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Política e ousadia 11 Dezembro 2017

Aquele que em pleno exercício da atividade política ouse abrir mão de trabalhar de forma justa e igual para todos, coloca a força da ousadia contra a própria política e, consequentemente, contra o povo. A função da política não é servir este ou aquele interesse especifico ou particular, mas sim a todos os cidadãos de forma igual.

José João Neves Barbosa Vicente*

Política e ousadia

A ousadia é importante para a política quando ela é colocada ao serviço do bem comum, não ao serviço dos interesses e vontades particulares. Ousar fazer com que a política trabalhe para o bem de todos, bem como tornar suas atividades transparentes aos olhos dos cidadãos, não é um sacrifício, um favor e muito menos um esforço sobre-humano, trata-se apenas de fazer com que ela funcione como deve ser e desempenhe a sua verdadeira função. Mas, quando alguém ouse usar a política para atender interesses e vontades particulares de quem quer que seja, esse alguém coloca a atividade política fora dos trilhos. A função da política é trabalhar sempre em prol do bem comum, portanto, que os homens ousem fazer com que isso aconteça definitivamente.

Infelizmente, é preciso registrar que quando o assunto é a política, a ousadia dos homens tende com mais força a atender interesses particulares do que trabalhar em prol do bem comum. A ousadia na política é evidente, mas ela não cumpre o seu verdadeiro papel porque de um modo geral, ela surge quase sempre para defender interesses de um indivíduo ou de um grupo específico de indivíduos. Aquele que em pleno exercício da atividade política ouse abrir mão de trabalhar de forma justa e igual para todos, coloca a força da ousadia contra a própria política e, consequentemente, contra o povo. A função da política não é servir este ou aquele interesse especifico ou particular, mas sim a todos os cidadãos de forma igual.

Em relação à política, a maior ousadia do indivíduo deve ser sempre aquela que conduz essa atividade a cumprir o seu verdadeiro papel no seio da sociedade. Ninguém deve ousar fazer da política uma atividade ao serviço dos seus próprios interesses, quem age dessa forma, além de trair a confiança do povo, faz uso de uma “coisa pública”, isto é, de algo que não lhe pertence para obter vantagens. Ousar na política significa simplesmente contribuir para que a política seja apenas política; essa é uma tarefa que deve ser cumprida de forma rigorosa e total, não apenas por aqueles que diretamente exercem a atividade política, mas também por todos aqueles que contribuem de uma forma ou de outra para que eles possam exercer tal atividade.

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*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT: Revista de Filosofia.

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