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Pedro Alexandre Rocha a propósito da polémica com os Manuais Escolares: Desta vez não posso concordar com a posição do meu partido-MpD 05 Outubro 2017

A polémica surgida com os erros cometidos na edição dos Manuais Escolares está a provocar as mais diversas reacções na sociedade cabo-verdiana. A par de ameaças com protestos de rua por parte de pais e encarregados da educação e uma petição em curso para se retirar os livros com erros do mercado, a contestação surge até dentro MpD que sustenta o Governo. O professor e dirigente ventoinha, Pedro Alexandre Rocha, é um deles que avisa estar contra a posição do seu partido. «Desta vez não posso concordar com a posição do meu partido». É que, segundo Rocha escreve na sua página de facebook, o MpD devia demarcar-se da posição da Directora Nacional de Ensino, por considerar que os «erros grosseiros» cometidos na edição dos Manuais Escolares não podem fazer escola em Cabo Verde.

Pedro Alexandre Rocha a propósito da polémica com os Manuais Escolares: Desta vez não posso concordar com a posição do meu partido-MpD

«Desta vez não posso concordar com a posição do meu partido. Há coisas que são perfeitamente evitáveis e poder-se-ía evitar esse flanco e não dar brechas para a oposição atacar e tirar dividendos políticos, com legitimidade. Afinal, a própria Directora Nacional de Educação declarou ter detectado os erros antes de os manuais serem publicados», postou o professor Pedro Alexandre Rocha, que é um dos dirigentes históricos do MpD e que foi Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz de Santiago.

Para Rocha, o Ministério da Educação cometeu dois erros crassos de palmatória na edição dos Manuais Escolares em causa. «Dois erros crassos de palmatória, como se diz na gíria académica, aconteceram: 1º- Se os erros foram detectados, mas os manuais já tinham sido editados, isto, de per si, retrata uma negligência grosseira e imperdoável, pois o Ministério da Educação tinha a obrigação de verificar os manuscritos, através de uma comissão pluridisciplinar, constituída por gentes com valências reconhecidas, antes de os editar; 2º- Se detectou tais erros porque então mandou circular esses manuais? Não o deveria ter feito. »

Pedro Alexandre Rocha critica que o MpD devia demarcar-se da justificação que a DNE apresentou. «A justificação que agora a DNE apresenta e infelizmente, coroborada pelo MPD, em vez de este se demarcar, não pode fazer escola. Um erro não justifica o outro. Se há manuais no passado com erros dessa natureza isso não pode ser desculpa para justificar os erros do presente. Temos que aprimorar cada vez mais e aprender com os erros, mas não insistir neles».

No seu post colocado na sua página pessoal no Facebook, fundamenta que o MpD tem de fazer diferente como prometeu durante as ultimas campanhas eleitorais. « ‘O slogan do MpD foi: "somos diferentes, fazemos diferente’. A coerência é uma virtude que deve ser cultivada. O que vem nos manuais é de uma gravidade que não tem outro caminho senão o reconhecimento do erro e a sua remoção. Não interessa que ele seja 1%. Não é a quantidade que conta, neste caso, é o impacto que o mesmo encerra. 1% do erro num manual escolar, a sua compactação será superior a 20 ou 30% do mesmo, numa revista, num jornal ou numa publicação qualquer. Para quê insistir no erro?», questionou.

Alexandre Rocha alerta que a sociedade civil já reagiu contra aquilo que considera ser uma grossaria. « A sociedade civil já reagiu e já manifestou, claramente, a sua indignação perante essa grosseria. Esta questão não devia ser politizada. Insistir é politizar ainda mais um assunto que tem a ver com o futuro dos nossos filhos. Ainda é tempo de arrepiar caminho, fazer uma reflexão e encontrar uma saída que não comprometa o futuro das gerações vindouras», aconselha.

Ministra e indignação de professores

Ainda no seu post, Alexandre Rocha critica que o que a Ministra da Educação, Maritza Rosabal Peña, anunciou na comunicação social é que devia ter feito antes do lançamento dos manuais. «O que a ministra anunciou é o que ela devia ter feito antes e evitar que chegássemos a este ponto. Dizer que está com uma equipa de professores universitários a verificar esses erros é o procedimento que seria normal e desejável se tivesse sido na altura devida. Pôs-se a carroça à frente do boi e deu no que deu».

Sentindo-se na qualidade de professor indignado com «os erros grosseiros» cometidos na edição dos manuais escolheres em causa, Pedro Alexandre Rocha diz constituir uma provocação à comunidade académica quando a Directora Nacional da Educação afirma que em Cabo Verde não existem condições nem financeiras e nem técnicas para garantir uma comissão de verificação de manuais escolares. «Eu como professor fico indignado perante erros grosseiros cometidos em manuais escolares, quer sejam do passado, quer sejam do presente. Fico ainda mais indignado quando oiço a DNE defender-se, dizendo que em Cabo Verde não existem condições nem financeiras e nem técnicas para garantir uma comissão de verificação de manuais escolares. Esta é uma afirmação provocatória para a comunidade académica em Cabo Verde. Repudio-a veementemente!», conclui o post de Pedro Alexandre Rocha colocado na sua página de facebook.

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