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Política e máscaras 02 Agosto 2017

A aparência parece encobrir a realidade e a mentira parece ocupar todos os espa ços da verdade no seio de uma atividade cuja finalidade é servir ao bem comum e jamais aos interesses particulares ou de um grupo especifico. Aqueles que politicamente representam o povo, jamais deverão se esquecer que suas atividades devem estar sempre pautadas na transparência e na verdade; qualquer esforço ou tentativa no sentido de maquiar ou adulterar a realidade, seja por qualquer tipo de artifício ou interesse, representa uma grave e imperdoável traição ao povo que neles depositou a sua confiança.

Por: José João Neves Barbosa Vicente*

Política e máscaras

Parece que dizer as coisas como elas são ou narrar um acontecimento como ele ocorreu, não é uma atividade comum entre aqueles que são escolhidos pelo povo para administrar a “coisa pública”. É como se, para eles, importasse não a transparência e a verdade das coisas, mas sim apenas transmitir aquilo que gostariam que fosse visto e compreendido pelos seus governados, para que seus “poderes” e seus interesses particulares sejam preservados e garantidos. Percebe-se, assim, o motivo pelo qual a atividade política é considerada pela maioria dos seus estudiosos como uma atividade infestada pelas várias formas de máscaras, e dificilmente os verdadeiros rostos e as verdadeiras intenções são vistos ou revelados para o público em geral.

A aparência parece encobrir a realidade e a mentira parece ocupar todos os espa ços da verdade no seio de uma atividade cuja finalidade é servir ao bem comum e jamais aos interesses particulares ou de um grupo especifico. Aqueles que politicamente representam o povo, jamais deverão se esquecer que suas atividades devem estar sempre pautadas na transparência e na verdade; qualquer esforço ou tentativa no sentido de maquiar ou adulterar a realidade, seja por qualquer tipo de artifício ou interesse, representa uma grave e imperdoável traição ao povo que neles depositou a sua confiança.

Fundamentar a prática política nas máscaras ou aparência almejando benefícios e vantagens próprios, não significa outra coisa senão agir contra o sentido e a finalidade da própria política, bem como minar a confiança do povo e colocar em risco a representatividade. Nunca é demais lembrar que sem a confiança, a transparência e a verdade, a política perde o seu rumo e a sociedade corre sério risco de se desestabilizar.

Aqueles que desempenham a função de representantes políticos do povo precisam sempre dizer as coisas como são e como aconteceram realmente, isso não é uma opção, trata-se de um dever inquestionável para com todos; é a verdade e a transparência que geram confiança e força, a mentira e a aparência geram fraqueza e desestabilidade. A política feita por meio de máscaras ou aparência representa um verdadeiro desrespeito à sua força maior que é o povo. É por isso que aquele que pretende exercer a atividade política como tal, precisa antes não apenas conhecer verdadeiramente a si próprio, mas também ser ele mesmo, isto é, dispensar todas as máscaras. Apenas um ser autêntico é capaz de exercer uma atividade ou uma função de forma autêntica; é esse tipo de indivíduo que deve ou deveria administrar a “coisa pública”.

*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT: Revista de Filosofia.

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