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Pobreza diminui, mas mulheres são as mais afectadas 21 Novembro 2016

A pobreza relativa diminuiu, durante a governação do PAICV, de 36,7 em 2002 para 24,2 em 2015, revelam os dados do Instituto Nacional de Estatísticas divulgados no dia 18, na Praia. Mas a mulher é, segundo a mesma fonte, a camada social mais atingida (53%) por esse fenómeno – um em cada três cabo-verdianos vive ainda na pobreza.

Pobreza diminui, mas mulheres são as mais afectadas

Os resultados do III Inquérito às Despesas e Receitas Familiares, IDRF 2015, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística no período de dezembro de 2014 a Dezembro de 2015, revelam que os agregados familiares residentes em Cabo Verde realizaram um total de 93 milhões de contos em despesas, sendo a despesa média anual por agregado de 731 841 mil escudos, ou seja, 60 987$00 por mês. 26% das despesas anuais vão para alimentação. Por pessoa, as despesas médias anuais aumentam 2,9% ao ano, passando de 125 406 escudos em 2002 para 182 268 escudos CVE em 2015.

A estrutura das despesas das famílias cabo-verdianas em 2015 continue a revelar que o grosso das despesas visa a satisfação das necessidades primárias e essenciais para a sobrevivência, designadamente com a alimentação e a habitação, esta apresenta algumas mudanças estruturais nos hábitos de consumo.

“O peso relativo das despesas alimentares diminui de 37% em 2002 para 26% em 2015, enquanto a despesa com transporte aumenta de 7% para 12%. As despesas com a habitação (rendas incluindo as rendas imputada, isto é, a valorização a preços de mercado do custo com a habitação própria não sujeito ao pagamento de uma renda; eletricidade; agua, saneamento e gás) continuam a representar 26% do total das despesas médias anuais”, pontua.

Arroz, pão e frango são os produtos mais consumidos

O estudo diz que o arroz, o pão e o frango são os produtos mais consumidos em Cabo Verde e representam 22% do total as despesas com alimentação. Por ano, em média cada caboverdianos gasta cerca de 4 805 escudos em arroz, 2837 escudos em pão e 2 459 escudos em frango. O milho, a base da cachupa, perde expressão, mas continua sendo o segundo produto consumido no meio rural (1 684 escudos por ano por pessoa).

A concentração das despesas nos mais favorecidos indicia uma desigualdade económica e social e com grandes disparidades geográficas, principalmente no meio urbano, em que 20% da população mais rica concentra 60% do total das despesas realizadas no meio urbano, enquanto no meio urbano estas concentram somente 26% do total das despesas realizadas.

Mesmo entre os mais ricos as disparidades geográficas são acentuadas com os 20% mais ricos do meio urbano a realizarem uma média de 357 mil escudos percapita anualmente contra 181 mil escudos no meio rural. A nível nacional este indicador fixa-se em 0,47 e apresenta uma diminuição comparativamente a 2007 que era de 0,53.

Pobreza urbana aumenta

Em termos relativos, a pobreza em Cabo Verde fixa-se em 24,2%, registando uma diminuição de dois pontos percentuais comparativamente ao ano de 2007 que foi de 26,6%. Este indicador revela uma diminuição no meio rural de cerca de 3 pontos percentuais, 44% em 2007 para 40% em 2015, e um aumento de 13% para 15% da pobreza urbana.

Ainda de acordo com o estudo, Cabo Verde regista 179 184 pessoas (35%) a viverem abaixo do limiar da pobreza absoluta global (97 507 escudos por pessoa no meio urbano e por ano e o do meio rural de 82 428) e 54 310 pessoas (10,6%) a viverem em pobreza extrema, com menos 50 148 escudos por pessoa por ano no meio urbano e 49 591 escudos no meio rural, montante que permite satisfazer as necessitadas básicas essências.

No meio urbano regista-se uma incidência da pobreza de 28% e 5% de pobreza extrema enquanto que meio rural regista-se uma incidência 48% de população pobre e 20% de população que vive em extrema pobreza. Em termos evolutivos, regista-se uma diminuição da pobreza absoluta global de 57,6% em 2001 para 46,4% em 2007 e 35% em 2015.

Pobreza absoluta tem rosto feminino

A pobreza cabo-verdiana continua tendo o rosto feminino, mas muda de residência. Cerca de 53% dos pobres é mulheres e 51% dos pobres reside no meio urbano. Santiago acolhe 58% dos pobres, sendo 21% no concelho da Praia.

Este levantamento do INE mostra ainda que cerca de 44% dos pobres vivem em famílias monoparentais, geralmente representadas por mulheres e 61% dos pobres pertence a famílias numerosas, com seis ou mais pessoas.

43% das famílias cabo-verdianas avaliaram as condições económicas e sociais do país em 2015 de más ou muito más (7%) e 46% considera que esta está pior ou muito pior da que a registada há quarto anos atras. Igualmente a percepção de 34% das famílias é que as condições económicas do seu agregado pioraram nos últimos 4 anos. Seis em cada dez família cabo-verdiana se considera pobre, mas a grande maioria (95%) se considera Feliz!

O III Inquérito às Despesas e Receitas Familiares, IDRF 2015, foi realizado entre Dezembro de 2014 e Dezembro de 2015 em todo o território nacional numa amostra representativa de 6.912 alojamentos familiares e com uma taxa de resposta de 90%. Para além de informações sobre as características sociodemográficas da população e condições de vida dos agregados familiares, o inquérito recolheu informações sobre as despesas correntes do agregado, autoconsumo, autoabastecimento, recebimentos de oferta e de salario. Contabilizou ainda as rendas imputadas (a valorização a preços de mercado do custo com a habitação própria) e a valorização do consumo dos bens de duráveis (automóvel, equipamentos domésticos) e excluiu as despesas com investimento (compra ou construção de habitação e terrenos).

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