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A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Parlamento: Deputado Nuías Silva denuncia falta de sistema na rede do Estado, MpD diz suspeitar de sabotagem por parte de técnicos 27 Julho 2017

“KA TEM SISTEMA». Foi desta forma como o deputado e vice-presidente do PAICV, Nuías Silva, caracterizou o estado em que se encontra a Rede de Telecomunicações Privativa do Estado (RTPE), na sua declaração política que incendiou, hoje (25), o parlamento cabo-verdiano. Para Silva, em causa está a deficiente gestão desse sistema de governação electrónica pelo Núcleo Operacional do Sistema de Informação (NOSI), que tem colocado vários técnicos nas prateleiras. O jovem político alerta que a situação está a ter consequências nefastas para o país, com destaque para os serviços que arrecadam receitas do Estado e prestam assistência médica ou medicamentosa aos cabo-verdianos. Em reacção, o MpD, através do deputado Alcides de Pina, lembrou que os problemas não vêm de agora. Já o deputado Orlando Dias complementou a comunicação do seu colega, advertindo suspeitar de sabotagem por parte dos mesmos técnicos do passado que continuam a trabalhar no NOSI.

Parlamento: Deputado Nuías Silva denuncia falta de sistema na rede do Estado, MpD diz suspeitar de sabotagem por parte de técnicos

“KA TEM SISTEMA” é, atualmente, o que mais se ouve nos serviços do estado. Paradoxalmente, hoje esta é uma frase que todos os cabo-verdianos, no país e na diáspora, conhecem muito bem, porque a espera pelo Sistema tem sido, atualmente, o desespero de todos quantos procuram os serviços públicos que, infelizmente, hoje, são quase todos em formato electrónico e, nem sequer há outras formas de os aceder», diz o deputado tambarina na sua declaração política que agitou o parlamento.

Referindo-se aos afectados com a falta do sistema da Rede de Telecomunicações Privativa do Estado, Nuias Silva precisa que abrange vários serviços publicos. «São doentes que não são atendidos ou que não conseguem fazer uma marcação; estudantes que não conseguem, a tempo, cuidar dos dossier de prossecução dos estudos; serviços de previdência social que impedem o acesso a medicamentos e outras prestações; serviços de finanças inoperáveis dificultando até a arrecadação das preciosas receitas do Estado. Estes são apenas uma pequena amostra da situação “degradante” a que chegamos. De ‘nosso orgulho’ os sistemas passaram a ‘Nosso Inferno’», descreveu.

Para o deputado, a contestação de que nada funciona nos serviços públicos tem gerado inclusive situações de desordem obrigando a intervenção da polícia para acalmar os ânimos dos descontentes em alguns serviços públicos. «Os prejuízos económicos, financeiros e reputacionais são incalculáveis e teme-se o prejuízo maior de um “blackout” que paralisaria por completo a Rede de Telecomunicações Privativa do Estado (RTPE) e consequentemente o país», alerta Silva.

O eleito do maior partido da oposição defende que é preciso entender, de uma vez por todos, que a governação eletrónica não é um luxo ou o resultado de um mero capricho político. «É uma necessidade incontornável para o desenvolvimento de qualquer país. É bom que se diga, também não é barata! Comporta elevados custos em investimentos tangíveis e intangíveis, liderança transformadora entre outros e nem é compativel com experiências e ‘experimentos’ a ver se resulta».

Nuías Silva advoga que o país possui técnicos qualificados, capacitados, seniores e certificados que podem dar respostas com qualidade aos desafios que se nos impõe. Criticam que não podem ser colocados nas prateleiras. « Precisam ser valorizados e não afastados; precisam ser motivados e não colocados nas prateleiras; precisam sentir engajados no coaching interno e não substituídos ‘apressadamente’ por técnicos juniores e menos experientes na administração de sistemas críticos. Com eles, Cabo Verde já tinha ganho a sua independência na administração dos seus sistemas, na sua manutenção e no respectivo troubleshooting».

Dainte do quadro descrito, o deputado do PAICV apela ao Governo para valorizar o caboverdiano, os técnicos nacionais, as suas capacidades e «não instituir a regra do desmantelamento das instituições e empresas públicas, afastando os mais experimentados, porque os resultados serão desastrosos». Nuias Silva conclui que « foram estas medidas, que no caso do NOSi, praticamente ia paralisando o país».

MpD refuta acusações, UCID contra levantamento de suspeitas

Entretanto, reagindo às declarações politicas do PAICV, o deputado do MpD, Alcides de Pina, contestou que as falhas no sistema do NOSI não são de agora. Mas Pina diz concordar com a ideia de que é necessário rever a política do NOSI no sentido de não centralizar tudo no mesmo sistema.

“Eu estive oito anos a trabalhar na Câmara Municipal e uma das maiores dificuldades que enfrentávamos era com o problema de falta de sistema. De cada 22 dias se trabalhávamos 10 a 15 dias eram muitos porque sempre se colocavam a questão da falha de sistema”, descreveu.

No tom já habitual que lembra o rebentolismo da década de 90, interveio também o parlamentar Orlando Dias, advertindo que os mesmos técnicos que estavam no passado é que se encontram a trabalhar no NOSI, pelo que levantou a hipótese de sabotagem.

Já o líder da UCID António Monteiro condenou a atitude do colega Orlando Dias que lançou suspeição sobre os técnicos. Pediu ao Governo para dar uma atenção especial ao NOSI, disponibilizando os meios financeiros e técnicos para que a instituição possa trabalhar de forma tranquila e segura, cumprindo a missão para a qual foi criada.

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