POLÍTICA

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

PP aponta o dedo ao Governo de Ulisses Correia e Silva 10 Outubro 2017

O Partido Popular de Cabo Verde (PP) reuniu-se, no domingo, 08, na Cidade da Praia para debater e reflectir sobre algumas preocupações candentes que afectam as populações. Mas a atenção dos dirigentes populares estiveram voltadas para as centenas de erros registados na edição dos manuais escolares para o ano lectivo 2017/2018, o acordo SOFA assinado entre Cabo Verde e EUA, o caso de Chã das Caldeiras que está ainda sem solução, bem como viagens excessivas ao estrangeiro de governantes, mortes sistemáticas das parturientes na maternidade do HAN, entre outras questões quentes da vida política cabo-verdiana.

PP aponta o dedo ao Governo de Ulisses Correia e Silva

Para Amândio Barbosa Vicente, o Partido Popular (PP) vê como muita preocupação a falta de rigor na gestão da coisa pública e o “mau desempenho do actual Governo, sobretudo na resolução dos problemas e dificuldades por que passam as populações do arquipélago”.

Os dirigentes do PP consideram que “o mar de erros nos manuais escolares editados para o ano lectivo 2017/2018” é resultado da mistura de negócios privados com os do Estado. Por isso, os populares exigem a demissão da titular da pasta da educação. “Não houve conurso público no processo de selecção do fornecedor dos manuais escolares, havendo indícios neste processo do crime de corrupção – o nepotismo. Os erros e gralhas que os manuais escolares apresentam são a ponta de iceberg de um grande problema da gestão do sistema educativo em Cabo Verde, que mistura tudo”, aponta em nota o PP.

Referindo-se ao acordo SOFA entre Cabo Verde e EUA, o PP mostra-se indignado pelo que chama de falta da coordenação entre o Presidente da Republica e o Primeiro-ministro, depreendendo-se que com esta falta de sintonia, pode significar que as hierarquias militares estão sendo ignoradas no processo. Nesta óptica, entende o PP que o acordo não poderá significar a instalação “disfarçada” das bases militares no país, reconhecendo, no entanto, que o mesmo poderá trazer alguma vantagem para o país no combate ao narcotráfico e no controlo do território nacional, sem pôr em causa o futuro de toda a geração.

Chã das Caldeiras um problema sem solução

Lembra o líder do PP, que a gestão do orçamento em 700 mil contos em ajudas internacionais acrescidos dos recursos captados a nível interno (0,5% do IVA), para a resolução dos problemas dos deslocados da Chã das Caldeiras tem sido com falta da transparência e má prestação de contas na gestão destes recursos.

“Esta polémica tem marcado o processo Chã das Caldeiras e convém ressaltar que desapareceram quatro geradores eléctricos doados, cuja opinião pública ainda ficou por saber o resultado do escrutínio destas perdas”, anuncia.

Assim, o Partido Popular entende que deve haver uma sindicância para apurar as contas dos recursos envolvidos na resolução dos problemas destes deslocados e exorta o Governo a ser mais expedito na resolução desta questão.

Viagens ao estrangeiro pelos governantes

Outra inquietação debatida durante a sessão ordinária do PP tem a ver com as viagens ao estrangeiro feitas pelos governantes do país. Para o seu líder, Amândio Barbosa, “em plena era digital” muitas destas viagens podiam ser evitadas, sobretudo porque o país precisa de mais equidade na gestão dos parcos recursos de que dispõe.

Mortes sistemáticas das parturientes no HAN

O PP diz, por outro lado, estar inconformado com a taxa de mortalidade das parturientes registada na maternidade do Hospital Doutor Agostinho Neto. É que o seu líder, Amândio Barbosa, considera inaceitável a perda de vida de uma mulher grávida no momento do parto, face ao avanço da medicina. “Estamos todos preocupados e consternados pelas perdas de vida na maternidade deste maior centro hospitalar do país. Por isso, exortamos o Governo de Cabo Verde no sentido de abrir uma sindicância para apurar as causas da morte e responsabilizar os que forem culpados”, manifesta.

Contudo, Amândio Barbosa Vicente espera que o Governo cumpra as suas promessas de campanha, fazendo melhor do que o anterior. “Seria bom que as promessas fossem cumpridas. Cabo Verde precisa de um partido que trate as pessoas em iguais circunstâncias, com base no reforço da democracia, na justiça social e sem ser por filiação partidária”, opina.

Recorde-se que o PP foi criado em Outubro do ano passado e apresentou a sua candidatura às eleições legislativas de 20 de março nos círculos de Santiago Sul, Santiago Norte e na ilha do Fogo, tendo conseguido um total de 777 votos e sem alcançar qualquer representação na Casa Parlamentar Cabo-verdiana.

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