POLÍTICA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Oposição exige que os compromissos assumidos pelo Governo do MpD se traduzam em ações concretas 29 Dezembro 2017

A Presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV oposição), Janira Hopffer Almada, reagiu à Mensagem de Natal que o Primeiro-Ministro dirigiu às famílias, com o foco em três aspectos. O de que Ulisses Correia e Silva ainda não sentiu que ganhou as eleições, de que as promessas feitas durante as campanhas se transformaram em soluções muito minguadas e o de que os compromissos assumidos por UCS vão sendo adiados, a cada dia que passa. Por isso, a líder do maior partido da oposição exige que as promessas feitas pelo MpD se traduzam em ações concretas de governação para o bem do povo cabo-verdiano.

Oposição  exige que os compromissos assumidos pelo Governo do MpD se traduzam em ações concretas

Reagindo à mensagem de Natal proferida pelo PM, a presidente do PAICV aponta o dedo ao Governo, exigindo que todas as promessas e os compromissos assumidos durante as campanhas eleitorais se traduzam em ações concretas de governaçao no ano de 2018.

“O PAICV espera que no ano de 2018 os cabo-verdianos sintam a sua vida, efectivamente, a melhorar, as famílias tenham melhores condições de vida, os jovens tenham mais esperança e Cabo Verde comece a atingir novos índices de desenvolvimento. Aliás, espera.se que o novo ano seja de concretizações, e não de mais anúncios sem resultados, de mais compromissos adiados e de mais promessas engavetadas”, adverte.

Janira Hopffer Almada recorda que Ulisses Correia e Silva prometeu felicidade aos cabo-verdianos, mediante a criação de mais oportunidades e do aumento do poder de compra das famílias. “Ulisses Correia e Silva ainda não sentiu que ganhou as eleições, as promessas feitas durante as campanhas eleitorais se transformaram em soluções muito minguadas e os compromissos assumidos por Ulisses Correia e Silva vão sendo adiados, a cada dia que passa”, aponta.

No entanto, para a líder do maior partido da oposição, nem os salários foram atualizados, nem as pensões foram melhoradas, nem os preços dos serviços essenciais (água, luz, e combustível) foram diminuídos ou estabilizados, numa altura em que o primeiro-ministro “vai acenando com o aumento do Salário Mínimo Nacional para 13 mil escudos (que vai recair unicamente sobre os privados, pois que, no Estado, o Salário Mínimo praticado é de 15 mil escudos) ”.

Dois anos depois, e de acordo com o PAICV, o primeiro-ministro se esqueceu do prometido rendimento mínimo de inclusão para 25 mil famílias durante o mandato e anuncia, para 2018, a beneficiação de apenas 723 famílias, o equivalente, a menos de 3% daquilo que está previsto no Programa do Governo.

Outra promessa, no mínimo estranha, para a líder do partido da Estrela Negra, foi a de conceder mais apoio às associações e ONG’s, depois da luta “titânica” de que foram alvo – elas que, segundo Janira, têm desempenhado um papel relevante na luta contra a pobreza e contra as desigualdades sociais – “e depois de o Partido que suporta o Governo ter desvalorizado completamente o seu papel (para atingir o então Governo do PAICV) ”.

Mas as preocupações da Janira Hopffer Almada não ficaram por aí. A politica não deixou de registar o anúncio, quase semanal, de greves, em sectores fulcrais, como resultado do manifesto incumprimento das promessas irrealistas feitas pelo actual primeiro-ministro enquanto candidato do MpD nas últimas legislativas.

Juventude e desigualdades sociais

Referindo-se à situação da juventude cabo-verdiana, JHA garante que, depois de dois anos, a taxa do desemprego juvenil ultrapassou os 40%, sem que nenhuma solução estruturante tivesse sido apresentada para essa camada maioritária da nossa população.

“Para a juventude cabo-verdiana, Ulisses Correia e Silva prometeu “mundos e fundos”, com mais e melhores empregos, para além de oportunidades de acesso universal ao ensino superior e isenção de propinas em todos os níveis do ensino. Mas mais: a promessa de isenção de propinas vai chegando a conta-gotas, o número de bolsas de estudo para o ensino superior vai diminuindo, os subsídios da FICASE vão minguando e já se registou um aumento do desemprego para 15%”, ressalta.

O desnorte, a descoordenação e a falta de articulação em sectores “fundamentais” da Governação, tais como a Educação, a Saúde, a Política Externa e os Transportes, são apontados pela líder do PAICV como algumas das “grandes” marcas da governação de Ulisses Correia e Silva, nesses quase dois anos do seu mandato.

“Aliás, a propósito do Sector dos Transportes (aéreos e marítimos), o actual Governo tem optado por uma postura de absoluto secretismo, nos negócios feitos com recursos estratégicos do país, coberto de eventuais cláusulas de confidencialidade, que o tornaram refém de empresas privadas estrangeiras, sem que fossem prestadas nenhumas garantias ao povo cabo-verdiano e sem que nem o Parlamento, nem a oposição, nem os Sindicatos e nem os próprios trabalhadores, fossem ouvidos e informados dos meandros dos negócios”, sublinha.

Para JHA, as desigualdades sociais e a insegurança são outras questões que inquietam os cidadãos. Conforme ele, vão-se agudizando e atingem contornos preocupantes e dimensões outrora desconhecidos, “enquanto o primeiro-ministro vai acenando com o Sistema de Videovigilância, como “solução” para todos os males, refere a líder do PAICV.

“O Sistema de Videovigilância é, sem dúvidas, uma medida boa e importante, mas que isoladamente não augurará resolver todos os problemas de insegurança no país, caso não haja uma verdadeira aposta no combate às desigualdades sociais. Por outro lado, é importante que se garanta o necessário acompanhamento na sua implementação, de modo a se prevenir eventuais abusos por parte das autoridades, mediante o respeito escrupuloso dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos”, defende.

Mau ano agrícola e lenta actuação do governo

Janira vai mais longe, referindo que concernente à mitigação da seca e do mau ano agrícola, os agricultores e criadores de gado – confrontados com uma situação de aflição - continuam à espera da implementação do Plano de Emergência, tardiamente aprovado e diversas vezes anunciado pelo governo.

Neste âmbito, a líder do Estrela Negra recomenda que é preciso actuar a dois níveis, nomeadamente a curto prazo, de modo a acudir as populações do mundo rural, em dificuldades, e a médio e longo prazos, para que se aumente a resiliência do próprio país perante a situações de seca e outras calamidades naturais.

“Mas, também é importante para o PAICV que os apoios mobilizados, junto dos parceiros externos de Cabo Verde, sejam geridos de forma transparente e a sua disponibilização às populações do campo seja feita com absoluta isenção”, vai avisando a líder da oposição que tem a responsabilidade fiscalizar a atividade governativa em Cabo Verde. Celso Lobo

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