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Para ires à praia nem precisas de carro 11 Agosto 2017

Para ires à praia nem precisas de  carro

No meu “exílio” europeu que me ditou a pequenez das nossas ilhas, ouço as novas que o vento me traz do meu país. Há décadas, a ouvi-las. Às vezes presto atenção, outras nem tanto. Ultimamente, ouvi essa da morabeza que ficou traduzida num ato inédito e decidi que era hora de prestar mais atenção.

Comecei por admirar o esforço do diplomata da União Europeia. Tanto que ele terá trabalhado para conseguir chegar a este patamar! O modo condicional, sob forma de futuro, poderá até virar indicativo logo que tiver tempo para fazer um levantamento das intervenções desta figura da diplomacia europeia na política deste país.
Há anos um embaixador, em fim de missão na ‘ilha do nome santo’ de Tenreiro, só queria uma rua com o seu nome. Ingratos, os representantes do Estado disseram-lhe não.

Um quarto de século depois, os representantes do Estado de Cabo Verde fazem a um diplomata em fim de missão, uma benesse única, excecional e até agora ilegal.
Única: jamais atribuída a outro. Como os órgãos de comunicação veiculam, juntando-se às vozes dos social-media, é proibido construir no local. Citam o exemplo do cidadão nacional que em 2006 foi impedido de construir.
Excecional, porque em vez dos habituais lotes de 120 metros quadrados, o representante da diplomacia europeia terá o óctuplo dessa área habitual: 960 m2.

Ilegal, também à luz do Direito Internacional, porque o terreno está situado numa área abrangida pelo Tratado de Viena.

Ato ilegal, excecional, único. Não sei se o povo tem algo a dizer do Diplomata, mas de certeza que tem a dizer ao poder eleito e em especial à Edilidade. Estou para ver os próximos desenvolvimentos, na certeza de que a União Europeia não vai deixar passar em brancas nuvens.

Foto: Ilegal é construir na orla marítima, mas as exceções são mais que muitas, como mostra esta foto dum empreendimento que há mais de 20 anos regista um historial de ilegalidades várias, cometidas pelo poder autárquico — ora dos tambarinas ora dos ventoinhas. O foco agora está no terreno de 960 m2, sito a poucos metros desta Prainha, mesmo à esquerda da Residência Oficial do Embaixador de Portugal. Em 2006, sendo Embaixador Ribeiro Teles, a tentação de construir não foi avante: invocou-se o dispositivo do Tratado de Viena sobre a segurança das representações diplomáticas e a "coisa" foi travada. E desta vez será que vai haver ação?

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