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PSD Portugal: Passos fora, Rio pronto, Montenegro pressionado, Santana à Espera 04 Outubro 2017

Luís Montenegro está a ser muito pressionado para se candidatar à sucessão de Passos, que sai mesmo da liderança do PSD depois da pesada derrota do partido nas autárquicas do último Domingo. Santana Lopes anda em contactos, a apalpar terreno.

PSD Portugal: Passos fora, Rio pronto, Montenegro pressionado, Santana à Espera

Rio já está na corrida

Pedro Passos Coelho confirmou hoje o que se esperava desde domingo à noite: não será candidato à sua própria sucessão. Disse-o de manhã na Comissão Permanente do PSD, repetiu-o depois durante a tarde na Comissão Política, e fará o anúncio urbi et orbi à noite, no Conselho Nacional, num discurso que, excepcionalmente, será aberto à comunicação social.

O Expresso sabe que na segunda-feira foram feitos muitos telefonemas a partir da sede nacional do PSD para as principais estruturas locais do partido, no sentido de avaliar o estado de espírito da máquina laranja depois da derrota das autárquicas. Daí não terá resultado qualquer vaga de fundo no sentido de Passos se manter em funções. Houve mesmo dirigentes locais que, embora reafirmando a sua lealdade a Passos, deixaram claro que não podiam assegurar o apoio das estruturas que lideram.

Montenegro muito pressionado

Com Passos fora da corrida, aumentou esta terça-feira a pressão sobre Luís Montenegro, para que assuma uma candidatura contra Rui Rio, o único candidato que já está ativo no terreno.

O ex-autarca do Porto é a capa desta semana da revista Visão, com quem falou na segunda-feira de manhã, confirmando a decisão que o Expresso noticiou em primeira mão em agosto: é mesmo candidato à presidência do PSD. O descalabro das autárquicas não foi determinante (a decisão já estava tomada), mas vale como um argumento da campanha interna. “As próximas eleições internas têm de refletir a vontade de mudança dos portugueses”, diz Rio à Visão.

Com Rio rodeado de barões que muitos conotam com o passado - Manuela Ferreira Leite, Nuno Morais Sarmento, Ângelo Correia e Feliciano Barreiras Duarte estiveram com Rio em Azeitão, na segunda-feira, num encontro preparatório do anúncio de candidatura -, a resposta do passismo e de outras figuras como Miguel Relvas é o ex-líder parlamentar.

O Expresso sabe que Montenegro tem resistido. Não porque não queira ser líder, mas porque considera que este não é ainda o seu tempo, estando muito conotado com a liderança de Passos. Mas isso não faz baixar a pressão. O ex-líder parlamentar é uma das figuras mais conhecidas do PSD, deu uma grande volta ao país laranja durante esta campanha autárquica, estreitando a relação com o povo social-democrata, e é “muito querido” entre as bases, diz um seu apoiante.

“Ao contrário de Rio, que tem muitos anticorpos nas estruturas, Montenegro tem enorme simpatia do partido”, diz a mesma fonte. E pode contar no seu currículo recente com rasgados elogios de Marcelo Rebelo de Sousa e de Marques Mendes - o comentador da SIC é, de resto, bastante próximo de Montenegro.

A questão do timing é, por outro lado, desvalorizada pelos que estão a empurrar Montenegro. “Nunca ninguém escolhe o momento. Ele surge quando surge, a questão é saber agarrá-lo. A política é a arte do possível”, diz um dos sociais-democratas mais empenhados na candidatura de Montenegro, enquanto encolhe os ombros. “Se ele não se candidata agora, comete um erro histórico e corre o risco de não voltar a ter essa oportunidade”, conclui a mesma fonte.

Santana apalpa terreno

Outra figura que poderá entrar em cena é Pedro Santana Lopes. O ex-líder e atual provedor da Santa Casa tem estado a “apalpar terreno” para perceber se terá condições para uma candidatura vencedora. Para isso, precisaria de conquistar o aparelho que ficará órfão com a saída de Passos - ou seja, a primeira condição para a sua candidatura seria a recusa de Montenegro.

Santana tem inquirido pessoas próximas sobre se o apoiariam no objetivo de regressar à liderança do PSD e está a “avaliar muito seriamente” esse cenário. “Tem notoriedade, tem estatuto, tem popularidade, estranho seria se não pensasse nisso”, diz uma fonte próxima. Mas também tem a recusa, há um ano, de se candidatar a Lisboa, num processo que culminou no pior resultado de sempre do partido na capital...

Pinto Luz joga para o futuro

Miguel Pinto Luz, ex-presidente da distrital de Lisboa e vice-presidente da câmara de Cascais, é outro social-democrata que pensa na liderança. O seu nome foi até lançado por Miguel Relvas, na sua última entrevista ao Expresso, como alguém a ter em conta no futuro, quando se equacionar a presidência do PSD.

Com percurso na JSD e conhecimento da máquina bem sedimentado nos seis anos em que dirigiu a distrital (o mais longo mandato de alguém neste cargo), seria uma candidatura a pensar no futuro - não para vencer já, mas para ganhar estatuto e passar a ser um player quando se fala da liderança.

Mesmo não se recandidatando, Passos Coelho não sai já de cena. O ainda líder do PSD vai cumprir o atual mandato até ao fim, o que significa que só desocupa o gabinete na São Caetano à Lapa em fevereiro ou março do ano que vem. Passos anunciou um calendário segundo o qual as diretas seriam no final de janeiro ou início de fevereiro, e o congresso cerca de um mês depois. Ou seja, o atual líder ainda vai definir a posição do partido pelo menos em relação ao próximo Orçamento do Estado. Fonte: Expresso Portugal

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