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Olavo Correia: O anterior Governo é “responsável” pela medida de resolução do Novo Banco 02 Agosto 2017

O ministro das Finança reiterou hoje que o anterior Governo é “responsável” pela medida de resolução do Novo Banco adoptada pela entidade reguladora, o Banco de Cabo Verde, por “não ter feito a recapitalização” da instituição financeira.

Olavo Correia: O anterior Governo é “responsável” pela medida de resolução do Novo Banco

“Tiveram seis anos para recapitalizarem o banco (Novo Banco) e não o fizeram, não acompanharam a gestão e deixaram o banco mal gerido e com problemas de capital”, precisou Olavo Correia, referindo-se ao Governo de José Maria Neves.

Olavo Correia fez estas considerações em declarações à imprensa depois de ter sido ouvido esta terça-feira durante mais de três horas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso Novo Banco.

“Nós não estaríamos a actuar bem se tivéssemos colocado mais dinheiro dos contribuintes num banco que apenas estava a destruir valor, sobretudo quando temos um sistema financeiro com bancos comerciais que fazem exactamente aquilo que vinha fazendo o Novo Banco”, sublinhou o governante, acrescentando que o NB “nasceu torto, não devia ter sido criado e custou muito aos contribuintes”.

Para Olavo Correia, o actual executivo não quis “empurrar o problema com a barriga e deixar para as próximas gerações um fardo muito maior”.

Segundo ele, se o NB continuasse a existir, hoje se estaria a falar não em dois milhões de contos de prejuízo, mas sim em dois milhões e meio ou três milhões de contos de prejuízo.

“Só em 2016, tivemos o resultado negativo em cerca de 280 mil contos”, indicou o ministro das Finanças, reiterando que “não era possível usar os recursos dos contribuintes desta forma”, ou seja, colocando-os num banco que “apenas destrói o valor e não cria valor”.

Na sua perspectiva, o NB “não fazia e nem faz falta ao mercado financeiro”, uma vez que os actuais bancos comerciais prestam os serviços consignados ao Novo Banco, sendo os mesmos possuidores de know how e “sabem fazer este negócio financeiro”.

Questionado se não fosse o problema de recapitalização, continuaria com o NB, Olavo Correia respondeu que sim, mas que o privatizaria, porque o Estado não tem que ter banco.

Durante a audição, o ministro falou de malabarismo financeiro em relação ao Novo Banco. Instado sobre o que estava a referir-se, explicou que se procurou “aumentar o capital, colocando em troca activos prédios e este procedimento é incorrecto”, porque “não deve ser feito no quadro de um banco”.

“Fizeram uma engenharia contabilística criativa para dizer que a colocação do imóvel no banco significa entrada do dinheiro. Nada mais falso. Todos os dados comprovam o contrário. Esta é uma prática que o Governo não deve continuar”, indicou o ministro.

Olavo Correia reiterou aos jornalistas que a resolução do NB foi uma “boa medida”, já que, segundo ele, além de os “contribuintes terem sido protegidos, também os depositantes foram protegidos”.

“Ninguém perdeu o seu valor e, mesmo o INPS (Instituo Nacional de Previdência Social) vai, através dos imóveis, poder recuperar grande parte dos depósitos”, comentou, para depois revelar que foi garantida a confiança no mercado financeiro cabo-verdiano.

Relativamente à carta enviada pela anterior ministra das Finanças, Cristina Duarte, aos responsáveis do Banco Português de Gestão, Olavo Correia entende que a mesma devia ser endereçada ao Ministério Público, visto que o Governo anterior afirma “preto no branco que havia gestão danosa e irregularidades graves”.

Questionado pelos deputados sobre o destino dos trabalhadores do ex-NB, garantiu que muitos já estão a trabalhar no Ministério das Finanças e que ele próprio enviou um pedido aos colegas do Governo no sentido de priorizarem os ex-trabalhadores do NB, em caso de admissão do pessoal.

A antiga presidente do conselho de administração do INPS, Leonesa Fortes, foi também ouvida pela CPI e as audições prosseguem nesta quarta-feira.
O Novo Banco foi alvo de resolução por parte do Banco de Cabo Verde, que é a entidade reguladora das instituições financeiras.

São accionistas do Novo Banco, o Estado de Cabo Verde que tem uma participação de 42,33%, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) com 28,28%, a com CECV 11,76%, os Correios de Cabo Verde com 7,35%, a Imobiliária Fundiária e Habitat (IFH) com 7,35% e o Banco Português de Gestão com 2,94%. Fonte: Inforpress

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