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Palavra S.... que abate astros e alvo de amálgamas que impedem justiça para vítimas 17 Janeiro 2018

Palavra S.... que abate astros e alvo de amálgamas que impedem justiça para vítimas

Por: A.Teresa Pires Paulo

Três letrinhas apenas e é a palavra mais complicada na língua internacional: estrelas caem de tempos a tempos, poderosos são abatidos por vezes, vítimas reais sofrem sempre. Alvo de amálgamas diversas, torna-se cada vez mais urgente, no planeta interconectado, a necessidade de clarificar os conceitos em torno da sexualidade, transformada em fenómeno mediático global.

O atual debate focado na violência exercida, sob mais que uma forma, sobre as mulheres na esfera laboral requer mais que nunca a clarificação dos conceitos. Com mais razão quando o tema é a sexualidade, suscetível de subjetividade extrema e por isso exige, como se diz figurativamente, tratamento com pinças.

O outono (Fall) próprio do Norte este ano fica marcado pela queda (fall) de homens de quem se pensava estarem acima dos demais. E como os trocadilhos são no imediato mais sugestivos, na esfera mediática já se forjou faloclastia, mais um neologismo que dá conta do fenómeno, e pode tapar o clamor da vítima inocente e indefesa.

Os neologismos podem ser muito expressivos, e assim atraem a atenção, mas nem sempre contribuem para ensinar a tratar os assuntos com mais propriedade de linguagem. Usar a palavra com rigor é necessário para evitar as "amálgamas" do título — tão prejudiciais ao entendimento necessário à ação para a vítima obter justiça.

Amálgamas: S... vai do assédio ao pior crime mas também à má-educação

Confirmam-se amálgamas que enquadram o fenómeno do assédio sexual duma forma tão generalizada que é real de as vítimas dos crimes mais graves serem esquecidas. As vítimas, em especial mais vulneráveis devido à idade e ou situação de dependência ante o agressor que tutela o seu crescimento, poderão ficar esquecidas perante a avalanche de rostos mediáticos que por razões diversas expõem o seu caso, açambarcando o espaço da justiça.

Assiste-se por estes dias a uma reedição das amálgamas, enquanto fenómeno induzido pela pressa dos diversos processos de comunicação. A mais recente liga-se ao efeito dominó do ’caso Weinstein’, que surgiu há três meses despoletado pela denúncia de uma realizadora e atriz. A essa primeira mulher, a italiana Mia Sorvino(?)de imediato juntaram-se mais uma meia centena de mulheres que afirmaram também terem sido vítimas do poderoso produtor de Hollywood (cujos filmes se exibem nas poucas salas de cinema ativas entre nós).

A lista de predadores iniciada pelo nome de Weinstein foi crescendo e dela já constam mais de cinquenta nomes — só nos espaços da indústria do cinema e conexos —, muitos dos quais, numa situação normal, não teriam nem duas mal escritas regrinhas.

Foto: O mediatismo do luto das estrelas e astros (exibido como manifesto na premiação ’Golden Globe’) não pode fazer-nos esquecer que o fenómeno do assédio sexual tem de ser devidamente enquadrado. Só assim, devidamente tipificado na esfera da comunicação de massas, as vítimas, ainda mais vulneráveis devido à idade e ou situação de dependência ante o agressor que tutela o seu crescimento, poderão obter a justiça necessária para mitigar o seu sofrimento e permitir-lhes crescer de modo adequado.

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