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Angola: UNITA admite convocar manifestação nacional contra «violações da lei eleitoral favoráveis ao MPLA 14 Agosto 2017

O cabeça de lista da UNITA às eleições gerais angolanas, Isaías Samakuva, admitiu hoje(13) «levantar o país para a rua», numa manifestação nacional, contra alegadas violações da lei eleitoral que, no seu entender, favorecem o MPLA.

Angola: UNITA admite convocar manifestação nacional contra «violações da lei eleitoral favoráveis ao MPLA

«Para impedir que cheguemos ao dia das eleições com irregularidades [no processo eleitoral] nós ainda colocamos a possibilidade de levantar o país para a rua para impedir as violações da lei, para que o processo atinja um clima de transparência», afirmou hoje Isaías Samakuva numa entrevista concedida à agência Lusa e à RTP, em Mbanza Congo.

Questionado sobre o que significa «levantar o país para a rua», o líder da UNITA esclareceu que se trata de organizar uma grande manifestação nacional nos dias que antecedem a ida dos angolanos às urnas no dia 23 de agosto.

Isaías Samakuva considera, no entanto, que ainda há tempo para que a comissão eleitoral angolana corrija algumas das irregularidades que possam ter impacto no resultado das eleições.

«Consideramos que [algumas irregularidades] podem ser corrigidas para que no dia das eleições possamos dizer que aceitamos os resultados», disse o líder do principal partido da oposição angolana, recusando-se a clarificar se vai ou não reconhecer os resultados eleitorais se a atual situação se mantiver.

Entre as irregularidades apontadas por Samakuva contam-se a centralização da contagem de votos em Luanda em vez de ser nas assembleias de voto, dificuldades de acesso a delegados dos partidos nas diferentes mesas de votos por todo o país e a existência de 85 mil cartões de eleitor que ainda não foram entregues a cidadãos que os solicitaram.

«Se a UNITA perder, mas com resultados credíveis, nós temos de aceitar a vontade dos cidadãos», disse Isaías Samakuva.

O líder da UNITA escusou-se a admitir uma eventual coligação com outras formações que permitisse equilibrar o resultado ou ultrapassar o MPLA, mas assumiu que outras forças políticas possam juntar-se à eventual manifestação nacional contra as irregularidades do processo eleitoral.

«Se quiserem vem, se não quiserem a UNITA faz», concluiu.

Em junho último, a UNITA organizou uma grande manifestação nacional contra as empresas contratadas pelo Estado angolano para o processo eleitoral de 23 de agosto – a portuguesa, mas ligada a capitais angolanos, SINFIC e a espanhola INDRA –, prometendo sucessivas manifestações caso os procedimentos não fossem alterados. No entanto, estes protestos subsequentes não se realizaram.

Angola realiza eleições gerais a 23 de agosto, num ato eleitoral marcado pela ausência do Presidente Eduardo dos Santos - há 38 anos no poder - do boletim de voto. O cabeça de lista do MPLA - partido que governa Angola desde 1975 - será o general João Lourenço, ministro da Defesa. Fontes:Lusa c/ A Bola África

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