MUNDO INSÓLITO

A SEMANA : Primeiro di?rio caboverdiano em linha

Pegadas de Darwin: Paleontólogo de Cambridge convence tribunal que ‘agressão’ à ex-noiva zoóloga era falsa e ato de vingança dela 16 Setembro 2017

Sophia Cooke (foto) segue as pegadas de Charles Darwin — que universitários de Cabo Verde homenagearam em 2009 — no estudo das espécies cujo habitat é o Arquipélago de Galápagos. Separados por quase 200 anos, une-os as ilhas do Pacífico, mas tanto quanto sabemos, só no que à zoologia respeita.

Pegadas de Darwin: Paleontólogo de Cambridge convence tribunal que ‘agressão’ à ex-noiva zoóloga era falsa e ato de vingança dela

O paleontólogo Matthew Baron, de 26 anos, sofreu uma grande decepção em fevereiro de 2016, no regresso da viagem científica da noiva às ilhas que são uma reserva natural de espécies únicas. Nesse reencontro após seis semanas de separação, ela fez-lhe uma revelação que o levou a romper o noivado de um ano com Sophia Cooke, de 23 anos. De coração destroçado, Matthew não imaginou que ainda teria de enfrentar o ostracismo social graças a um esquema de vingança que Sophia montara: poucos meses depois, toda a faculdade “sabia” que ele “batia em mulheres”. Deixou de poder dar as aulas de paleontologia na faculdade de ciências e em toda a prestigiada universidade de Cambridge a sua reputação estava no chão.

A versão que corria na universidade de Cambridge era que, durante uma discussão no carro dela, Matthew começara por quebrar o iPhone de Sophia atirando-o contra a aparelhagem áudio. Ao saírem do carro, ele bateu-lhe repetidamente durante duas longas horas, ao fim das quais ela conseguira fugir a essa tortura trepando a uma árvore.

A versão dela

Ela repetiu-a esta semana no tribunal. “Eu só pensava que eu era a culpada por ter levado este homem a ser violento, que lhe tinha arruinado a vida e que o tinha traído. Só desejava que ele me perdoasse”.

Ela continuou a descrever os insultos e as pancadas que ele lhe teria infligido na cabeça, no rosto e em todo o corpo. “Eu chorava e ele andava à minha volta a chamar-me nomes … eu só pensava: ‘Vou morrer’.”

Depois de descrever como conseguira enfim escapar-se e refugiar-se no cimo de uma árvore, ela terminou declarando ao tribunal que durante meses tinha estado dominada pela culpa: “Só ao fim de vários meses tomei consciência de que eu não sou a culpada”.

A versão dele

Matthew contou ao tribunal que a sua posição na universidade ficou insustentável quando ela conseguiu virar todos contra ele, contando mentiras que o tornaram odioso.

Era a vingança dela pelo fim do noivado, depois de um ano de namoro, em que os dois estavam a viver juntos e pensavam casar-se. Mas durante a viagem aos Galápagos ela traira-o, como a própria lhe contou durante uma viagem de um dia a uma reserva natural na região.

Ela estava à espera que ele lhe perdoasse, contou Matthew em tribunal, mas ele não conseguiu. Ficou descontrolado e partiu-lhe o iPhone atirando-o contra a aparelhagem áudio do carro dela.

“Chorei. Estava de coração destroçado. Tinha confiado nela porque a amava e de repente ela atirou-me essa bomba”, contou.

“Ela disse que ainda podíamos continuar e ter o casamento com que sonhávamos, mas para mim isso era absurdo. Para mim, a traição era imperdoável e fui muito claro que era mesmo o fim”.

Matthew admitiu que a ira o levara a atirar o iPhone contra a aparelhagem áudio do carro dela, mas negou veementemente a agressão.

“Eu detesto a violência, nunca em toda a minha vida fui violento contra seja quem for. Mesmo que ela tivesse dormido com todos os homens que estavam na ilha eu nunca ia bater-lhe, porque eu não sou assim”.

Matthew explicou que as marcas, que ela efetivamente tinha no corpo, tinham resultado de uma queda da árvore para onde ela correra quando ele lhe disse que tudo terminara entre os dois.

Os dois acabaram por voltar juntos à casa que partilhavam. Depois, quando ele lhe pediu que saísse, ela ameaçou-o que ia contar a todos que ele era um monstro violento.

“Ela disse-me: ‘Se disseres a alguém que eu te traí, eu vou arruinar-te. Vou contar a todos que és um monstro violento’. Era uma ameaça terrível porque eu começava a ter sucesso na minha carreira e ela podia destruir isso”.

Ela conseguiu-o: “Ela conseguiu fazer com que me despedissem da faculdade, do conselho científico. Ela ameaçou que ia escrever para o editor do jornal onde eu tinha conseguido publicar”, descreveu eele em tribunal.

“Isso tornou a minha vida em Cambridge quase insuportável, com as pessoas a olharem-me como se eu fosse infra-humano. Foi o pior tempo da minha vida”.

A “Sophia conseguiu espalhar esta história horrível. Acredito que quase sempre é verdadeira a história de uma jovem que afirma ter sido espancada, mas juro por Deus que no meu caso esta é uma história falsa. Só penso que ela decidiu contá-la para se vingar de mim.”

O tribunal decidiu

Ao fim dum dia de julgamento, o tribunal decidiu que o paleontólogo era inocente da agressão física contra a zoóloga.

Foi sim acusado de ter provocado danos materiais no carro da ex-noiva e condenado a pagar 300 libras (40 mil CVE), além das custas do processo no mesmo montante.

A magistrada Simona Rockall, presidente do julgamento, falou aos jornalistas no final deste julgamento que atraiu a atenção da imprensa. Disse: “O tribunal considerou inconsistente e nada credível a versão dos factos apresentada pela sra. Cooke”.

O paleontólogo confessou aos jornalistas presentes: “Sinto-me tão aliviado por tudo isto ter chegado ao fim e agora só quero olhar em frente. Foi um processo que me custou mesmo muito”.

A zoóloga recusou comentar.

Fontes: Telegraph.co.uk

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade






Mediateca
Cap-vert

Uhau

Uhau