis meses para enfrentar a "catastrófica" crise humanitária dos refugiados rohingyas, provocada por repressão do exercito birmanês.

Crise humanitária em Birmânia: ONU estima que 470 mil refugiados rohingyas precisam de abrigos

A estimativa das Nações Unidas inclui os membros desta minoria que chegaram ao Bangladesh vindos da Birmânia tanto antes como depois de 25 de Agosto, quando eclodiu o último surto de violência contra esta etnia muçulmana.

Fugindo de uma campanha de repressão do exército birmanês, considerada uma limpeza étnica pela ONU, refugiados rohingya têm atravessado a fronteira para o vizinho Bangladesh, inundando este país pobre do sul da Ásia.

Segundo o documento divulgado citado pelo Niticias ao Minuto, o total de refugiados rohingya chegados ao Bangladesh desde os últimos episódios de violência ascende a 436 mil, ainda que nos últimos dias o movimento na fronteira pareça ter-se reduzido.

De acordo com a ONU, os rohingya vivem em "condições extremamente difíceis", a que se somam "traumas severos" da violência que viveram na Birmânia.Também, o Alto Comissário da ONU para os Refugiados disse que o Bangladesh precisa de ajuda internacional "massiva" para fornecer víveres e abrigos a estes refugiados.

Após visitar campos onde estes refugiados se concentram, Filippo Grandi disse que assistiu a uma "generosidade local incrível", mas que é necessária "uma ajuda internacional massiva, financeira e material", já que estes refugiados "precisam de tudo", nomeadamente água potável, abrigos, víveres e instalações sanitárias.

Para tentar acelerar a distribuição da ajuda entre os refugiados, o Governo do Bangladesh tem mandado, segundo a mesma fonte, elementos do exército para os campos, para apoiar a construção de estradas para assegurar um bom acesso aos acampamentos. Além disso, as autoridades do Bangladesh deram permissão a várias organizações não governamentais para operar no país "por um período máximo de dois meses".

A ONU informa que o início deste êxodo em grande escala dos rohingya começou no dia 25 do mês passado, quando um grupo insurgente atacou essa minoria muçulmana contra a polícia birmanesa e as posições militares.

O Bangladesh concede estatuto de refugiado apenas a uma parte pequena dos rohingyas, enquanto os restantes são considerados birmaneses sem documentos. "Queremos que voltem para as suas terras", disse Amir Hossain Amu, ministro birmanês para a Segurança Interna.

Revela a fonte que vimos citando que o Bangladesh tem estado a registar os dados biométricos dos rohingya, num processo que ainda deverá demorar meses. Entretanto, o Alto-Comissário da ONU para os Refugiados disse também que é preciso "ajuda técnica" para que o Bangladesh consiga registar os rohingyas refugiados no seu território.

Identidade e 200 milhões para enfrentar a crise

Por seu turno, a líder birmanesa Aung San Suu Kyi garantiu, na semana passada, que está "pronta" para organizar o retorno daqueles refugiados, após verificação das suas identidades.

Na sexta-feira passada, as Nações Unidas disseram que necessitam de 200 milhões de dólares (167 milhões de euros) durante os próximos seis meses para enfrentar a "catastrófica" crise humanitária dos refugiados rohingyas.

Para a ONU, em poucas semanas, o sul do Bangladesh, que faz fronteira com a Birmânia, transformou-se num dos maiores campos de refugiados a nível mundial, à medida que refugiados rohingyas fogem da Birmânia, refere a plataforma electrónica MN.

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